Se Galak-Z: The Dimensional fosse apenas suas mecânicas ele já seria bom o suficiente. No controle de uma nave em um plano 2D, tal qual era em Asteroids, devemos conduzir A-Tak em diferentes missões, brincando com propulsores e inércia para criar a melhor situação possível de despacharmos inimigos. Um pouco desconfortável no início, a Galak-Z – o nome de nossa embarcação – rapidamente se torna um membro adicional de nosso corpo, sendo mais instintivo do que lógico os movimentos que devemos executar para escapar com habilidade dos projéteis que vêm em nossa direção, velozmente nos colocando na posição perfeita para um contra-ataque. Para complementar algo que por si só já compõe um ótimo jogo, o título da 17-Bit tem uma estética inspirada em animes dos anos 1980, como G-Force, e Space Operas, conferindo ao trabalho detalhes que o fazem parecer um antigo programa de televisão. Com exceção de alguns problemas técnicos e uma experiência que variará de acordo com a dificuldade sentida por cada um, Galak-Z: The Dimensional é claramente o resultado de esforço cuidadoso que se importou com pequenos detalhes.

A frota quase que por inteira foi destruída e parece não haver mais esperança contra o império. No entanto, um hábil piloto a bordo da nave protótipo Galak-Z sobreviveu e cabe agora a ele avisar a Terra do perigo iminente. Passando por quatro temporadas, cada uma composta de cinco fases (sendo que uma quinta temporada será adicionada futuramente), nosso objetivo é assegurar os meios de chegarmos ao nosso planeta, no caminho enfrentando não só o temido império como também piratas espaciais e insetos que habitam um cordão de asteróides.

Galak-Z: The Dimensional

Galak-Z: The Dimensional

O veículo que conduzimos é bastante capaz por si só, podendo assumir a forma de um mecha a hora que quisermos. Em seu aspecto normal, a nave é capaz de desviar de ataques inimigos com facilidade, atacar de longa distância e soltar mísseis. Ao assumir a forma humanoide nos tornamos mais ágeis e, consequentemente, agressivos, sendo possível também agarrarmos objetos, como explosivos e cilindros de gás. Entretanto, os ataques do mecha são corpo a corpo, o que aumenta o risco dos confrontos. Diferentes tipos de inimigos pedirão por estratégias específicas, sendo às vezes vantajoso manter a distância e às vezes mais proveitoso ter um pouco mais de agilidade. Analisar as características daqueles que enfrentamos e aprender qual a melhor forma usar é necessários para se ter sucesso nas fases mais adiantadas.

Infelizmente podendo eliminar estratégias está a performance do jogo. O título sofre de problemas técnicos quando há vários elementos na tela, engasgando com uma boa constância. Esses tropeços não duram mais do que um segundo, mas quando estamos enfrentando quatro naves inimigas simultaneamente, prestando atenção em todos os tiros vindo em nossa direção para apertarmos o botão de desvio na hora certa, essa fração de tempo sem controle pode se o suficiente para sermos desnecessariamente acertados. As situações em que há coisas o suficiente em um só lugar para que isso ocorra não são frequentes, mas é bem ruim quando acontece.

Além das capacidades ofensivas da espaçonave, os elementos dos cenários e as diferentes facções que rondam essa parte do universo podem ser usados a nosso favor. Uma espécie de aranha que mora em corpos rochosos, por exemplo, tentará nos agarrar quando passarmos perto de seu lar. Você pode derrotá-la ali para garantir que ela não seja uma ameaça no futuro, mas, se preferir, pode atrair um inimigo para perto dela, saindo dali o mais rápido o possível e vendo-o ser destroçado. Ou, se uma luta estiver especialmente complicada, também é possível conduzirmos grupos diferentes – o império e piratas do espaço, digamos – para o mesmo local e esperar que eles se destruam. Ao final, quem sobrar será uma presa mais fácil. Essas possibilidades existem em todos os ambientes da aventura e saber aproveitá-las cabe unicamente ao jogador. Quando uma dessas tentativas sai exatamente como planejado é delicioso, mas é sempre possível tiro sair pela culatra e nos vermos com uma situação pior do que a inicial.

Galak-Z: The Dimensional

Galak-Z: The Dimensional

Não é só com inimigos que você irá esbarrar ao explorar com mais cuidado os ambientes. Espalhadas pelo universo estão caixas com conteúdos que melhorarão nossos equipamentos, indo desde propulsores mais potentes até alterações das características de nossos tiros, ditando se eles rebaterão em superfícies, atravessarão oponentes ou terão propriedades elementais – como um plasma que coloca fogo em quem é atingido e gelo, que tem chances de estilhaçar quem estiver congelado.

Os itens encontrados são aleatórios, fazendo com que cada sessão de Galak-Z ofereça um arsenal diferente. É aqui que entram aspectos do gênero roguelike no título, pois você nunca sabe o que lhe espera. Apesar disso, eu não senti que as melhorias provocam mudanças drásticas ao ponto de alterarem completamente a estratégia utilizada; as habilidades mais importantes são aquelas já inerentes à nave. Mesmo coletando tudo que encontrava parecia que as capacidades de meu personagem eram as mesmas do começo ao fim.

A variedade dos cenários, por sua vez, também não incentiva muito ir atrás de descobertas. A maior parte da ação ocorre dentro de asteroides e naves abandonadas, e em todas as temporadas o visual desses dois ambientes é basicamente o mesmo. As fases de Galak-Z: The Dimensional não são particularmente longas, durando em média de 10 a 20 minutos, mas mesmo assim ao final eu já estava um pouco entediado de estar sempre olhando cenários iguais. A repetição também aparece no próprio layout desses locais; eles são criados proceduralmente (significando que uma fase nunca será como a outra), no entanto é comum encontrar estruturas idênticas às vistas anteriormente.

Há um grande porém que devo explicar quando menciono o tempo de cada estágio. Enquanto eles são curtos por si só, o jogo tem a ideia de que o jogador faça tentativas sucessivas através das temporadas. Isso porque quando morremos e não temos Crash Coins a temporada é recomeçada do zero, sem nenhum dos itens que tínhamos e absolutamente nada de dinheiro. Assim, mesmo que uma fase acabe mais rapidamente que um episódio de Friends, existe a possibilidade de que você as tenha que fazer mais de uma vez.

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O que ocorre é que essa não foi a minha experiência. Na verdade eu não tive nenhuma morte durante todo o jogo, o que fez com que nunca me deparasse com esses elementos de repetição. Não digo isso para me gabar, mas para avisar de que isso pode acontecer com você também, de atravessar toda a aventura sem nem saber sobre certos aspectos da mecânica. Tem algo de esquisito em um título que em sua estrutura leva em conta as mortes do jogador, mas que permite que ele chegue de primeira ao final sem nunca ver isso; tal coisa seria impensável em Rogue Legacy ou mesmo em Dark Souls, por exemplo, e a ocorrência disso empobreceria a experiência. Entender como a morte rege suas ações é parte integral desses jogos. Galak-Z parecer ter intenções de provocar esse mesmo sentimento e, mesmo reconhecendo que a ausência dele não aparecerá para todos, é uma falha existir a chance de que isso passe batido completamente para alguns jogadores. Isso não fez com que meu tempo com o título da 17-bit fosse chato, mas admito ficar um pouco decepcionado em vê-lo se encerrar tão cedo e por não enxergar parte da suposta profundidade que ele possui.

Apesar disso, Galak-Z: The Dimensional acerta onde mais importa: seus controles. As mecânicas de roguelike têm problemas em sua implementação e a performance poderia ser melhor. Mas, na maior parte do tempo, vagar pelo universo e guerrear contra naves inimigas é prazeroso, e sua apresentação com estética de programas antigos (o menu de pausa simula uma fita VHS congelada) é bem agradável. Ainda me parece que com poucos ajustes o jogo poderia ter sido muito mais, entretanto isso não significa que o que está sendo oferecido pela 17-bit é ruim. É bastante bom, na verdade.

Galak-Z: The Dimensional
Desenvolvido pela 17-Bit
Distribuído pela 17-Bit
Disponível para PlayStation 4 (será lançado futuramente para PC)

Análise - Galak-Z: The Dimensional
Nem todas as caraterísticas de Galak-Z: The Dimensional são bem utilizadas, mas o seu principal - controles precisos e ótimos combates - faz com que ele valha a pena.
4
  • Estou jogando Galak-Z desde o lançamento e concordo com praticamente tudo o que você falou. Eu gostei muito do jogo, mas esses probleminhas como a falta de variedade de cenários e estágios que parecem a mesma coisa são meio chatos mesmo. O combate é muito recompensador e divertido, gosto também da fluidez dos dois modos da nave.

    Ao contrário de você, eu morri muito (e muito) em Galak-Z. Eu percebi que o problema era eu achando que o jogo é de ação, quando na verdade não é bem isso. Passei a sobreviver mais depois de entender que eu não precisava derrotar tudo que aparecia pelo caminho. Concordo que os aspectos de roguelike podiam ser melhor trabalhados — os diagramas de equipamentos não dão tanta sensação de progressão como em outros jogos do gênero, diria até que são quase dispensáveis.

    Ah, chegou a testar o jogo depois da atualização? O update melhorou significativamente a parte técnica e os engasgos nas partes repletas de inimigos diminuíram muito (antes da atualização, em algumas situações, a tela praticamente travava com tanta coisa, haha).