Super Smash Bros. para o Wii U é a versão do jogo que eu queria há cerca de dois meses, quando ele foi lançado para o 3DS. Como evidenciado pela análise feita então por Henrique Sampaio, não foram todos que tiveram problemas com a edição para o portátil, mas, em minha experiência, ela foi mais frustrante do que proveitosa. O motivo principal disso estava nos controles, em específico no Circle Pad, que achei ser impreciso demais para que eu conseguisse executar os golpes que gostaria.

Agora, com o GamePad do Wii U, ou com as diversas outras opções (sendo elas os Classic Controllers de Wii e Wii U, o Wii Remote mais o Nunchuk ou o controle de Gamecube se você tiver acesso ao adaptador), esse problema desaparece por completo, as frustrações se vão e Smash Bros. se torna um jogo excelente, o mais divertido desde Melee, que era para mim o melhor da série. Existem poucos jogos que proporcionam tantas risadas e bons momentos quanto este, que coloca vários personagens da Nintendo (e alguns de outras franquias) para se baterem, com o intuito de arremessarem uns aos outros para fora da tela. Os controles superiores já seriam o suficiente, por si só, para transformarem esta na versão superior e definitiva do título. O fato dele possuir modalidades mais legais e estágios mais interessantes só torna o pacote mais atraente e possivelmente um bom incentivo para que você queira ter um Wii U.

Primeiramente, é bom deixar claro que não há diferença no rol de personagens entre as duas edições. Os lutadores que estavam no portátil estão no console, apesar de virem abertos em ordens diferentes. Baby Bowser e os Koopalings, por exemplo, precisavam ser destravados no 3DS, enquanto aqui eles já podem ser utilizados assim que você liga o jogo pela primeira vez. Infelizmente, se entre os seus favoritos estão figuras como Doctor Mario, Duck Hunt e Wario, ainda será preciso passar por algumas partidas antes de você ter a chance de desbloqueá-los.

Super Smash Bros.

Super Smash Bros.

O que os dois lançamentos possuem de muito diferente são as fases em que podemos lutar e, no geral, o Wii U recebeu uma safra bem melhor de arenas. Elas são, obviamente, mais bonitas por estarem em um console capaz de gráficos HD, mas, mesmo desconsiderando isso, elas são simplesmente mais criativas e repletas de detalhes. O estágio de Super Mario Galaxy, por exemplo, não tem nenhum evento, como ter a tela se movendo ou o terreno se alterando. Mas há tanto ocorrendo ao fundo, como naves voando e planetas passando, que ela já se tornou uma das minhas favoritas. Outras exploram a franquia na qual elas são baseadas de forma inusitada, como uma do Donkey Kong, em que é possível entrar em barris que nos arremessam para o fundo da tela, nos colocando em uma segunda área em que podemos lutar. Há também uma de Metroid, em que Ridley aparece para atacar os combatentes e passará a lutar ao seu lado se você causar uma certa quantia de dano a ele. Ainda não é o sonho de um dia controlarmos Ridley, porém é provavelmente o mais perto que chegaremos disso.

Algumas das arenas comportam oito jogadores simultâneos, uma quantidade de lutadores que você encontra também em certos pontos do modo Classic. É interessante que seja permitido que tantas pessoas joguem ao mesmo tempo e, na falta de controles, é possível utilizar o 3DS como substituto, no processo importando os lutadores Miis criados em cada sistema. No entanto, o 8-Player Smash é por vezes caótico demais para o meu gosto. Tem horas que é impossível saber o que está acontecendo, e o resultado é que fico apenas apertando repetidamente ataques em uma direção, na esperança de atingir algo. Ele tem seus momentos, mas quatro jogadores é ainda o número mágico e perfeito que proporciona as melhores disputas.

Super Smash Bros. para Wii U também permite que você jogue boa parte dos modos antes reservados para um jogador com uma outra pessoa ao seu lado. Não só o Classic e All-Stars aceitam dois participantes, como também Trophy Rush e os vários minigames do Stadium, como Multi-Man Smash, Target Blast! e Home-Run Contest. Eles com certeza ficam menos desafiadores com outra pessoa ao seu lado, mas o que perdem em dificuldade ganham em diversão. É mais uma forma de jogar cooperativamente ao lado de alguém, cumprindo alguns dos desafios e destravando itens adicionais que antes pediriam que você passasse algumas horas por si só.

Há também toda uma série de eventos pré-selecionados, em que temos de usar um personagem específico e completar objetivos vários, que ocasionalmente pedem que você jogue de forma que não está acostumado e com lutadores que comumente ignora. Eu os achei bem divertidos, especialmente ao tentar ir atrás dos objetivos bônus que entregam recompensas adicionais. Além disso, há uma série específica para um jogador e dois jogadores, então há muito o que se fazer aqui.

Vale ressaltar que não é possível jogar dessa forma utilizando um 3DS conectado ao sistema. Por algum motivo, quando o portátil é usado o jogo limita suas modalidades àquelas que estão dentro do grupo “Smash”, o que significa que você tem acesso apenas aos modos versus. Particularmente não vejo problema nenhum, pois, como falei no início, acho que os controles do 3DS não são bons o suficiente para o que Super Smash Bros. pede. Entretanto, diferentes pessoas têm diferentes gostos, e aqueles que se sentem confortáveis no portátil não poderão utilizá-lo em todas as áreas do título.

Super Smash Bros.

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Restrito a um só jogador está o novo Special Orders, dividido entre ordens dadas pela Master Hand e pela Crazy Hand. Elas consistem de fases com condições diferentes, como batalhas em times, batalhas contra inimigos gigantes e eventos como Home-Run Contest, que o recompensam de diferentes maneiras se completos, entregando dinheiro, itens de personalização e assim por diante. As missões da Master Hand são mais diretas, basta completar uma delas que o bônus lhe é entregue na hora. Já com a Crazy Hand, é possível fazer várias fases seguidas, aumentando o montante da recompensa. O detalhe é que sua porcentagem, que indica o quão longe seu lutador irá voar com cada golpe recebido, não zera entre os estágios, portanto o evento fica progressivamente mais difícil. Além disso, você deve derrotar a Crazy Hand ao final para que possa receber o que ganhou. Eu gostei bastante das duas variações, que possuem objetivos de toda sorte. Eu duvido que a longo prazo ainda esteja acessando a modalidade, mas nesse início ele é bom para a finalidade de caçar os itens de personalização dos lutadores.

Por último, o Smash Run do 3DS foi substituído pelo Smash Tour, que mistura elementos de Mario Party a Smash Bros. Jogadores giram uma roleta em um tabuleiro, indicando o quanto que eles podem andar. Espalhado pelo terreno estão ícones que aumentarão a força, agilidade e outros atributos mais de seus lutadores. Quando você se encontra com alguém ocorre uma luta, que proporcionará bônus ao vencedor. Ao final de todos os turnos os participantes se enfrentam. O modo é bastante monótono e longo demais, mesmo com o menor número de turnos possível. Além disso, há poucas lutas ocorrendo se os participantes não se trombam, portanto na maior parte do tempo é como se você estivesse jogando uma versão capada e sem graça de Mario Party.

Super Smash Bros.

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A versão para Wii U traz de volta o criador de fases que estava presente em Brawl. Criar novos cenários é simples em instintivo, pois você pode desenhar as partes do cenário que deseja na tela do GamePad. Dito isso, eu não consigo me ver utilizando muito a função. É difícil fazer algo que seja tão criativo quanto o que já está presente no jogo e, como não é possível compartilhar fases com outras pessoas pela internet, não há maneira viável de se ter acesso às criações de outras pessoas.

Finalizando, contrário à experiência no 3DS, meu tempo com o online tem sido bem frustrante. Ao jogar em quatro pessoas as partidas são assoladas por muito lag, que vai e volta no decorrer da luta. Por vezes tudo fica em câmera lenta, como títulos do NES que não aguentavam a quantidade de elementos simultâneos na tela. O que me chama a atenção é que ainda assim eu consegui lutar de igual para igual com os outros, vencendo em algumas ocasiões, o que creio significar que todos estavam sofrendo desses picos de lentidão. Se esse não fosse o caso, eu provavelmente perderia rapidamente.

Eu cheguei a ligar meu Wii U na internet via cabo, utilizando o Wii Lan Adapter, o que melhorou um pouco a situação, mas não a deixou perfeita. Vale ressaltar que muitos estão elogiando a qualidade do online do título, dizendo que conseguem participar de batalhas sem problema nenhum. É possível que você tenha melhor sorte do que eu e esse seja seu caso, mas há também aqueles que encontram lag constantemente, então é difícil prever com qual qualidade você irá se deparar.

Para mim, a coisa só mudou de figura em partidas um contra um, que você pode acessar quando diz que não quer jogar “por diversão” mas sim “de verdade”. E enquanto a estabilidade era melhor, lutar só em duas pessoas e sem itens é a forma garantida de tirar toda a graça de Smash Bros. Eu sei que há pessoas que gostam de dar um viés mais competitivo ao jogo, mas essa definitivamente não é a minha praia, portanto a ausência de lag nessa modalidade não adiantou muita coisa.

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No entanto, a verdade é que o online de Smash Bros., mesmo que funcionando perfeitamente, não me interessa muito. Ao meu ver esse é um jogo que você quer ter amigos ao seu lado, no mesmo sofá, rindo juntos e ouvindo xingamentos quando alguém executa um golpe certeiro. São nessas horas que o título está em seu melhor e vale realmente a pena. Digo isso ao ponto de achar que, mesmo que você tenha uma conexão perfeita no online, se não estiver em uma situação em que possa reunir amigos para jogar talvez seja melhor deixar Super Smash Bros. de lado por enquanto e procurar por outra coisa.

Tudo que eu mais gosto funciona bem em Super Smash Bros. de Wii U, o que faz com que seja fácil ignorar as modalidades menos interessantes e o online que não funcionou direito. Essa é sem dúvidas a melhor versão do jogo e uma ótima entrada da franquia. Desde sua estreia no Nintendo 64 que a série é para mim um dos melhores multiplayers disponíveis e, quase quinze anos depois, isso continua se mantendo verdade.

Análise - Super Smash Bros. para Wii U
Superior à versão de 3DS em todos os aspectos, Super Smash Bros. de Wii U é mais um excelente jogo da franquia, oferecendo uma das melhores experiências multiplayer da geração atual de consoles.
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