Nós agora sabemos as principais informações sobre o Switch. Em um evento que ocorreu na madrugada desta quinta (12) para sexta (13), a Nintendo nos deu os detalhes finais sobre o aparelho, incluindo seu preço, data de lançamento e, mais importante, quais jogos podemos esperar para ele.

A começar pelo valor do híbrido entre portátil e console, o custo de US$ 299,99 pegou alguns de surpresa. Alguns especulavam um valor um pouco mais baixo, em US$ 249,99, um preço que faria muitos saltarem em direção ao Nintendo Switch sem pensar duas vezes. Dito isso, os cerca de trezentos dólares ainda soam bastante justos e não excessivos, ainda mais diante das capacidades adicionais que o aparelho possui. Ontem descobrimos que além das funcionalidades de um console normal (com a possibilidade de ser um portátil também, é claro), os Joy-Cons podem ser utilizados como controles de movimento aos moldes do que tínhamos no Wii.

É verdade que, fora do âmbito da realidade virtual, controles de movimento não estão exatamente em voga. Ao meu ver, o maior problema deles foi o de sempre determinar muito fortemente como os jogos funcionariam. No Wii, foi costumeiro encontrarmos títulos que tinham um uso forçado do movimento apenas porque a disposição do Wiimote e do Nunchuk orientavam a isso. Na melhor das hipóteses eles eram esquecíveis e não adicionavam nada significativo à experiência, como em Super Mario Galaxy, e no pior dos casos atrapalhavam, como ser preciso chacoalhar o controle para desferirmos golpes de espada em The Legend of Zelda: Twilight Princess.

Nintendo Switch

Nintendo Switch

Por conta do modo como os Joy-Cons podem ser removidos para funcionarem como controles de movimento mais tradicionais, ou encaixados ao grip ou tela para transformarem-se em joysticks normais, o Nintendo Switch acaba sendo não apenas um híbrido entre console e portátil, como também em um aparelho que transita, de maneira simples, entre experiências que víamos no Wii e outras que consideramos mais comuns aos videogames.

Isso abre as portas para o melhor de dois mundos, em que nenhum dos dois estilos é forçado, com um esquema específico de controles podendo ser ignorado sem problemas caso ele não traga nada de positivo ao jogo em questão. Junto disso, não é necessário a compra de periféricos para se ter acesso aos jogos que fazem uso dos movimentos como era o caso do PlayStation Move, eliminando o problema de uma base de usuários fraturada. E como tratam-se de dois modos distintos de se empunhar o Switch, não há a sensação de que uma função elementar do dispositivo está sendo sumariamente ignorada, como observamos ocorrer o tempo todo no Wii U e sua enorme quantidade de títulos que nunca encontraram nenhuma utilidade para a tela de toque.

Um exemplo disso está em Arms. É claro que tudo que temos até o momento é um trailer de divulgação e alguns minutos de jogabilidade feitos pela Treehouse. Entretanto, o título aparenta de fato funcionar melhor por conta dos controles de movimento, devido aos gestos necessários para que os socos sejam desferidos e as curvaturas feitas para que seus braços tomem efeito e peguem o oponente de surpresa. Resta ainda sabermos exatamente qual a precisão da movimentação dos Joy-Cons. Ninguém espera algo no nível do que vemos no Vive ou no Oculus Touch, mas será decepcionante se sua fidelidade ainda estiver no nível daquela vista no Wii.

Arms

Arms

Se a possibilidade de jogos seguirem quaisquer desses caminhos soa promissora, a lista de títulos que estará disponível no Switch em seu lançamento é definitivamente o ponto mais fraco do console/portátil até agora. A expectativa era de que o evento da Nintendo traria uma série de bombas que mostrariam o valor de seu aparelho assim que ele chegasse às lojas e não foi bem isso que vimos. Se considerarmos o ano como um todo ele é certamente mais chamativo, com Splatoon 2 chegando na metade de 2017, Super Mario Odyssey no final do ano (apesar de ser um pouco preocupante que ele esteja a no máximo 12 meses de distância a não haja uma demo jogável dele no evento) e Arms no segundo semestre.

No entanto, aqueles que desejam adquirir o Switch em seu mês de lançamento não terão muitas opções disponíveis. A maior delas, é claro, é The Legend of Zelda: Breath of the Wild e provavelmente é a única que poderíamos chamar de grande. Há outras coisas menores que podem ser boas, como Super Bomberman R (especialmente diante do multiplayer para até oito jogadores), o puzzle de recortar papel Snipperclips e Has Been Heroes, da Frozenbyte, que também será lançado para diversas outras plataformas. A única outra coisa chamativa e próxima é Mario Kart 8 Deluxe, que sai em abril. Porém suas mudanças em relação à versão de Wii U não soam especialmente chocantes e um relançamento não deveria estar na lista das coisas mais esperadas de um novo console.

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Não chego ao ponto de dizer que um lançamento de peso só existiria se também tivéssemos no horizonte títulos como Metroid, um Wave Race, ou seja lá em que a Retro está trabalhando atualmente etc. Mas alguma outra coisa reconhecível ou cuja jogabilidade parecesse imediatamente atraente e divertida já serviria. No fim, por parte da Nintendo, o que teremos será Zelda (que também estará disponível para Wii U, apesar de não sabermos como será a performance no antigo console) e 1-2 Switch, jogo focado em minigames com controles de movimento que envolvem sacar os Joy-Cons como se fossem armas e movimentá-los de cima para baixo como se estivéssemos ordenhando vacas. Por mais que Breath of the Wild seja importante e muito aguardado, o Switch chegará às lojas com uma lista bem fraca.

A presença perene de Third Parties não é de força alguma uma certeza. A EA Sports, por exemplo, irá lançar apenas FIFA neste ano, ignorando suas outras séries. A impressão é de que isso é um termômetro que medirá o interesse do público. Não seria surpreendente que, caso o jogo não encontre sucesso, que não vejamos os títulos de esporte novamente no Switch ano que vem.

Super Mario Odyssey

Super Mario Odyssey

Gostaria de falar por último sobre a parte online do Switch. Há ainda uma série de incógnitas no ar, mais dúvidas do que resposta. Mas, apesar de já ter demostrado ontem alguns tropeços, o que sabemos até agora me deixa mais esperançoso do que decepcionado no que concerne a Nintendo e o seu online.

Esse quesito foi sempre, de longe, a parte mais fraca da empresa. Não na qualidade das partidas multiplayer em si (eu não me recordo de sofrer com lag nem uma única vez ao jogar Mario Kart 8), mas na maneira como as contas dos jogadores são tratadas. A situação melhorou um pouco há alguns anos, mas está longe de possuir a facilidade e organização que temos desde a geração passada nos consoles da Sony e Microsoft, além do Steam.

O fato da Nintendo se mostrar confiante ao ponto de ter decidido cobrar pelo serviço online para que joguemos com outras pessoas me faz acreditar que ela terá algo minimamente robusto no Switch, ao menos em sua base similar a PSN e Live. O tropeço que mencionei acima já apareceu na forma de um app para dispositivos smart, que se comunicará com o Switch e necessário para que jogadores montem lobbies e tenham chat de voz uns com os outros. É uma complicação extra que provavelmente afastará a maioria de fazer uso disso.

A assinatura (cujo preço ainda é desconhecido) trará benefícios como jogos gratuitos do NES e SNES, além de descontos na loja virtual. É claro que há um twist bem típico da Nintendo nisso, em que esses títulos de graça poderão ser jogados por apenas um mês, passando então a serem inacessíveis mesmo que você ainda seja um assinante do serviço. Isso é bem diferente da PS Plus e da Games With Gold, que lhe conferem os jogos indefinidamente desde que você continue pagando (no Xbox 360, mesmo que você pare de pagar ainda terá acesso aos títulos gratuitos que baixou).

Splatoon 2

Splatoon 2

Eu não estou pronto para determinar para qual lado da balança minha opinião pende em relação a esse assunto porque ainda não sabemos quanto que a Nintendo cobrará pelo seu online. Dado que os benefícios serão menores do que seus competidores, espero que se trate de um preço inferior, no máximo de US$ 40 por ano.

Ainda acredito que é possível que a empresa esteja finalmente entendendo ao menos um pouco a importância do online por dois motivos. Um deles, bem simples, é a adição de um botão à parte esquerda do Joy-Con que, quando pressionado, tira fotos do que está sendo jogado (e futuramente poderá gravar vídeos). Essa função está presente nos outros consoles da atual geração, sendo mais facilmente utilizada no PlayStation 4 e seu botão “Share”. Muitos não devem nunca ter feito uso disso, mas a possibilidade de compartilhar instantaneamente um momento legal ou engraçado é bem valiosa, especialmente diante de como videogames ganharam nova vida em redes sociais e nas comunidades que se formam em torno deles.

O segundo motivo está na afirmação da Nintendo de que certos títulos de SNES ganharão modalidade online. A empresa já implementou isso no relançamento de Pokémon Red & Blue para 3DS e a perspectiva é bem animadora. Clássicos como Super Mario Kart e F-Zero podem ganhar frescor com isso, abrindo também as portas para que pessoas que aprimoraram suas habilidades neles por anos e anos possam colocá-las à prova com indivíduos ao redor do mundo. Olhar para trás dessa maneira e considerar a possibilidade de adicionar algo a obras que a essa altura têm mais de duas décadas é um movimento fora do que esperamos da Nintendo, algo que seria impensável há pouquíssimo tempo.

Como o app de comunicação deixa claro, a empresa não parece ainda ter entendido completamente esse ambiente. Mas, pelo momento, enxergo o copo como meio cheio em vez de meio vazio.

E positivamente é como vi, no geral, a apresentação do Switch. Há uma falha que pode ser grave em sua lista de lançamentos precária. Um cenário exatamente como esse existiu com o 3DS, levando-o a receber um corte de preço apenas cinco meses após sua chegada às lojas. Isso o levou a se recuperar e a ser eventualmente detentor de uma biblioteca incrível, porém não anula o fato de que sua falta de jogos criou uma situação instável em seu início de vida, algo que seria muito ruim para a Nintendo se ocorresse com o Switch.

Usando essa mesma janela de tempo como base para comparação, os primeiros cinco meses do Switch, que incluem Splatoon 2 e seja lá o que estiver aparecendo no Virtual Console, podem ser bons o suficiente para um que cenário parecido seja evitado. Resta agora observarmos como o público irá reagir, especialmente quando informações como o tempo de bateria (de 2 horas e meia e 6 horas e meia) se espalharem. Uma coisa é certa, no entanto. Com tudo que foi mostrado e com o que foi prometido (Shin Megami Tensei, Fire Emblem Warriors, Project Octopath Traveler etc), há razões o suficiente para se estar pelo menos por agora animado com o futuro do novo aparelho da Nintendo.