Pessoalmente, ainda acho estranho ficar animado por um novo Mortal Kombat – não consegui superar Mortal Kombat Mythologies: Sub-Zero -, mas não consigo negar que quando o anúncio de Mortal Kombat X foi feito eu sorri. E ele não decepcionou, do hall de personagens até a história (completamente estapafúrdia), o novo jogo da série chega para te fazer rir com seus amigos e gritar de ódio ao encontrar os “pros” no online. Mortal Kombat X foi lançado para PC, PS3, PS4, Xbox 360 e Xbox One, e a versão que joguei foi a de PS4.

No jogo anterior (apenas Mortal Kombat, mas comumente chamado de Mortal Kombat 9), a NetherRealm Studios percebeu o quanto a história do universo do jogo estava confusa e decidiu recomeçar do zero. E foi ótimo. Deixou a narrativa menos confusa, objetiva e fácil de entender: Shao Khan queria dominar o Earthrealm, Raiden recebe uma ajuda dos Elder Gods e mata o déspota de Outworld. No meio disso tudo Liu Kang e Kung Lao morrem, deixando o posto de heróis do jogo para Sonya Blade e Johnny Cage.

Mortal Kombat X chega para atualizar a história logo após os eventos do anterior, mas ainda dá pulos históricos enormes: mostra o começo do relacionamento entre Sonya e Johnny (do qual nasce Cassie Cage, também no jogo); Scorpion voltando à sua forma humana e treinando Takeda, filho de Kenshi; Sub-Zero também voltando a ser do bem e retomando o controle dos Lin Kuei; Kung Jin, primo mais novo de Kung Lao, entrando para o hall de heróis e o jogo ainda arranjou tempo para mostrar o novo governante de Outworld Kotal Kahn.

É legal ver o jogo se esforçando para dar motivo para cada personagem estar onde está e até explicando algumas origens, mas a grande verdade é que a tarefa de explicar a história dos 24 personagens jogáveis (sem contar o primeiro DLC do Goro) rapidamente se torna confusa, ainda mais quando o roteiro pula entre passado e presente com frequência – precisei de algumas lutas para entender exatamente que o humano usando golpes do Scorpion era, de fato, Scorpion.

Hanzo Hasashi

Essa é a cara do Scorpion humano… Agora porque ele prefere ficar assim eu não entendo

De qualquer maneira, fica a impressão de que com a história e o seu final, a NetherRealm está tentando emplacar uma nova leva de heróis e vilões, além de trocas de lados que parecem um tanto quanto forçadas. Pode ser interessante, pois assim o estúdio pode se ver livre de “âncoras” como Kung Lao ou Liu Kang e se sentir livre para criar outros personagens. Mas ao mesmo tempo é perigoso, já que muitos gostam dos personagens, cresceram jogando com eles, então coloca-los de escanteio pode tirar um chamariz para os fãs da série.

No final tenho a impressão de que o modo história de Mortal Kombat X é bem inferior ao do anterior, com passagens mais confusas e um roteiro que tenta ser muito abrangente acabando por perder o foco. De qualquer maneira, ainda é uma qualidade que não são muitos jogos de luta que a possuem.

O Combate

Mortal Kombat X aprendeu e utilizou muito de seu antecessor: os combos continuam fluídos e fáceis de aprender, não levando muito tempo para você conseguir dar bastante dano com um personagem. Os golpes X-rays (que gastam as três barras de especial que vão enchendo durante a luta, igual ao jogo passado) continuam tão gráficos quanto qualquer outro Fatality, fazendo qualquer pessoa se questionar como é possível que estes golpes causem menos dano do que os próprios golpes finais (mas aí, videogames, certo?).

Existem algumas novidades interessantes, como a interação com o cenário, variando entre utilizar itens para atacar o adversário, ou plataformas para se distanciar do mesmo. São elementos interessantes e que podem mudar o rumo do combate rapidamente, mas para os mais “puristas” é possível desliga-los antes do início de cada partida – no online ambos os jogadores precisam fazer isso, se apenas um quiser e o outro não, as interações continuam funcionando.

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Cada personagem agora possui três variações de combate, sendo que cada possui golpes especiais específicos, porém todas compartilham das mesmas mecânicas básicas de cada combatente. Por exemplo: D’Vorah possui um modo “venenoso”, que aplica um pouco mais de dano em determinados ataques e puni mais oponentes que ficam na defensiva; um modo de “ataques de insetos”, que a confere mais ataques a distância; e um modo que a confere golpes capazes de deixar o oponente tonto.

O modo como os Brutalities foram implementados também é legal: eles não funcionam mais como os Fatalities, que, ao final da luta, você faz uma série de movimentos e o golpe sai. Agora os Brutalities são mais “fluídos” (e um tanto quanto difíceis de conseguir), dependendo de certos requisitos durante a partida. Por exemplo: o Brutality Between the Eyes, da Cassie Cage, só funciona quando ela possui mais de 50% da sua vida e você mata o oponente com um tiro. Se isso acontecer, o Brutality é automaticamente ativado e o tiro final faz com que o oponente receba um buraco no meio da cabeça. Ou com a D’Vorah, que, para executar o Fly Swatter, o jogador precisa matar o oponente com um combo de 4 hits, sendo que o último golpe do combo seja um “agarrão aéreo”.

Mortal Kombat XMortal Kombat XMortal Kombat XMortal Kombat XMortal Kombat XMortal Kombat XMortal Kombat X

Dá para afirmar que as condições para os Brutalities não são exatamente fáceis ou usuais. Porém, quando atingidas, é extremamente gratificante e sempre uma surpresa, ainda mais da primeira vez, já que você só espera que o Goro dê um agarrão, mas ele faz isso e acaba arrancando as pernas do adversário sem nenhum aviso.

Além dos Fatalities e Brutalities, outro golpe finalizador é o Faction Kill (diretamente ligado ao modo Facção que eu explico abaixo): os Faction Kills são basicamente Fatalities ligados a cada uma das cinco facções que o jogador escolhe assim que liga Mortal Kombat X. São mais fáceis de serem realizados (normalmente segurando o botão de defesa e realizando uma sequência de duas direções), mas também são “menos criativos”.

Facções

Outra novidade são as Facções: quando você começa a jogar Mortal Kombat X o título pede que você escolha uma entre cinco facções (Lin Kuei, Brotherhood of Shadow, White Lotus, Special Forces e Black Dragon). Cada coisa que você fizer no título, seja jogar o modo história, seja combater no online, nas torres de desafios ou até mesmo em modos offline, pontos são acumulados para a sua facção. E basicamente todos os jogadores de Mortal Kombat X estão fazendo isso simultaneamente, ajudando suas facções de maneira compartilhada. De tempos em tempos são decretadas as facções com mais pontos e distribuídos alguns prêmios entre os seus participantes.

Além disso, existem modos próprios para as guerras de facção: Invasion Tower (nos moldes de qualquer outra torre, mas que são específicos para dar mais pontos à sua facção), War Tower e Invasion Boss (modo no qual o jogador luta contra um personagem da facção opositora, só que este adversário conta com MUITA vida e armadura, ou seja, você não dará muito dano, mas o que fizer será repassado online para seus companheiros de facção que devem continuar a batalha onde você parou).

Mortal Kombat X

Página que mostra a posição de cada uma das cinco facções

Mas a realidade é que estes modos simplesmente não funcionaram para mim. Em nenhum momento desde que liguei Mortal Kombat X consegui acessá-los. O que descobri foi através de vídeos na internet. Aparentemente os servidores do jogo têm sofrido com a quantidade de pessoas jogando.

Cripta

Tal qual seu antecessor, Mortal Kombat X chega com uma maneira elaborada de liberar mais conteúdo para seus jogadores: a Cripta (Krypt). Tudo o que você faz no jogo lhe confere moedas (Koins) e com elas você consegue desbloquear itens variados na Cripta, que vão de artes conceituais até novas roupas para seus personagens.

Mas desta vez a NetherRealm voou alto no modo. O que o jogador notará primeiro é que a quantidade de itens liberados na Cripta é gigantesca. Além das várias áreas nas quais a Cripta é dividida, agora o jogador também precisa encontrar itens para abrir caminhos bloqueados. Por exemplo: para passar por um fosso cheio de estacas o jogador precisa encontrar o amuleto de Ermac, assim ele flutuará por cima da armadilha. Isso adiciona uma camada de diversão (ou chatice, dependendo do seu apreço pela busca de tesouros) extra ao modo.

A realidade é que, para mim, esse jeito de explorar a Cripta se tornou enfadonho, já que não me interesso pelo acesso a artes conceituais ou músicas de estágios específicos: eu quero apenas todas as roupas da D’Vorah (spoiler: não estão todas na Cripta). De qualquer maneira, o que não falta na internet são guias com a localização de todos os colecionáveis desbloqueáveis na Cripta.

Finish Him!

Quando eu era um pré-adolescente, lá pelos 11 anos, eu e um amigo adotamos uma tradição: toda quarta-feira, após o colégio, passávamos em uma locadora de vídeos, pegávamos Faces da Morte – uma série de “shockomentary” que mostrava, basicamente, mortes dos mais diferentes modos, que tempos depois fui descobrir que a maioria era encenada – e comprávamos uma pizza para comer enquanto assistíamos desmembramentos e ríamos (sim, adolescência é uma época estranha). Anos se passaram e a minha naturalidade com cenas brutas diminuíram significantemente, chegando ao ponto de não conseguir assistir aos filmes da série Jogos Mortais (ser adulto é algo ainda mais estranho). Mas existe algo em Mortal Kombat que deixa a sua violência chocante simplesmente cômica, lembra algo como quando repetimos tanto uma palavra e ela simplesmente perde o sentido, pode tentar aí, comece a falar repetidamente “lamba (do verbo lamber)” e rapidamente o som que você está emitindo perde qualquer conexão com o significado. Você não está quebrando a coluna vertebral de um inimigo, você está apenas fazendo movimentos engraçados e brincando com um bonequinho.

Mortal Kombat X viaja nessa linha tênue entre o violento e cômico, absurdo e real.  O título é capaz de olhar para o gênero de luta e adequar suas mecânicas aos que encaram Mortal Kombat X como uma competição de fato, ao mesmo tempo que consegue facilitar tudo e transformá-lo em um jogo divertido para quem quer ver apenas umas cenas grotescas e rir com os amigos.

É realmente uma surpresa ver que um jogo de luta, ainda mais da série Mortal Kombat, é o título que consegue unir o sério e o divertido, aparecer em campeonatos consagrados com a mesma força com que é conjurado em salas de estar regadas a cerveja. Mortal Kombat X é extremamente videogame.

Análise – Mortal Kombat X
Mortal Kombat X (PC, PS3, PS4, Xbox 360 e Xbox One) consegue navegar de maneira interessante entre diversão descompromissada e competição acirrada. A violência demonstrada no título é tão explícita que foge completamente da realidade e se torna cômica. É um ótimo jogo para jogar em festas ou dedicar dezenas de horas para aprender a fazer todos os "jugglings" possíveis.
4
  • reifison

    Já foi lançado para PS3? Não seria só depois?? Se foi to dando mole, preciso comprar logo

  • Robson Bitencourte

    Numa escala d 1 a 10, eu dou nota 8,5. Tiro 1 pelo negocio d microtransações e outras “facilidades” no jogo, e 0,5 pela dublagem; curti, mas podia ser melhor.

  • Ânderson Cardoso

    Só pra complementar, sobre a questão da história ela é um tanto ou quanto ‘vazia’ e tem alguns furos porque foi lançado uma HQ que explica tudo o que ficou de fora durante o gameplay, segue link a quem interessar. http://migre.me/pyFCC

    Fiquei boiando em algumas partes no jogo mas estes HQs explicam certinho!

    Bom Review!

    abçs Overloards!!

  • Você ainda pode dar final com cada um dos personagens naquele modo torre? Eu achava isso bem legal no MK9 e me faz querer jogar mais com personagens diferentes.

    • Heitor De Paola

      Pode sim, aparece um final rápido em telas estáticas. O nome do Shujinko é até proferido em um deles!

  • Podem falar mau mas é meu comentário, os personagens ficaram menores na tela, em algumas partes parecem que tem um sombreado diferente (Mais opaco), parece menos “insano” nos cenários, algo que gostei muito no MK9.
    –Concordo com o post, pessoas que jogam com o Liu Kang e Kung Lao sentem-se não representados assim como eu que jogo dês do Ultimate do Snes com “Jade”, eu já tinha ideia de que este MKX não serviria pra mim não só por conta da morte dela no MK9 mas sim por que também jogo com Kung Lao (BUDEGA) kkkkkkkkkk….
    –Achei um MK inferior ao antecessor, não só por conta da falta de meus personagens mas também por ignorar a sensualidade de “Milena”, tenho quase certeza de que ocorre com outras personagens também (Se tiver a DLC das roupas do MK9 retiro este ultimo add).

  • OfudouMyou

    comecem a ver a possibilidade de um revisor para o site. tem umas escapadelas passando de vez em quando… o conteúdo, como sempre, continua ótimo.

    esperar baixar o preço pra pegar, na frente tem project cars ;D