The Unspoken é um projeto atual da Insomniac Games (mesma casa de Ratchet and Clank e Sunset Overdrive) exclusivo ao Oculus Rift, que faz uso do Oculus Touch, os controles de movimento do visor de realidade virtual.

O jogo nos permite explorar algo que provavelmente todos já nos imaginamos fazendo quando crianças: soltar magias. Com o pressionar de um botão é possível fazer crescer uma bola de fogo em nossa mão direita, que fica progressivamente mais forte, enquanto a esquerda projeta um escudo, capaz de refletir disparos inimigos.

A ideia é simples, porém efetiva. Ver a magia aparecer de pouco em pouco entre nossos dedos e então ser preciso que nós mesmos movamos nosso braço para arremessá-la onde quisermos é gratificante. Além disso, outros poderes disponíveis requerem movimentações específicas que conferem a eles um charme. Um deles, por exemplo, pede que acertemos um martelo em pontos específicos de uma espécie de bigorna, criando ao final uma lança que deve ser jogada. Um outro necessita que dobremos um papel (apenas passando a mão pelos pontos corretos) de forma a transformá-lo em um aviãozinho. Quando este é solto, ele se transforma em um avião de verdade (mas de tamanho reduzido), que explode ao entrar em contato com o cenário ou nosso oponente.

Esse arsenal de magias é necessário pois o foco de The Unspoken está em combates entre jogadores, sendo que usar de diferentes ataques é um modo de pegar outras pessoas de surpresa. A Insomniac já declarou em ocasiões que a versão final terá uma quantidade maior de poderes do que as presentes nessa demo que testei, e que eles almejam que todos sejam de alguma forma fracos contra alguma outra magia, criando assim um enorme “pedra, papel e tesoura”.

Isso, no entanto, não foi possível de ser verificado na demonstração presente na BGS 2016, no estande da Nvidia. O que há disponível é uma espécie de tutorial, que mostra como cada um dos feitiços disponíveis é ativado. Depois disso, somos colocados em um combate contra um NPC que não representa grande desafio. Tudo que ele faz é soltar a bola de fogo mais básica, que pode ser facilmente refletida com nosso escudo.

Se esquivar for preciso, é possível também teleportar-se para pontos pré-estabelecidos do cenário. Estes, no estágio que vi, eram pilares a alguns metro do chão em um beco sujo de uma metrópole. É através dessa movimentação também que coletamos o recurso necessário para que as magias especiais (como o avião e lança que mencionei) sejam disparadas.

Diferente de experiências como Batman: Arkham VR, The Unspoken se assemelha mais a um jogo da maneira como costumeiramente os compreendemos, com mecânicas relativamente complexas e uma camada estratégica. Entretanto, tenho que admitir que o foco em PvP esfria um pouco o ânimo que senti ao terminar a demonstração. Eu gostei bastante do que vi e duelar contra outros magos enquanto conjuro fogo em minhas mãos é divertido. Porém, a movimentação de ponto em ponto, através do teletransporte, é um tanto truncada, me fazendo indagar como será o dinamismo das partidas quando estivermos de fato combatendo outros jogadores.

The Unspoken sairá ainda este ano, apenas para o Oculus Rift.