Nerd, virgem e sem amigos. Eu ao me mudar para a cidade grande na adolescência. Vinha “estudar”. Na mala, WarCraft III e sua expansão, The Frozen Throne.

lucas-demon-hunterO diferencial desse RTS eram os heróis, unidades que podiam subir de level e usar skills como em um RPG. Além disso, brilhavam com uma luzinha. O herói mais foda era o Demon Hunter, um night elf cego que empunhava lâminas duplas.

Me impressionei com uma fan art dele no WCReplays, a maior comunidade do jogo (até jogadores profissionais como o holandês Grubby frequentavam). Logo comprei uma Wacom para desenhar no PC também.

Fiz uma série de quadrinhos sobre um nerd com problemas no mundo real porque passava muito tempo no Warcraft. Muitos se identificaram comigo. Comecei a fazer amigos virtuais.

Aprendi programação no World Editor, o editor de mapas do jogo. Sabe DotA? Foi feito nele. Não criei nada tão grandioso, mas fiz uns mapas legais.

Fui eleito presidente do WCReplays. Entre meus adversários estava David “Phreak” Turley, que depois foi trabalhar no League of Legends. Ganhei porque gostavam dos meus desenhos, dos meus mapas e de mim.

Me apaixonei por pintura digital. Cursei mestrado sobre história da arte. Evoluí de mapas a jogos. Meus próprios jogos. Subi de level jogando Warcraft III e aprendi várias skills: arte, programação, game design e autoconfiança.

Só falta a luzinha.

 

Sobre o autor

lucas-molina-thumbLucas Molina é desenvolvedor de jogos independentes e atualmente está desenvolvendo Painters Guild, que será lançado em breve no Steam. Seus jogos podem ser encontrados no site lucasmolinagames.com.

 

 

 

 

*****

31 Gaems é uma série de 31 textos, escritos por 31 autores, sobre 31 jogos. Além da publicação no Overloadr, os ensaios também farão parte do app/zine Glitch Gazette, em desenvolvimento pelo André Asai, do Loud Noises, que busca no Indiegogo arrecadações para financiar o projeto.

Leia os outros ensaios do 31 Gaems já publicados no Overloadr:

Super Metroid – simulador de sobrevivência solitária – Thais Weiller
Super Mario Bros. 3 – entretenimento e magia – Marcos Venturelli
We Love Katamari – mas eu amo um pouquinho mais que você – Karen bitmOO

  • Matheus Rodrigues

    Caramba que foda!! Warcraft é uma das minhas paixões, e que legal sua história devido sua paixão por ele!!! =D

    • Lucas Molina

      Valeu Matheus! Esse jogo teve um impacto positivo muito grande na minha vida, jogos não são só desperdício de tempo.

      • Matheus Rodrigues

        Concordo plenamente com o comentário. Não são nem um pouco desperdício de tempo, é no mínimo, mínimo mesmo uma forma de descarregar stress! rsrs.

        Parabéns pelo post! =D

  • Celso

    Vou dar uma de hater insensível. Mas podia ter sido algo mais completo esse texto. Beijo no ombro, tchau!

    • Lucas Molina

      Obrigado por ler e pelo feedback!

  • Dota para mim era O jogo de pc por mais de 5 anos. Todos os outros eram apenas em consoles, mas DoTA era reunir os amigos =D

    • Lucas Molina

      Sim, eu jogava muito lá por 2006, o único problema é que chegou um ponto que tinha tanta gente hosteando DotA que a variedade de mapas caiu muito. E tinha vários mapas divertidos no WC3: Footmen Frenzy, Troll Tribes, Vampirism…

      • Alisson André

        Baixei o garena a uns 6 meses atrás, agora tem bots pra hostear os mapas, lembro que joguei umas 4 horas de Vampirism seguidas com sala cheia, o tempo passa muito rápido nesse tipo de jogo que você tem que administrar varias coisas.
        Conheci Warcraft III em 2010, você pegou a época dos ORPGs com passwords gigantes?

        • Lucas Molina

          Hahaha sim, nunca joguei muito eles mas lembro dos passwords absurdos.

  • Henrique Tavares

    Curtinho, fez bem o lance de apresentar melhor o próprio autor

    talvez o fato de que eu não quisesse ler sobre warcraft influencie, mas gostei do texto, adoro pessoas contando suas próprias histórias

    • Lucas Molina

      Valeu, Henrique. Realmente não é uma análise holística do jogo, é minha relação pessoal com ele. Juro que não foi preguiça de escrever mais, é que não gosto de enrolar e acho que o que eu tinha pra dizer era isso aí mesmo 🙂

  • metasexual

    passei mais tempo do que devia babando nos gifs de personagens de Warcraft III no site da Blizzard. O World Editor foi minha primeira experiência com game design e programação, e eu nunca percebi isso na época. Aprendi a abrir porta no meu firewall pra poder jogar Dota direito na Battle.net. Já curti uns Madballs Arena também, e, até hoje, de vez em quando, consigo convencer uns amigos a jogar Warlock Brawl.

    • metasexual

      e isso sem falar de Dota 2 – tenho 700h naquilo e pelo menos 500h são com um ou mais amigos.

  • Luiz Augusto Pereira Rodrigues

    Legal, mas eu prefiria estar trabalhando na riot xD

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  • Samuel Madeira

    E está aqui mais um cara que se identifica com você 🙂