Nota: Essas impressões são referentes apenas ao primeiro episódio de Resident Evil Revelations 2, já disponível.  São quatro episódios no total, sendo um novo deles lançado a cada semana, além de dois capítulos extras que contam histórias adicionais. Por se tratar apenas do primeiro episódio, preferimos não atribuir nenhuma nota ao jogo.

Resident Evil Revelations 2 é um começo interessante. Calcado no estilo mais moderno da série, voltado para a ação em terceira pessoa, o jogo nos coloca no controle de dois pares de personagens – Claire Redfield com Moira Burton e Barry Burton com Natalia Korda – em meio a uma nova trama envolvendo vírus, monstruosidades e a escassez de recursos, como sempre.

Resident Evil já havia explorado anteriormente a ideia de atravessarmos aventura em duplas, tanto em Resident Evil 5 como em Resident Evil 6, porém desta vez isso é feito de maneira um pouco diferente. Enquanto antes havia uma simetria entre os dois personagens controláveis, no sentido de que ambos podiam lidar igualmente contra as ameaças que surgiam em nosso caminho, as capacidades dos protagonistas de Revelations 2 são largamente diferentes.

Apenas Claire e Barry empunham armas de fogo, como pistolas, escopetas e metralhadoras. Moira e Natalia têm um papel de suporte, complementando seus parceiros. Moira tem uma lanterna com a qual pode encontrar itens escondidos, além de carregar consigo um pé-de-cabra que pode tanto derrotar inimigos com golpes repetidos quanto matar instantaneamente alguns monstros que estejam caídos no chão. É um pouco engraçado que a garota se recuse a carregar armas por conta de um trauma ainda não explicado,porém não tenha problema nenhum em empalar inimigos que se encontrem desprotegidos; mas, tudo bem, esse é um ótimo jeito de se economizar munição, pedindo que você alterne entre Claire e Moira quando está jogando sozinho (pois Claire é quem consegue os derrubar ao chão, com seu chute), enquanto no cooperativo isso pode ser feito mais agilmente, desde que você esteja se coordenando com a outra pessoa.

Resident Evil Revelations 2

Resident Evil Revelations 2

Natalia, por sua vez, auxilia Barry com sentidos aguçados – cuja razão de existirem ainda não foi explicada – capaz de também encontrar itens escondidos e sentir a presença de oponentes através das paredes. Se bem usado, isso permite que você pegue os monstros pelas costas, eliminando-os sem o uso de balas, ou simplesmente atravesse uma sala sem que nenhum deles o perceba. Mais para o fim do capítulo, essa habilidade ganha uma nova função, mostrando o ponto fraco de oponentes mais ágeis e fortes. De forma mais limitada, Natalia também é capaz de ser agressiva ao pegar tijolos no chão e usá-los como armamento, mas isso raramente se provou útil.

Entre esses dois segmentos há um claro contraste. Enquanto a parte de Claire e Moira foi de ação desenfreada, com inimigos capazes de saltarem grandes distâncias e nos cercar, Natalia e Barry encontram em seu caminho seres mais próximos aos zumbis de outrora, lerdos e cambaleantes, às vezes até mesmo se arrastando pelo chão. Em decorrência disso, é compreensível a capacidade ofensiva mais restrita de Natalia, já que nas horas em que ela está presente é mais simples fugir desses inimigos e tomar distâncias seguras. Dito isso, a sensação que tive foi de que esse trecho teve partes um pouco mais monótonas. Barry é um tanque, já começando não só com uma pistola, mas também uma metralhadora e sua tradicional Magnum. Some isso a inimigos geralmente lerdos que podem ser derrotados sem grandes problemas (muitos deles na faca mesmo) e você tem uma desigualdade muito grande no papel empregado por cada um dos personagens controláveis.

Isso será menos sentido se você estiver jogando sozinho, mas no cooperativo (que pode ser acessado localmente, porém a tela não é só dividida ao meio, um grande pedaço dela não é usado para que a proporção do espaço de jogo seja mantido) é mais sentido. Mesmo sem armas, o jogador que estiver com Moira tem uma participação ativa e influencia no quão bom será o seu desempenho nos combates. Tendo de caçar por tijolos, as chances são de que quando Natalia pegar um deles Barry já terá lidado com todos os inimigos presentes. Dessa forma, quem estiver controlando Natalia acaba ficando um pouco para escanteio, servindo mais para procurar itens escondidos pelo cenário.

Como mencionei acima, Revelations 2 é puramente um jogo de ação. Seus controles “leves” e ágeis são diferentes daqueles presentes em Resident Evil 4 e 5, talvez mais próximos ao que foi apresentado em Resident Evil 6, condizentes com a natureza mais veloz de parte dos oponentes que encontramos. Só quando lidando com aqueles que mais se assemelham a zumbis que parece termos uma vantagem um tanto absurda em relação a eles.

Resident Evil Revelations 2

Resident Evil Revelations 2

Não existem enigmas a serem solucionados nem nada do tipo. No máximo, salas fora do seu caminho guardam tesouros adicionais, normalmente partes com modificadores usados para aprimorar nossas armas, aumentando seu dano, diminuindo o tempo necessário para recarregar etc. É bem provável que os efeitos desses apetrechos sejam mais sentidos em episódios subsequentes. No momento, nenhum deles modificou de forma palpável os equipamentos. Essa mecânica aparece também de forma mais contundente na modalidade Raid, sobre a qual falarei mais em breve.

Nessa mesma veia, é possível adquirir habilidades adicionais com o uso de BP, pontos conferidos por joias encontradas pelas fases e pelo ranking que você obtém ao final de um estágio. Novamente, talvez nos capítulos mais avançados elas se provem vitais, mas a primeira impressão é de que nenhuma dessas habilidades mudará o modo como você encara o jogo. Uma delas, por exemplo, oferece uma leve imortalidade quando agachamos. Talvez haja um inimigo terrível nos aguardando futuramente que faça com que seja essencial se agachar na hora certa para evitar um ataque. Até agora, no entanto, eu não encontrei nenhuma situação em que não faça mais sentido sair correndo de perto de uma ameaça imediata.

Apesar disso, não acredito que a ausência de uma forte progressão dos personagens seja algo que impacte negativamente o jogo. As maiores diferenças acabam sendo sentidas quando adquirimos alguma arma nova ou itens secundários (como garrafas e álcool que podem ser transformados em dispositivos explosivos), da mesma forma que o era nos primeiros títulos da série Resident Evil.

Além da campanha, há também o retorno da modalidade Raid, que pode ser encarada como pequenos estágios arcade dentro de Resident Evil. Eu já havia gostado desse modo anteriormente e acho que ele está particularmente divertido aqui. Nele, você deve passar por diversos estágios com localidades diversas (a maioria delas diferentes daquelas presentes na campanha do episódio 1), enfrentando oponentes que ficam progressivamente mais desafiadores. No processo, você adquire dinheiro, utilizado na compra de novas armas, melhoria delas e identificação de equipamentos encontrados nos estágios, além de subir de nível e destravar novas habilidades que também podem ser aprimoradas. É curiosa a quantidade de oponentes que podem ser encontrados nessa modalidade que não estão presentes no episódio. Em fases mais avançadas vemos Hunters, cachorros mutantes, inimigos explosivos, uma massa disforme que dispara melecas que cobrem nossa visão e outros mais. Acredito que eles aparecerão nos próximos capítulos, mas é engraçado já ser possível ter uma ideia do que iremos enfrentar futuramente.

Resident Evil Revelations 2Resident Evil Revelations 2Resident Evil Revelations 2Terça-feira (10) - Resident Evil Revelations 2 Episódio 3 - PC, PS3, PS4, Xbox 360 e Xbox OneResident Evil Revelations 2Resident Evil Revelations 2Resident Evil Revelations 2Resident Evil Revelations 2Resident Evil Revelations 2Resident Evil Revelations 2Resident Evil Revelations 2Resident Evil Revelations 2resident-evil-revelations-2-4Resident Evil Revelations 2Resident Evil Revelations 2Resident Evil Revelations 2Resident Evil Revelations 2

O Raid só possui um porém. Diversas vezes ele travou na tela de loading, sendo preciso encerrar o jogo e reiniciá-lo para que tudo voltasse a funcionar, apenas para vê-lo travar novamente. Uma breve busca me mostrou que eu não sou o único encontrando esse problema. Ao que tudo indica, ele é proveniente da conexão com servidores/leaderboards, pois ao deixar meu console offline a modalidade não travou mais. Apesar dos tropeços, eu consigo me ver retornando ao Raid de tempos em tempos, ouvindo podcasts enquanto me distraio e aprimoro meus personagens.

Eu gostei do que há nesse primeiro episódio, sentindo que o manuseio das armas e o combate estão bem satisfatórios, grande motivo pelo qual o modo Raid é tão divertido. Com certeza, com uma qualidade anos luz em superioridade em relação ao desastre que foi esse aspecto em Resident Evil 6, que também tentou trazer confrontos mais ágeis e próximos aos padrões de outros jogos de tiro em terceira pessoa.

A única coisa que não faz muito sentido para mim é a estrutura episódica de Resident Evil Revelations 2. É provável que isso seja devido ao fato de achar a história de Resident Evil um grande tédio e não me importar com seus personagens, mas o gancho que ocorre ao final, com o intuito de nos fazer querer correr para o segundo episódio, teve efeito nulo. O que me engajou nele foram suas mecânicas e inimigos interessantes. Mas nada até agora ocorreu de intrigante em sua trama.

É claro, esse é apenas o capítulo inicial, então é bem possível que essa estrutura mostre sua força mais para frente. De qualquer maneira, eu gostei do que vi de Revelations 2.

  • Eu ia comprar na PSN, mas esperei pra ver como seria o tal artbook exclusivo da versão física BR, achando que ia ser igual a do KH 1.5 HD, mas é só uma revistinha =/

    http://mlb-s1-p.mlstatic.com/resident-evil-revelations-2-ps3-midia-fisica-blu-ray-pt-br-798001-MLB20251418901_022015-O.jpg

    Mas enfim, se for do mesmo nível que o primeiro Revelations, está ótimo para mim.

  • rodrigo

    Parece bom, pena não ter ainda o Xone…

    • Heitor De Paola

      A data informada pela Capcom para as versões de Xbox 360 e Xbox One era de 25 de fevereiro par ao primeiro episódio, então deveria estar disponível já.

      • rodrigo

        fui na live, não achei para 360.. deve ter atrasado….

  • dereck ryan

    Acabou esquema das notas?

    • Kiro Kadura

      Tem um pequena nota no início da análise em que o Heitor explica que ja que só se trata do primeiro capitulo, preferiu-se não atribuir nenhuma nota por enquanto. Provavelmente quando sair todos os seis capítulos o jogo receberá a nota.

      • dereck ryan

        Vlws, eu só passei o olho, não li ainda, só quando chegar em casa.

  • Luiz Augusto Pereira Rodrigues

    Quería saber escrever igual que o Heitor, muitos anos de pratica né?

    • Luiz Augusto Pereira Rodrigues

      Se eu pudesse classificar as análises dos três:
      O Teixeira é o que
      faz as análises mais engraçadas e com muitas referencias que as vezes
      são tao especificas que é até difícil de entender. (Minhas preferidas)
      As do Heitor são bem mais informativas e objetivas, só que ele faz com uma perfeição que no deixa nada monótono.
      O Rique parece que faz análises como as do Heitor só que com um toque mais poético, como na do Life is strange.

      • Obrigado pelo elogio e eu concordo com a sua análise sobre nossas analises. Eu queria ser mais objetivo como o Heitor ou Rique, mas me perco rapidão nas minhas próprias referências. =/

  • Heliezer Soares

    Eu também gostei do jogo e anseio pelo segundo episódio amanhã. E achei bom o fato dele ser cross buy na pré-venda, visto que por isso compartilhei ele como minha sobrinha que possui um PS3. Sem falar o preço acessível na Store brasileira, de pouco mais de R$50…

  • Heliezer Soares

    Eu comprei na pré venda, formato digital, e recebi na Terça os 2 capítulos extras.