No final de semana que teve início no dia 20 de abril ocorreu a 41° edição da Ludum Dare, o maior evento de Game Jam no mundo e também o mais antigo, tendo começado em 2002.

Essa game jam é acompanhada de um tema, divulgado assim que a maratona de desenvolvimento tem início. E, neste ano, a temática foi “combine dois gêneros incompatíveis”.

Eu queria aqui destacar três jogos criados nesta Ludum Dare que achei bem legais – Oni Hunters, Roulette Knight e You Left Me -, cada um bom a sua própria maneira. Dois deles em particular, Oni Hunters e Roulette Knight, me deixaram com vontade de que esses trabalhos sejam explorados mais profundamente, pois a sensação é de que há potencial para que se tornem jogos maiores e mais completos.

Pouco mais de 1700 títulos foram criados nessa game jam e, consequentemente, eu não toquei nem em uma mínima parcela do total deles, o que significa que com certeza existem outras coisas boas escondidas para os que quiserem garimpar mais a fundo. Existem vários que são mais exercícios de desenvolvimento, um teste inusitado resultado do tema do evento. Eles não são necessariamente bons, mas é também divertido passar brevemente algum tempo com eles, nem que seja para ver o que pôde ser criado em tão pouco tempo. Dito isso, vamos aos três que, dentre as coisas que vi, acho que merecem o seu tempo e atenção:

Oni Hunters

Feito por uma equipe de quatro pessoas, a mistura de gêneros em Oni Hunters foi de Furtividade de Puzzles. Nele controlamos um ninja com o objetivo de derrotar todos os inimigos que estão no local. Existe uma certeza similaridade com Ronin, de 2015, exceto que aqui o elemento de puzzle aparece mais fortemente. É preciso deduzir a ordem em que os inimigos precisa ser derrotados de antemão, pois o número de movimentações que podemos executar é limitado e é sempre preciso retornar ao início da fase para passar dela.

Apesar da ação ficar quase estática quando decidimos começar a atacar, há também um elemento estratégico no início de cada partida, pois esperar o momento chave para começar a agir é muito importante. Sair a esmo aumenta as chances dos cones de visão dos oponentes não estarem direcionados de forma favorável, resultando em fracasso.

Eu também acho legal destacar a pixel art do jogo. Apesar de não haver muitos elementos em si em cada uma das telas, os detalhes das placas luminosas nas laterais são charmosos e me fizeram ficar imaginando como seria essa cidade ao redor do que estamos vendo e a vida que há nela.

Oni Hunter pode ser jogado diretamente de seu browser

You Left Me

You Left Me foi feito por uma só pessoa, Angela He. A empreitada de uma pessoa sozinha terminar um jogo em 48 horas é por si só impressionante, porém torna-se inacreditável quando você leva em conta a qualidade da arte em You Left Me.

You Left Me

You Left Me

Trata-se de uma espécie de “escolha sua própria aventura”, em que temos que escapar de um mundo surreal que afeta nossa percepção e memória. Existem cinco finais, alguns deles alcançáveis em bem pouco tempo. Os locais que visitamos são surreais, sempre com um quê aterrorizante, porém ocasionalmente passando um sentimento de conforto, apesar de que isso deve variar de pessoa em pessoa.

O único detalhe, e um que não interfere em nada no aproveitamento do jogo, é que não ficou claro para mim quais são os dois gêneros incompatíveis que estão sendo misturados aqui, que é o ponto da game jam.

Jogar You Left Me é gratuito, mas se você também gostar da arte poderá ter acesso a ela em 16 papéis de parede, pagando US$ 5 ou mais através do Itch.io. He também fez um timelapse de seu processo de criação, que você pode ver no vídeo abaixo.

Baixe You Left Me em sua página do Itch.io.

Roulette Knight

O último jogo que gostaria de destacar é Roulette Knight, que mistura roleta russa com RPGs. Por conta disso, é preciso deixar um aviso que a principal mecânica do jogo envolve um cavaleiro apontando uma arma para a própria cabeça, sendo que a tela de game over é vista quando ele se fere vezes o suficiente. O ato em si não é levado de forma séria, tanto que vemos uma imagem que pende para o cômico, do protagonista apenas com um curativo na cabeça quando falhamos, fugindo da implicação de que um suicídio foi cometido. Ainda assim, fica aqui o aviso para aqueles que possam achar a imagem forte.

Roulette Knight é inteiramente jogado através de menus. A cada disparo em falso dado contra nossa própria cabeça ganhamos experiência e dinheiro, e cada vez que a bala nos atinge perdemos vida. A ideia é tentar equilibrar quais habilidades compramos – o que nos dá maiores chances de sobrevivermos ao dano recebido ou de simplesmente não sermos atingidos – ao mesmo tempo que as chances se tornam progressivamente menos favoráveis a nós.

No início, apenas uma bala estará no tambor da arma em questão. Entretanto, modificadores são adicionados a cada novo trecho do mapa que escolhemos, aumentando o dano recebido, o número de balas e assim por diante.

Pode ser que seja inteiramente falta de habilidade minha, mas Roulette Knight pede por um bocado de sorte. Em uma das minhas partidas, os dois primeiros tiros não foram em falso, me levando à tela de game over antes de ser possível comprar uma habilidade ou item que me ajudasse um pouquinho que fosse. Mas nessas horas que é preciso lembrar que estamos falando de um título feito em 48 horas, então é compreensível que nem todos os seus aspectos estejam totalmente equilibrados e tenham sido amplamente testados.

Roulette Knight pode ser jogado diretamente do seu browser