No início dos videogames não era assim, mas já faz um bom tempo que atuações acompanham lado a lado o desenvolvimento dos personagens que amamos em jogos. Se lembramos de Lee e Clementine em The Walking Dead, com certeza temos também em mente às vozes deles e como elas foram responsáveis por darem vida àquelas figuras pelas quais viemos a nos apaixonar. Dessa forma, celebramos aqui aqueles que consideramos serem as melhores atuações a esterem presentes em videogames em 2016, que ajudaram a ressaltar os jogos das quais fizeram parte.

Aqueles que ressaltamos como as melhores atuações de 2016 são:

Rich Sommers (Henry) – Firewatch

Rich Sommers dá voz ao protagonista de Firewatch, Henry, um homem que está negando e fugindo de uma grande responsabilidade que surgiu em sua vida, mesmo que não queira admitir completamente para si o que ele está fazendo. É verdade que o personagem é em certa medida moldado pelo jogador, dado que nós escolhemos o que ele irá dizer a cada momento de suas conversas com Delilah. No entanto, por cima disso está a entonação específica que Sommers confere a Henry, colocando sempre um ar de derrota em suas palavras, combinado com a relutância em reconhecer seus próprios desejos e como eles são conflitantes.

Firewatch

Firewatch

Cissy Jones (Delilah) – Firewatch

Do outro lado de Sommers está Cissy Jones, que dá voz a Delilah, personagem que dialoga com Henry por toda a duração de Firewatch. Nós nunca vemos Delilah e só a conhecemos através de sua voz e, para o jogo funcionar, é imperativo que simpatizemos com ela. Jones realiza isso e transparece suas ideias a Henry com uma naturalidade impressionante. Por vezes é assustador o quanto que parece que estamos dialogando com uma amiga de longa data e não com uma figura que, tecnicamente, nunca vimos pessoalmente.

Firewatch

Firewatch

Nolan North (Nathan Drake) – Uncharted 4: A Thief’s End

É impossível pensar em Nathan Drake sem Nolan North. O ator definiu o personagem e se esse Indiana Jones do século XXI é tão amado é, em grande parte, por conta do trabalho de North. É provável que antes dele nunca tenha havido nos videogames uma associação tão clara entre a figura de polígonos e o ser humano que lhe concede sua voz. Essa é a quinta vez que o ator encarna Drake, porém nesta ocasião o que lhe foi pedido é consideravelmente diferente. Em Uncharted 4: A Thief’s End temos um Nathan Drake um pouco derrotado pela vida, conflitado entre seus desejos por aventuras e a promessa de uma existência mais pacata ao lado de sua companheira. Em meio a esse turbilhão de sentimentos, North se sobressai como sendo capaz de ir além de sagacidade pela qual o personagem é conhecido, conferindo a ele uma humanidade que não havíamos visto antes.

Uncharted 4: A Thief's End

Uncharted 4: A Thief’s End

E o vencedor é:

Rich Sommers

Ironicamente, foi a derrota de Sommers que para nós o eleva à vitória. Henry é uma figura em certa medida detestável, um covarde que foge e se esconde ante às dificuldades com as quais se depara. Ainda assim, o ator transparece essa falha como um deslize que qualquer um de nós poderia possuir; é pela atuação que conseguimos sentir como Henry lida com a própria culpa, ao mesmo tempo em que a reconhece e nega suas responsabilidades. Isso, por sua vez, é um pilar essencial para o funcionamento de Firewatch, algo sem o qual o jogo não funcionaria e não teria nem uma parcela de seu charme. Por conta disso, consideramos a atuação de Rich Sommers aquela que mais chamou a atenção em 2016.

Para saber em mais detalhes como chegamos a essa decisão, ouça nosso MotherChip Especial – Prêmio Overloadr: Dia 1, no qual também discutimos sobre o melhor design de som em jogos no ano de 2016.

  • Marcelo

    “Ainda assim, o aotr transparece essa falha como um deslize que”
    Acho que tá erradin, heitorzão