O ano de 2016 está para se encerrar e com isso é hora de decidirmos quais os jogos que mais gostamos que tenham saído nesse período.

Além de nossas listas (e a da escolha do público) que serão publicadas ainda nesta semana, chamamos também pessoas que tenham aparecido no Overloadr, seja em textos ou convidados de nossos podcasts, para compartilharem quais os títulos que mais as marcaram neste ano que está para nos deixar.


Pedro FalcãoPedro Falcão é jornalista que já passou por veículos como Kotaku Brasil, Red Bull Games e Vice Brasil, para a qual escreve atualmente. Recentemente, ele co-escreveu e co-dirigiu o mini-documentário Paralelos, que fala sobre a história da piratarias no âmbito dos videogames no Brasil. Paralelos pode ser assistido gratuitamente. Em certa ocasião, Falcão escreveu como foi preparar drinks que usavam como ingredientes seus, digamos, fluidos corporais.

Falcão participou de três edições do MotherChip neste ano. Do MotherChip #69, em que conversamos sobre jogos autobiográficos. Do MotherChip #88, em que falamos um pouco sobre eSports. E do MotherChip #111, em que discutimos sobre o Paralelos.

Eis os jogos que o Pedro Falcão mais gostou em 2016:

Overwatch (Blizzard)

O novo jogo de tiro da Blizzard talvez seja o troféu mais reluzente na parede de conquistas da empresa. Em um só jogo, a publisher conseguiu resumir todos os seus grandes trunfos como criadora de games: aqui se encontram personagens carismáticos em um universo estimulante, um ambiente competitivo de alto nível que não aliena jogadores casuais e grandes momentos de ação balanceados com humor acidental. É um pacote difícil de ser amarrado, mas o resultado final é lindo.

Overwatch é uma cartilha de como jogos pensados para uma quantidade massiva de jogadores devem ser feitos, e acredito que o segredo da sua alquimia está em não deixar ninguém para trás. Seja no começo, quando o gorila Winston convoca o jogador a entrar na batalha com personagens fáceis de se jogar, ou depois de muito tempo de jogo, quando você é surpreendido por uma loot box com aquela skin rara que você estava namorando desde a versão beta, Overwatch tenta te manter num estado constante de participação e empolgação – pelo menos até você tentar arrancar os cabelos depois que o seu time abandonou o Payload mais um vez.

Leia a análise do Overloadr de Overwatch

Overwatch

Overwatch

Pokémon GO (Niantic)

Mesmo com uma mecânica simples e um conteúdo fraquinho, Pokémon GO teve um impacto fenomenal na rotina de milhões de pessoas que, até então, mal podiam ser consideradas consumidoras de videogame. Em questão de dias depois do seu lançamento, o jogo fez com que ociosos andassem quilômetros para chocar ovos virtuais, antissociais se juntassem com desconhecidos em parques para capturar bichinhos raros e seus familiares passassem mais tempo interagindo com um game do que você. Tudo isso porque decidiram misturar Pokémon, Google Maps e uma boa dose de mundo real.

No alto do seu hype, Pokémon GO se tornou maior do que si mesmo. Foi através desse jogo que lojas e restaurantes pensaram em novas maneiras de atrair a clientela e até levou as pessoas a descobrirem cantos esquecidos do seu bairro. Qualquer jogo que consiga pular o muro do mundinho dos games merece ser celebrado.

Furi (The Game Bakers)

A maior surpresa de 2016 foi Furi, um jogo de ação em que você tem que derrotar um tipo de inimigo especial por vez – em termos mais comuns, podemos descrevê-lo como um jogo feito só de chefões. Mas, apesar do seu conceito inovador, o mais impressionante é como Furi parece entregar o mínimo possível para que o jogador encontre dentro de si mesmo a própria experiência do jogo.

Em vez de tecer aos poucos uma jogabilidade complexa ou uma história com detalhes demais, logo no começo, o jogo entrega todos os alicerces da mecânica e da narrativa no colo do jogador. A partir daí, cada inimigo a ser derrotado se torna uma batalha interna de aprendizagem. Um novo inimigo trás novos hábitos e táticas que o jogador deve absorver até que consiga derrotá-lo. É um processo constante de tentativa, erro e superação.

Furi brilha nos momentos em que deixa de ser jogo para se tornar um tipo de espelho, quando você percebe que o único obstáculo para passar de fase é aquela raiva e a vergonha que sente dos seus próprios erros. Caiu? Então que levante e dê a volta por cima.

Assista ao Shuffle do Overloadr de Furi

Furi

Furi

The Witness (Thekla)

O jogo mais recente do desenvolvedor Jonathan Blow é uma jornada intensa na semiótica, onde se alinha uma variedade enorme de mecanismos e funções da comunicação humana em uma não-história sobre aprender uma nova língua. A experiência de The Witness se concentra na comunicação que surge entre você e o jogo, que evolui conforme se explora a ilha sem nome no qual você se encontra.

Quase imperceptivelmente, o jogo consegue esconder as suas verdadeiras intenções linguísticas em um emaranhado de perguntas sobre aquele universo que nunca são (ou devem) ser respondidas, deixando bem claro que o jogador tem que se importar mais com o caminho do que com o final da jornada.

Não haveria melhor ano para esse jogo ser lançado, pois The Witness mostra que, mesmo num universo que não faz sentido, comunicação é tudo.

Leia a análise do Overloadr de The Witness

Titanfall 2/DOOM (Respawn Entertainment/id Software)

Posso roubar nessa lista, Overlordes? É que nessa última indicação deu empate.

Depois de anos sendo saturado por franquias intermináveis e novos jogos de qualidade duvidosa, o jogo de gênero de tiro se estagnou. Mesmo com histórias bem bacanas, como as de BioShock, ou em formatos mais populares, como o último Star Wars Battlefront, os elementos que davam base para esse tipo de game sempre eram os mesmos.O ano de 2016 tinha tudo para continuar sem novidades, mas tivemos duas surpresas nesse ano, cada uma a sua maneira.

Titanfall 2 tirou leite de pedra para dar continuidade ao jogo meio morno que deu o pontapé inicial a essa franquia. Há muito tempo não se via um jogabilidade mais fluida e estimulante, com novas ideias de mecânica (vale dar uma olhada na missão “Efeito e Causa” da campanha solo) e um level design que se aprofunda em verticalidade e aprimora o equilíbrio entre o combate de titãs e a pé (que fica melhor ainda no multiplayer, que é tão customizável que você pode jogar como quiser).

DOOM conseguiu trazer um ritmo novo para uma música que todo mundo já conhecia. É um jogo que demonstra bases sólidas, mas que aperfeiçoa o que sempre teve de melhor: mecânica simples e direta com um design de fases pragmático e inteligente. Mesmo se reutilizando da fórmula sagrada da franquia, sair metralhando demônios por corredores com texturas monotemáticas nunca foi tão dinâmico, criativo e divertido.

Dessa forma, tanto Titanfall 2 quanto DOOM merecem destaque por razões completamente opostas – o primeiro por inventar, o segundo por evoluir.

Leia a análise do Overloadr de Titanfall 2

Assista ao Shuffle do Overloadr de DOOM

Titanfall 2

Titanfall 2