Todos adoram histórias e videogames são um meio curioso através do qual elas podem ser contadas. Existem jogos que não precisam delas nem um pouco, se calcando completamente em suas mecânicas (apesar de que mecânicas possuem, também, uma narrativa), mas muitos outros utilizam de tramas para ligarem os eventos de fase em fase e dar motivações aos nossos personagens. Boa parte dos videogames não fazem isso nem um pouco bem, mas, cada vez mais, temos tido exemplos de títulos que integram maravilhosamente bem seus conceitos a narrativas, nos oferecendo obras que não poderiam existir em um outro meio como literatura ou cinema.

Dessa forma, ressaltamos aqui os jogos que consideramos terem as melhores narrativas de 2016:

Uncharted 4: A Thief’s End (Naughty Dog)

Pegando a todos nós de surpresa, Uncharted 4: A Thief’s End ressalta muito mais os momentos de silêncio e calmaria em vez dos tiroteios, como ocorria com seus predecessores. Nisso ele encontra tempo para mostrar um lado de Nathan Drake que não havíamos visto anteriormente, mais humanos e complexo. Pegando ideias que foram executadas em The Last of Us, a Naughty Dog foi capaz de dar nova vida à série Uncharted, encerrando as aventuras de Drake e cia. de forma magistral.

Uncharted 4: A Thief's End

Uncharted 4: A Thief’s End

 

Firewatch (Campo Santo)

Firewatch é um jogo que se calca inteiramente em sua narrativa e, nisso, ele é ao mesmo tempo um sucesso e um fracasso. Existem coisas que nos incomodam profundamente no desenrolar de sua história, mas nos focamos aqui naquilo que dá muito certo: o relacionamento de Henry e Delilah. Nossa principal ação no título da Campo Santo é vagar pelo ambiente e conversar com Delilah, uma figura que nunca vemos pessoalmente, escolhendo o que iremos responder a ela em cada instância. Devido ao diálogo bem escrito e das ótimas atuações, os personagens acabam sendo bem construídos e a interatividade realmente importa, mudando o quanto que decidimos nos revelar para Delilhar – e, consequentemente, o quanto que aprendemos sobre a mesma.

Firewatch

Firewatch

 

Inside (Play Dead)

Inside é de longe aquele com a narrativa mais abstrata de todos os títulos desta lista. Existem temas claros que ele está abordando durante nossa jornada com nosso garotinho, mas muito dele fica em aberto. Ainda assim, ele é capaz de suscitar sentimentos vários com aquilo que explora e a indagação e questionamentos provocados por ele são sem iguais em relação a outros jogos lançados neste ano.

Inside

Inside

 

E o vencedor é:

 

Uncharted 4: A Thief’s End

A nova perspectiva que tivemos sobre Drake e os outros personagens do universo de Uncharted nos ganhou completamente. Existem momentos de A Thief’s End que ficarão conosco para sempre e, espantosamente, são justamente aqueles sem tiros, escaladas ou outras forma de ação. Jantar com Elena, dirigir pelo deserto ao lado de Sam e Sully. Essas são as cenas realmente impactantes e significativas dessa obra, habilmente construídas através de sua narrativa. O jogo não é de maneira alguma perfeito, mas, em termos de contar uma história através da mídia dos videogames, ele se mostrou capaz como nenhum outro.

Para saber em mais detalhes como chegamos a essa decisão, ouça o MotherChip Especial – Prêmio Overloadr: Dia 3.