Fazia tempo que não tínhamos um ano tão interessante para videogames como 2016. Saímos do “chove-e-não-molha” de 2015, com as novas plataformas finalmente mostrando real poderio e o monstro VR mostrando a que veio.

Sinto que a curva de aprendizado das produtoras em entender que seu público está amadurecendo e procurando algo a mais na narrativa dos videogames está cada vez mais interessante – sem abandonar a galera que quer “apenas jogar”, o que é muito importante para a indústria não se alienar. Tivemos experiências incríveis e sensíveis como Firewatch, enquanto DOOM voltava para esfregar na nossa cara que jogos são coisas ~radicais~ e que estar com um joystick na mão pode te transformar no garoto mais legal do colégio mesmo já tendo saído dele há décadas.

10 – Stellaris (Paradox Development Studio)

Realmente me agrada a capacidade da indústria de olhar para trás e profundamente em busca de inspiração para grandes ideias. Stellaris faz parte do subgênero “4X grand strategy”, no qual você precisa descobrir, expandir, explorar e exterminar – a série Civilization bebe bastante dessa fonte. É um estilo de jogo que tem um pequeno, mas fervoroso séquito.

Stellaris em si conseguiu algo sempre difícil para jogos desse estilo: fazer uma “porta de entrada” fácil, com uma mecânica inicial relativamente simples (desde que esteja bem-disposto a ler bastante), sem perder de vista a complexidade absurda para o médio e longo prazo do jogo.

Além disso, o jogo entendeu muito bem como detalhes são cruciais em um estilo que é basicamente telas infinitas de menu. Trabalhou bem a usabilidade de tudo e deixou uma música ambiente perfeita para horas e mais horas de jogo. É exatamente aquele jogo “comecei uma partida e parei 2 dias depois com a minha família tendo de arrombar a porta do meu apartamento para saber se eu estava vivo”. E os mods desenvolvidos pela comunidade são incríveis.

9 – XCOM 2 (Firaxis Games)

O que o primeiro XCOM dessa nova leva fez para a série é algo invejável: conseguiu reviver uma franquia amada sem perder a alma, mas lapidando as mecânicas para o presente. XCOM 2 não faz uma revolução como o seu antecessor, mas continua a polir tudo de maneira excelente, adicionando detalhes que dão um novo fôlego.

A história do título não é necessariamente o atrativo, mas souberam manter o clima de urgência que o primeiro havia criado e só isso já coloca uma carga no jogo que poucos conseguem.

Assista ao Shuffle do Overloadr de XCOM 2

Xcom 2

Xcom 2

8 – Deus Ex: Mankind Divided (Eidos Montréal)

Outra sequência que continua um legado bem interessante. As mudanças são pequenas em relação ao predecessor, mas o título continua impecável no seu design de fase, quantidade absurda de conteúdo e uma progressão interessante.

O ponto negativo fica na fraca história, ainda mais quando flerta com a ideia do Apartheid que dominou a África do Sul por quase 50 anos.

Leia a análise de Deus Ex: Mankind Divided

7 – Dark Souls III (From Software)

A série Souls é um caso muito específico de aprendizado tanto da franquia quanto dos fãs dos títulos. É realmente interessante ver como a From Software criou um jogo com mecânicas e clima muito únicos e nunca os abandonou — excluo daqui Bloodborne –, sempre trabalhando em experimentações e melhorias em seus predecessores.

Dark Souls III absorve o clima de Dark Souls 1, as mecânicas de Dark Souls 2 e entrega o título mais coeso da série, com desafio na dose certa, universo rico e ainda mudanças interessantes no combate aprendidas em Bloodborne.

Assista ao Shuffle do Overloadr de Dark Souls III

Dark Souls III

Dark Souls III

6 – Uncharted 4: A Thief’s End (Naughty Dog)

Acompanhar a evolução de um personagem por tantos anos e vê-lo chegar à sua decadência emocional é realmente algo especial. Ainda mais quando olhamos para o bon-vivant Nathan Drake.

Uncharted 4 conseguiu a proeza de apresentar de uma maneira madura e absolutamente delicada (sim, estou ignorando todo o genocídio causado enquanto você controla o personagem) o que significa ver seus “anos dourados” ficarem para trás. Além de apresentar Samuel Drake, um personagem novo, ambíguo e muitas vezes mal-caráter para rapidamente conseguir suscitar nos jogadores uma empatia por ele. A narrativa do título brilha como poucos.

Só as mecânicas que não apresentaram nada de mais, tampouco falharam. É engraçado indicar um Uncharted pela sua história.

Leia a análise de Uncharted 4: A Thief’s End

5 – DOOM (id Software)

Se tem uma coisa que não falta na indústria de videogames é nostalgia. Uma busca incessante e mimada, que rende equipes inteiras e criatividade em prol de releituras muitas vezes rasteiras de obras antigas — além de nos fazer lembrar o quão ruim era o nosso gosto quando éramos jovens.

DOOM não faz. Aliás, além de evitar o erro de criar um clone vazio de um passado borrado, o jogo da Bethesda entende exatamente o que o clássico dos shooters criou, pega suas forças e as entope de anabolizantes. Mais até: o jogo consegue olhar para o próprio estado atual da indústria em uma saudável busca por algo mais nos videogames, ironizar tudo isso e nos lembrar que muitas vezes “um charuto é só um charuto”.

O jogo é capaz de algo que poucos do gênero realizaram: uma mecânica precisa, recompensadora e que joga pela janela controles burocráticos. O intuito é deixar o jogador frenético ao mesmo tempo que requer coordenação e estratégia sobre como atacar cada inimigo diferente e em situações diversas.

Assista ao Shuffle de DOOM

DOOM

DOOM

4 – SUPERHOT (SUPERHOT Team)

Não é só uma mecânica diferente e incrivelmente viciante, SUPERHOT ainda consegue ter um gancho interessante para sua história. E o quão simples e rápido de aprender o jogo é, provando algo que já estamos cansados de saber: menos é mais e o “efeito Matrix” sempre será incrível.

Assista ao Shuffle de SUPERHOT

3 – Titanfall 2 (Respawn Entertainment)

Pô, eu curto muito umas ideias cabeçudas e jogos sendo utilizados para contarem histórias interativas como ninguém nunca pensou antes, mas cacetada, me amarro em uns robozôes. Ainda mais pilotar eles.

Eu realmente gosto como o pouco impacto do primeiro Titanfall não tirou a Respawn do grande caminho que a série ainda tem para trilhar, e como o 2 foi competente em tudo que se prestou a fazer. Controles suaves e precisos, abandono completo da seriedade dos shoorters militares enquanto transforma o jogador na epítome do super-soldado.

Em certo momento, no multiplayer, me vi eliminando um inimigo enquanto corria por uma parede, para logo em seguida saltar sobre um robô adversário, roubar sua célula de energia e, sem parar, pular para uma máquina aliada, colocar a célula e ainda acabar com o rival. Tudo isso em menos de 2 minutos.

Titanfall 2 é incrível e eu nem entrarei no mérito do modo história porque é um charme a parte que você precisa experimentar sozinho.

Leia a análise de Titanfall 2

Titanfall 2

Titanfall 2

2 – Firewatch (Campo Santo)

Os dois últimos anos da minha vida foram intensos em todas as frentes. Levei tombos e sustos completamente inesperados e dolorosos. Como diria o marginal alado: “Dias de luta, dias de glória”. Firewatch é um jogo sobre perdas e como continuamos a viver após elas acontecerem. Como a vida inexorável te mastiga e ainda assim você precisa levantar um novo dia, meio oco, meio anestesiado e continuar funcional.

Firewatch também é sobre relacionamentos e desejos, como a proximidade emocional ultrapassa a física e te tira o chão.

Firewatch tropeça no roteiro e, mesmo no tropeço, mostra como a vida pode ser mágica e além do que se vê. Como fins podem não ser grandiosos e nem catárticos, que muitas vezes eles apenas são.

Leia a análise de Firewatch

1 – Overwatch (Blizzard Entertainment)

Eu consigo diferir claramente a minha rotina pré da pós-Overwatch. O jogo acerta em praticamente tudo (sim, estou olhando para você, péssimo sistema de matchmaking), criando personagens carismáticos, com mecânicas divertidas e cenários interessantes – mesmo que muitos precisem de balanceamento.

Da interface aos comandos facilmente reconhecíveis, do universo interessante à engenharia de som magistral. Do balanço milimétrico entre recompensa e frustração. Overwatch é uma potência a ser temida pelos eSports “tradicionais” e estudada pela indústria como um dos casos de sucesso mais bem-pensados da história dos videogames. É o ápice da diversão eletrônica em 2016.

Leia a análise de Overwatch

Ana, nova heroína de Overwatch

Overwatch

  • Márvio

    Muito surpreso de ver Firewatch na lista do Texeira, mais ainda de vê-lo no segundo lugar.

  • Alexandre Soares

    Gostei muito que alguém se lembrou do XCOM 2, que jogo!

  • Cesaeer

    O Heitor e o Rique eu aceito que ignorem os jogos da Nintendo, mas até você Texeira?! Lamentável de uma pessoa que vivia enaltecendo no GOTR obras como Mario Galaxy e Metroid Prime

    Pokken e Star Fox Zero mandam um abraço…

    • Márvio

      ?.

      • Diego Andrade

        Nintendistas, releva!

        • Márvio

          Pô, mas o Teixeira?! Pedir jogo da nintendo no top 10 do TEIXEIRA?!

  • Bruno Leao

    Acho que o primeiro lugar deveria ser League of Legends.

    • Heliezer Soares

      LoL não saiu em 2016…