O ano de 2016 está para se encerrar e com isso é hora de decidirmos quais os jogos que mais gostamos que tenham saído nesse período.

Além de nossas listas (e a da escolha do público) que serão publicadas ainda nesta semana, chamamos também pessoas que tenham aparecido no Overloadr, seja em textos ou convidados de nossos podcasts, para compartilharem quais os títulos que mais as marcaram neste ano que está para nos deixar.


Fernando Mucioli

Fernando Sato Mucioli (também conhecido como Tengumaru em alguns círculos) é tradutor de mangás e animes, e é um dos fundadores do canal Calibre Lordal. Ele já passou por veículos como PlayTV e Kotaku Brasil, e sempre defende a genialidade de God Hand nas horas vagas.

Mucioli participou do MotherChip #28, em 2015, quando conversamos sobre Bloodborne, e mais recentemente neste ano, no Bilheteria #89, para nos falar mais sobre peculiaridades da cultura japonesa.

 

Sem mais delongas, eis os Melhores do Ano do Tengu:

Persona 5 (Atlus)

Você pode pensar que eu estou roubando por incluir esse jogo na lista de 2016. Eu, entretanto, tenho uma declaração por escrito do Overloadr dizendo que a culpa é do resto do mundo por não ter aprendido japonês (N.E. Isso é verdade). Então, eu sinto muito.

Sem entrar em detalhes, para não estragar a surpresa de quem está esperando pelo lançamento ocidental em abril, Persona 5 talvez seja o melhor Persona já lançado. Ele resolve as dungeons repetitivas e sem graça (meu maior problema com Persona 4 e Persona 3), melhora o sistema de Social Links (a base é a mesma, mas as recompensas são maiores) e, talvez acima de tudo, apresenta um foco diferente para a história.

Se você se lembra bem, as tramas dos últimos dois jogos da série se constroem em cima do quão misterioso e popular o protagonista é. Em P3, você é misterioso e descolado. Em P4, você vira a argamassa de uma família fofa, tem uma legião de amigos que morreriam por você e tem todas as namoradas que os FAQs de internet permitirem.

Em Persona 5, todo mundo te odeia. Você E os seus amigos. E isso já dita um ritmo diferente do jogo, logo de cara. Você não perde por esperar, quando abril chegar.

Persona 5

Persona 5

Overwatch (Blizzard)

Como uma boa viúva de Team Fortress 2, meu interesse por Overwatch foi instantâneo desde que o jogo foi anunciado. Apesar de ele ser razoavelmente diferente do shooter da Valve, ele acabou se tornando uma das minhas melhores experiências com videogames de 2016.

Uma das coisas que TF 2 fazia de melhor era ter personagens carismáticos e divertidos de jogar – ainda que quase sem nenhum tipo de história, pelo menos até que começaram a vir os quadrinhos, anos depois do lançamento do jogo. E isso Overwatch tem de sobra: a Blizzard normalmente acerta em cheio com o design dos seus personagens, e todos eles têm poderes e estilos de jogo bacanas.

Um bom game pra se descontrair com amigos; assim como um bom game para jogar sozinho no modo Rankeado e passar raiva porque ninguém quer ir de tanque, ninguém quer pegar healer, ninguém quer empurrar o objetivo e o Hanzo fica no fundo da sala reclamando e fazendo absolutamente nada.

Leia a análise de Overwatch do Overloadr

Dark Souls 3 (FromSoftware)

Para ser perfeitamente sincero, eu não me apaixonei por Dark Souls 3 como foi com o primeiro jogo da série ou com Bloodborne. No meu ranking que não vale de absolutamente nada, ele só fica na frente de Dark Souls 2 – mas não é nem de longe tão ofensivo quanto o passeio alegre que a From Software lançou em 2014. Talvez por ser mais linear, ou talvez porque a história pareça um pouco mais confusa e com interligações estranhas com o resto da série.

Mas DS 3 ainda foi um dos meus melhores jogos de 2016 porque, afinal de contas, é Dark Souls – e todos os elementos que fazem de um bom Dark Souls um bom Dark Souls estão aqui, principalmente a variedade de estilos de jogo e os chefes memoráveis. O último chefe do jogo é de arrepiar quem já passou férias em Lordan, e há momentos genuinamente de cair o queixo.

O primeiro DLC, Ashes of Ariandel, deu um bom gás na campanha, e a perspectiva para o próximo é boa. Só parece que, depois de quase 10 anos trabalhando na mesma série (contando Demon’s Souls, de 2009), talvez seja hora da From Software tirar umas férias e realizar o meu sonho de um Metal Wolf Chaos ou Ninja Blade novos.

Assista ao Shuffle do Overloadr de Dark Souls 3

Furi (The Game Bakers)

Furi é puro combate; pura mecânica. Lutas de chefes intercaladas por passeios em câmera lenta por paisagens psicodélicas e diálogos levemente sem sentido. Para alguém que coloca controles em primeiro lugar na avaliação de qualquer jogo, ele é perfeito.

Cada uma das batalhas é uma mistura de jogo de luta, nave e quebra-cabeça, remetendo um pouco aos bullet hells japoneses. E cada uma delas propõe um desafio diferente; te colocam para superar um outro nível da sua própria existência entre avaliação, experimentação e solução de problemas que correm, se escondem e atiram de volta. Você tem que aprender a dar aparadas no tempo certo, esquivar como em Dark Souls, ter mira boa e bons reflexos.

Furi é algo de belo.

Assista ao Shuffle do Overloadr de Furi

Furi

Furi

VA-11 HALL-A (Sukeban Games)

As Visual Novels ainda não têm o devido espaço entre o público ocidental, mesmo depois do sucesso (ainda que limitado) da série Ace Attorney, da Capcom. Esse é um gênero que sabe contar boas histórias, muito além do estigma da pornografia pelo qual ele é injustamente mais conhecido por aqui. VA-11 HALL-A, dos venezuelanos da Sukeban Games, é mais que prova disso.

Nele você trabalha em um bar futurista. O cliente entra, pede uma bebida, você a prepara e serve. Mas cada visitante é um visitante, e de repente ele pode querer um drink diferente do que está pedindo de verdade – coisa que você repara depois de dias conversando e conhecendo ele. VA-11 HALL-A é um jogo sobre conversar, entender, criar empatia. Estender a mão a um estranho mesmo que por obrigação e conveniência, mas acabar criando laços reais com as pessoas.

Também ajuda muito o fato de o jogo ter uma trilha sonora de altíssima qualidade.

Então, se você gosta de boas histórias mas acaba desanimando pela má fama das VNs, ou pela cara de anime dos personagens, dê uma chance a VA-11 HALL-A e você com certeza não vai se arrepender.

  • Caio Porto Ramos

    Faltou qualificar o Tengu como o portador dos melhores cachos do biênio 2015-2016.

  • Lucas Vinicius

    Orgulhoso do Tengu ter colocado VA-11 Hall-a na lista isso só mostra o quão bom gosto ele tem e como essa lista vale a pena.

  • Guarda Belo#AIKE2018

    Sempre queimando ds2, vc e o sushi são demais.
    Achei a lista justíssima, colocaria enter the gungeon e hyper light drifter tbm.

    • username tipo mdm da vida… estranho

      • Guarda Belo#AIKE2018

        Hmmmmmmmmmmmm…
        Acho que temos um Xeroque Romes aqui…

        • rodrigo

          Hummm comentário característico do MDM, estranho

  • Persona 5 <3

  • essa lista ficou maneira, mas VA-11 HALL-A <3

  • Felipe Valério

    Dark Souls 2 é muito melhor que o terceiro. Se comparar PVP então é o melhor da franquia.