Videogames sempre foram associados a escapismo, com seus mundos fantásticos e suas próprias regras. Há alguns anos estamos notando um crescimento no número de jogos que fazem o oposto: abraçam a realidade, nos colocando na pele não de personagens com super poderes, mas pessoas comuns, que vivem no mesmo mundo que o nosso, nos permitindo enxergá-lo de outras perspectivas além da nossa. E quão poderosos esses jogos têm sido.

Em 2016, estes foram os três jogos que melhor dialogaram com o mundo real e transmitiram suas mensagens:

1979 Revolution: Black Friday

O jogo-documentário baseado na revolução iraniana, responsável pela queda da monarquia no país, nos coloca no papel de um fotógrafo — uma pessoa comum, que se vê intimamente ligada aos conflitos políticos de seu país. 1979 Revolution segue os padrões Telltale de narrativa, mostrando como conflitos ideológicos afetam a vida de pessoas que lutam por uma realidade mais justa, das discussões em família durante o almoço de fim de semana à violência policial ou tortura à manifestantes capturados for forças militares.

1979 Revolution (PC, Mac, iOS) - Na pele de um fotojornalista, devemos registrar os eventos que marcaram a Revolução Iraniana, caracterizada por uma série de protestos entre 1978 e 79 no Irã, que derrubaram o xá e a monarquia

1979 Revolution: Black Friday

Veja nosso Shuffle.

 

That Dragon, Cancer

Um jogo autobiográfico sobre um pai (Ryan Green, criador do jogo) que testemunha, impotente, a perda de seu filho de apenas 4 anos ao câncer. O tema é pesado e a experiência é de partir o coração, mas seu valor humano é inestimável. O jogo traduz de diferentes formas os sentimentos vividos por Ryan durante a dura trajetória de combate à doença, com cenas interativas que vão de momentos fofos e delicados de união familiar à crises emocionais, nas quais ele recorre às suas crenças.

That Dragon, Cancer

That Dragon, Cancer

Leia: That Dragon, Cancer é sobre perder quem você ama incondicionalmente

Orwell

Todos nós deixamos rastros de nossa existência online, mas o que eles dizem sobre nós, nossos hábitos, personalidade, atitudes? Orwell nos coloca na pele de um agente do governo que, a partir de data mining, precisa traçar o perfil de diferentes ativistas políticos a fim de identificar culpados por um atentado terrorista e potencialmente evitar novas ameaças. Espionar essas pessoas comuns e tomar decisões que podem acabar com suas vidas nos leva a uma série de indagações que afetam as nossas próprias, tal como aquela que aparentamos ter nas redes sociais.

Orwell

Orwell

E o vencedor é:

That Dragon, Cancer

O que That Dragon, Cancer faz leva os jogos autobiográficos a um novo patamar. Com alegorias e uma certa poesia, ele nos permite entender as dores de alguém que lida com algo tão sério e difícil como a perda de um filho para o câncer. Ao tratar de um assunto difícil com delicadeza e maturidade, ele ajuda a quebrar o mito de que jogos são puramente divertidos, além de potencialmente ajudar pessoas que perderam entes queridos para o câncer ou outras doenças terminais.

Para saber em mais detalhes como chegamos a essa decisão, ouça o MotherChip Especial – Prêmio Overloadr 2016: Dia 2. Nele também discutimos sobre os jogos mais bonitos do ano e os que tiveram o melhor design.

  • Gostaria de jogar That Dragon, Cancer um dia desses, mas acho que a experiencia que eu vou passar jogando não vai fazer muito bem pro meu psicológico, ainda mais ‘tendo experiencia no assunto’ quando se trata de perder alguém. Mas pelo que eu ouvi comentarem sobre o jogo deve ser muito legal mesmo

  • LipeGates

    Esses jogos são de quais plataformas?

    • riquesampaio

      Todos para PC.