oferecido2Desde Final Fantasy VII todos os jogos da série se tornaram eventos grandiosos, com seus summons gigantescos, CGs incríveis e tecnologia de ponta. Mas nada disso segurou FFXIII, cujos problemas estavam mais ligados ao seu design, seu universo e seus personagens mal desenvolvidos.

Pela recente apresentação na conferência da Microsoft, na E3, a Square Enix parece ainda não ter entendido isso. Quem achou que seria uma boa ideia mostrar algo tão confuso faltando menos de três meses para o lançamento do jogo? A demo jogável disponível na E3 consistia na mesma batalha contra o Titan apresentada na conferência, uma em que grande parte do tempo não era possível saber o que estava acontecendo. A câmera samba e a batalha, na verdade, se resolve em quick time events — mesmo quando você erra, alguém do seu time automaticamente te salva.

A impressão que fica é que parece que lutamos pouco e apenas esperamos os momentos certos da animação para atacar. É espetáculo demais para pouca consistência no gameplay. E isso parece ser o que a equipe de FFXV acha que o público ocidental quer. No fim, a batalha é longa, fácil, repetitiva e não consegue transmitir a sensação de grandiosidade que se propõe para o jogador.

Sejamos francos: todos os jogos da série possuem momentos meio truncados, seja nas partidas de Blitzball de FFX ou nos minigames de FFVII. E batalhas contra oponentes gigantes sempre são um desafio em ambientes 3D. E eu tenho certeza, por tudo que já vi e joguei de Final Fantasy XV, que há algo realmente bom ali. Mas porque estamos tão reticentes agora na cara do gol?

Desde que assumiu a direção de FFXV, Hajime Tabata procurou se comunicar com o fãs e pedir todos os tipos de feedback em relação a controles, personagens e tudo mais. Sinal dos tempos ou demonstração de insegurança?

Tive a oportunidade de participar de uma mesa redonda com Tabata e Takeshi Nozue, diretor de Kingsglaive: Final Fantasy XV (longa metragem de computação gráfica baseada no novo jogo), onde comentaram sobre como foi lidar com as expectativas do público. Tabata me disse que descobriu nesse processo que “o mundo é muito grande”, e que os públicos ocidental e oriental esperam coisas diferentes dos jogos da série.

Sobre a recepção dos personagens, em especial do Prompto, que não foi bem recebido no ocidente por causa de seus trejeitos e visuais caracteristicamente japoneses, Tabata me respondeu que, em vez de mudar o personagem esteticamente, eles tentaram adicionar mais profundidade para que ele pudesse parecer real para os diferentes públicos.

Perguntei também sobre a diferença com relação ao elenco de Kingsglaive, nitidamente mais velho e com traços ocidentais, e se não havia chegado a hora de Final Fantasy abandonar os personagens adolescentes para trazer um elenco mais adulto. Segundo Tabata, a ideia é abranger tanto o público que cresceu acompanhando Final Fantasy quanto um mais novo, jovem. Além disso, nos focus groups e pesquisas de mercado, os personagens adolescentes se saem melhor.

Focus group foi um termo que apareceu algumas vezes na mesa redonda, o que faz a gente sempre lembrar que Final Fantasy não se trata de arte, e sim de produto. Claro que sabemos disso – ainda mais em um lançamento transmídia gigantesco como Final Fantasy XV. Mas na ânsia de agradar a todos, Tabata corre o risco de não agradar ninguém.

Final Fantasy XV chega no dia 30 de Setembro para Xbox One e PS4, com legendas em português.

Bruno Lazzarini é colaborador do Overloadr, que esteve presente na E3 2016, em Los Angeles. 

Mais impressões, direto da E3:
– The Legend of Zelda: Breath of the Wild traz novo fôlego à franquia
– Batman, Serious Sam e Rez fascinam em VR

  • El Luchador

    viiiiiisssssssshhhhhhhhhhhhh

    Não me decepcione, SQUARESOFT!

    Sim, “soft”.
    Porque sim.

    • Caio_RB

      lol

  • rodrigo

    Tive a mesma impressão, achei que o grupo se dividiria é só jogaríamos com um e durante o jogo estes personagens se encontravam… Dado mostrado eu achei bagunçado

  • Ademar Abiko Jr.

    Gosto do universo e dos personagens do XIII. E arte com focus group é possível, ou nenhum blockbuster jamais poderia ser considerado arte

    Dito isto, em várias mídias, sempre que o Japão tenta agradar ao público ocidental, passa longe do que isso significa e desagrada fãs e casuais, ocidentais e orientais.

  • Não faz sentido uma jogabilidade tão dura com um personagem que pode se teleportar. Seria bem mais legal ficar escalando o monstro e tendo que acertar golpes enquanto foge dos ataques. Fiquei decepcionado. Mas pode ser só uma demo infeliz. Vou esperar reviews para ver se compro ou não…

  • Leandro Rocker

    Existem alguns videos de gameplay do FF XV que mostram partes muito mais legais que essa, e até na live que a square tava fazendo durante a E3 essa demo jogada por outra pessoa não pareceu tão bagunçada…