O ano de 2016 está para se encerrar e com isso é hora de decidirmos quais os jogos que mais gostamos que tenham saído nesse período.

Além de nossas listas (e a da escolha do público) que serão publicadas ainda nesta semana, chamamos também pessoas que tenham aparecido no Overloadr, seja em textos ou convidados de nossos podcasts, para compartilharem quais os títulos que mais as marcaram neste ano que está para nos deixar.


RyotRicardo Tokumoto (mais conhecido na internet como Ryot) é desenhista e criador das Ryotiras. Ele já escreveu e desenhou para revistas como MAD, faz parte do coletivo Pandemônio e ilustrou livros infantis. Dentre seus trabalhos publicados estão O Pequeno Song, Ryotiras Omnibus, O Sabichão e o Manual da Auto-Destruição.

Ryot participou do Bilheteria #13, em que falou sobre seu trabalho e sobre quadrinhos independentes brasileiros. Ele também contribuiu com a série 31 GAEMS, na qual falou sobre Final Fantasy VII.

 

Eis os jogos de 2016 que o Ryot mais gostou:

Mesmo não tendo jogado muitos jogos em 2016, foi uma tarefa difícil definir esse top 5. Deixei de lado os ótimos títulos que saíram outros anos, mas que só joguei agora, como The Last of Us, Tomb Raider e Uncharted (não joguei o 4 ainda). Também eliminei da lista alguns jogos que eu adorei, mas não terminei por problemas técnicos (Owlboy), por falta de tempo (Final Fantasy XV/OverCooked), porque sou ruim demais (Furi) ou por falta de grana pra comprar o jogo completo (Dragon Quest Builders). Segue então minha lista, sem ordem de preferência:

The Witness (Thekla)

Jogos são formas de arte com potencial igual ou até maiores que as artes clássicas. The Witness é sem dúvidas uma dessas evidências que podemos apresentar quando discutimos sobre o poder de reflexão filosófica que um jogo pode trazer atrelado a suas mecânicas. E mesmo não tendo capturado metade das possíveis questões levantadas, o jogo me divertiu e me prendeu como poucos. Sei que não é uma interpretação unânime mas, para mim, é um jogo que representa perfeitamente o conceito de obsessão. Você decifra os puzzles, fecha os olhos e vê os puzzles, olha para o ambiente a sua volta e enxerga os puzzles, sai pra rua e não para de pensar nos puzzles. De uma maneira que o autor, Jonathan Blow, faz você compreender de maneira muito próxima essa loucura que passa ou passou na cabeça dele. Eu como autor sei o quão difícil é transmitir certas idéias de maneira tão eficaz. Ser um louco, fazer o jogador te entender e ficar louco igual você. Merece respeito.

Leia a análise do Overlodar de The Witness

The Witness

The Witness

Inside (Playdead)

Um jogo antes de tudo impecável. Lindo do início ao fim, com uma direção e arte contida mas que representa de maneira certeira toda a atmosfera que o jogo quer te passar. Diferente do que muitos jogos se tornaram hoje em dia, você controla um personagem que não tem super pulo, não tem super força, não dispara e nem bate em ninguém. Não existem diálogos, nem milhares de sinalizações piscando na tela pra te mostrar o que fazer ou pra onde ir. No meio de um deserto de mesmices no mundo dos jogos, Inside aparece como um belo e pequeno oásis para nos refrescarmos.

Leia a análise do Overloadr de Inside

Overwatch (Blizzard)

Eu não tenho o costume de jogar online e muito menos jogos FPS. Sou bem pouco competitivo, mas Overwatch trouxe de volta um sentimento que não acontecia em mim desde Team Fortress 2. Algo que me fez entender melhor a palavra eSports. A disputa entre times, o trabalho em equipe, a variedade nas formas de jogar, tudo isso colocado de maneira bem equilibrada com um visual e carisma para desbancar qualquer concorrência, me colocou em um hype enorme a ponto de sentir saudades da adolescência quando eu ia nas lan houses com meu “clã” jogar Counter-Strike. A Blizzard se consolida como a Pixar dos games, tecnicamente impecável, agradando muita gente, trazendo preocupações maiores como a representatividade sem deixar de lado o fator diversão. Muita diversão.

Overwatch

Overwatch

Dark Souls III (FromSoftware)

Sou fanático pela série Souls, porém não há tanto tempo. O terceiro jogo da série foi o primeiro que pude realmente acompanhar no lançamento. Comprei na pré-venda e acordei de madrugada pra baixar e jogar. Dark Souls III não trouxe nada incrivelmente inovador, mas fechou a trilogia muito bem (ainda mais depois do desastre que foi o Dark Souls II). Fez referências aos jogos anteriores, continuou com a maioria das mecânicas trazendo as melhorias que a nova geração permite e não deixou de lado todas as qualidades que sempre manteve a série na boca do povo. Enfim, talvez seja mais do mesmo, mas não vejo problema nesse caso já que o “mesmo” dava brecha para um “mais” com maior potência.

Assista ao Shuffle do Overloadr de Dark Souls III

Pokémon Go (Niantic)

Ok, não é um jogo excelente. Mas Pokémon Go traz exatamente o que os jogo em geral tem muita dificuldade trazer, que é justamente ir além do próprio jogo. Foi um fenômeno muito interessante de se ver e viver. Pessoas ocupando os espaços públicos, interagindo, se unindo e se divertindo. É lindo ver de maneira tão clara esse poder que os jogos podem ter, na contra corrente de uma visão estúpida de que videogames são só para um círculo muito fechado de pessoas. Jogos são e devem ser para todos e quem pensa o contrário só tem a perder.