oferecido2Sou daqueles que está de saco cheio de Zelda desde Wind Waker, mesmo tendo Ocarina of Time como um dos meus jogos preferidos. Também não sou lá muito fã de jogos em mundo aberto, então já dá pra imaginar que eu não estava me importando muito com Breath of the Wild.

Mesmo depois do belíssimo trailer, continuei cético. E as filas de cinco ou seis horas para experimentá-lo no showfloor do Los Angeles Convention Center me pareciam apenas resultado da paixão dos fãs da Nintendo. Mas no último dia da E3 eu cedi e resolvi ir no impressionante estande da companhia para jogá-lo. E devo assumir: é o Zelda dos sonhos!

A primeira demo, com quinze minutos de duração, deixa o jogador livre para explorar o mundo à vontade, sem objetivos ou qualquer direcionamento – com exceção de eventuais dicas do pessoal do estande acerca dos controles.

O cenário se estende para o horizonte, parecendo um grande playground pronto para ser explorado. Avistei uma montanha e resolvi escalá-la, prestando atenção sempre na barra de vigor. Mas diferentemente de outros títulos que incorporam mecânicas de escaladas, subir essa montanha pareceu um grande feito, uma conquista de verdade. O risco da queda, somado à incerteza se essa montanha poderia ou deveria ser escalada, muda totalmente a forma como encaramos esses pequenos desafios.

The Leged of Zelda: Breath of the Wild

No topo encontrei um grupo de inimigos que se organizava para me atacar. Dois vieram pra cima enquanto um arqueiro atirava flechas em mim. Morri duas vezes, e eu não podia acreditar: pela primeira vez em décadas eu morria para um grupo de inimigos comuns em Zelda!

Antes da terceira tentativa procurei por mais coisas que eu pudesse usar como arma (notei que as minhas estavam se quebrando no meio do combate) e dominei a esquiva perfeita, semelhante à de Bayonetta. Preparado, consegui vencer a batalha e pegar novas armas e escudos como recompensa. Seus ataques possuem tempos diferentes de velocidade, então lutar contra um inimigo rápido utilizando um machado pode ser uma péssima ideia.

A maior novidade, no entanto, está na falta de marcações de objetivos no mapa. Poder explorar o mundo sem um monte de setas indicando onde ir ou sem um ajudante insuportável te dizendo o que fazer de cinco em cinco minutos é libertador. E não me refiro a isto pensando apenas nas aventuras de Link — quem já jogou qualquer grande produção de mundo aberto sabe bem do que estou falando. Explorar livremente um cenário não deveria ser como seguir direções do Waze, e é exatamente aí que o jogo se destaca.

Se você costuma se perder com frequência em ambientes 3D, fique tranquilo: existem mais de 10 tipos de marcadores que podem ser usados para fazer anotações no mapa. Mas há uma diferença gigantesca entre seguir as setas do jogo ou as suas anotações. O sentimento lembra muito o de jogar o primeiro The Legend of Zelda, mas sem precisar desenhar os mapas no caderno.

Para os que estão preocupados com o tamanho do mundo, vale dizer que o fast travel está disponível desde o começo do jogo, bastando apenas visitar os pontos específicos uma vez antes de liberá-los.

Veja também:
– Ilustramos com GIFs tudo que há de mais legal em The Legend of Zelda: Breath of the Wild

No fim, encontrei um santuário, que é uma espécie de mini-dungeon, bem longe de onde eu estava. Sai correndo em direção a ela e, no meio de uma descida, resolvi surfar em cima do escudo para descer o barranco mais rápido. Mas ele acabou quebrando no meio do caminho e Link levou um tombaço. Foi mais uma prova de que em A Breath of the Wild será extremamente importante gerenciar recursos com inteligência.

Quando estava quase chegando no santuário, a demo acabou. Felizmente, ainda havia a segunda demo, com 25 minutos, que apresentou o começo do jogo com cutscenes e objetivos mais diretos.

Ela começa com uma voz feminina acordando o herói que estava em um sono por 100 anos. Um mini tutorial bem curtinho ensina algumas coisas básicas e já estamos soltos no mundo, onde encontramos um misterioso homem que deixa bem claro que nada é de graça, pedindo o tesouro do santuário próximo a ele em troca do paraglider.

The Leged of Zelda: Breath of the WildThe Leged of Zelda: Breath of the WildThe Leged of Zelda: Breath of the WildThe Leged of Zelda: Breath of the WildThe Leged of Zelda: Breath of the WildThe Leged of Zelda: Breath of the WildThe Leged of Zelda: Breath of the WildThe Leged of Zelda: Breath of the WildThe Leged of Zelda: Breath of the WildThe Leged of Zelda: Breath of the Wild

Decidi ir nadando pelo lago para chegar ao local. No caminho, minha barra de vigor começou a esvaziar e bateu aquele desespero. Cheguei à borda ileso e já no santuário coletei um poderoso ímã que me ajudou a resolver alguns puzzles até chegar ao tesouro. Esses desafios foram simples, funcionando quase como um tutorial de como utilizar o item, mas sem aquelas enfadonhas explicações habituais.

Pude testar e descobrir como utilizá-lo sozinho, e se eu repito isso várias vezes é porque essa é a maior qualidade de a Breath of Wild: deixar o jogadores experimentarem, entenderem e utilizarem suas próprias estratégias.

Considerando o quão previsível Zelda se tornou, essas duas demos me deixaram na maior expectativa para o lançamento em 2017, quando estará disponível para Wii U e NX. Na única versão disponível na E3, a do Wii U, o jogo sofre com quedas de framerate, que podem ser resultados da falta de otimização (algo comum nos jogos da feira) ou das limitações técnicas do console.

Pela primeira vez em anos eu estou realmente empolgado com um novo Zelda, mas A Breath of Wild parece ser mais do isso: ele mostra que, finalmente, a Nintendo entendeu que os jogadores querem se virar sozinhos.

Bruno Lazzarini é colaborador do Overloadr, que esteve presente na E3 2016, em Los Angeles. 

  • Felipe Vaz

    Ótimo texto!

  • Carlos Eduardo Galvani Nascime

    Ótimo texto. Só um detalhe: apesar dos pesares, a Nintendo ainda não confirmou que ele será launch tittle do NX. A única data que temos dele é “2017”.

    • riquesampaio

      Obrigado pelo toque. Fiz a correção 🙂

  • Paulo Henrique

    Vim ver a nota.

  • rodrigo

    a dualidade é essa.. querer jogar este Zelda, não querer comprar consoles da Nintendo… comofas

    • Márvio

      espera sair no emulador, nos piratation da vida.

    • Caio_RB

      Não joga.

    • Adrien Pirmez

      joga com miguinho, pega emprestado! fiz o mesmo com game cube /

  • bruno miranda

    Qual é a fonte do lançamento em Março? Não consegui achar nada oficial com esta data, somente a promessa de lançamento do NX.

    • riquesampaio

      Alteramos para 2017. De fato, não há nenhuma confirmação do lançamento para março.

  • Tais

    nunca quis tanto jogar um zelda =(

  • Guilherme Gondin

    Parece que vai ser um jogo do caralho, no entanto perdeu tudo que eu gostava em Zelda…

  • Adrien Pirmez

    Novo Folego: A Lenda de Zelda e o BAFO do Seu Vagem!