Não tem como eu falar de Streets of Rage 2 sem contar um pouco o que esse jogo significou pra mim durante a minha infância. Quando eu era bem gurizinho, lá pelos idos de 1992, ganhei meu primeiro videogame. Um Turbo Game da CCE, que era basicamente um clone nacional do Nintendinho. Posso dizer que depois disso eu só pensava em videogames, falava de videogames e, bem, jogava videogames. Isso aconteceu com mais da metade da molecada da minha turma de escola.

Um certo dia fui na casa de um colega meu e, chegando lá, vi algo extremamente FODA: UM MEGA DRIVE! Peguei os cartuchos dele vi duas coisas que me fizeram aloprar. O primeiro foi Shadow Dancer e o segundo… Streets of Rage! (É GALERA, A PRINCIPIO EU CAGUEI E ANDEI PRO SONIC!)

Fiz o guri ligar o videogame pra eu jogar e lembro de não ter largado o controle em momento algum. Eu, com toda educação do mundo, permaneci lá jogando o videogame dele e nem sequer mantive uma conversa com ele enquanto jogava. Bom, eu sei que sai de lá querendo muito um Mega Drive.

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O que aconteceu? No natal de 93 pra 94 meu pai me deu um… Master System. Fazer o quê? Fiquei feliz do mesmo jeito, mas obviamente não tão feliz. Pelo menos eu nem percebia que o Streets of Rage do meu Master era bem fraquinho perto do de Mega. Até que finalmente meu coleguinha ganhou Streets of Rage 2. Aí o estrago foi feito. Lembro que pra mim Streets of Rage 2 era um objetivo de vida, eu PRECISAVA ter um Mega Drive.

Deu que no fim das contas, no natal de 1994 o pequeno “seguista” aqui ganhou um Super Nintendo. Ah, a irônia.

streets-of-rage-2Essa foi minha história com o Mega Drive: um videogame que eu sempre quis mas nunca consegui. Para mim o símbolo do Mega não era o Sonic, mas sim aquela galera do Streets of Rage. Posso dizer que até hoje considero Streets of Rage 2 o beat ‘em up mais divertido que já joguei.

Streets of Rage é basicamente uma resposta da Sega ao Final Fight da Capcom. Só que foi uma resposta melhor que o jogo original. Você podia escolher entre três personagens: Adam Hunter, Axel Stone e Blaze Fielding. Seu objetivo era salvar a cidade de uma poderosa gangue de criminosos. E como eles fazem isso? NA PORRADA É CLARO. Não é a toa que a versão japonesa do jogo chama-se Bare Knuckle o que literalmente significa PUNHO NU ou SÓ NO SOQUINHO. Ok, esse último eu inventei.

Em Streets of Rage 2 meu personagem favorito do primeiro jogo, Adam Hunter, é sequestrado e a organização criminosa que tocava o terror no primeiro jogo volta às ruas. Perdemos Adam mas ganhamos mais dois personagens, que entram no lugar dele: Sammy Skate, o irmão mais novo de Adam, e o grandalhão Max. Cada lutador tem suas vantagens e desvantagens, sendo Axl o mais equilibrado de todos. Além dos personagens extras, temos melhorias na jogabilidade.

Com o botão de soco você pode fazer uma combinação pra dar um golpe um pouco mais forte. Por exemplo, se eu escolher o Axl e pressionar duas vezes pra frente e soco, ele dá um gancho muito loco com fogo e grita “VATAPÁÁÁÁ”! Isso cancela basicamente qualquer ataque vindo dos inimigos, a galera toma na fuça e voa longe, sério é MUITO LOCO fazer isso. Além disso como já disse, o botão de golpe especial faz seu personagem soltar um golpe bem forte, mas que come seu HP também. Eu não recomendo muito usar isso, até porque o “VATAPÁÁÁÁ” ja dá conta do recado.

Falando em porradaria, acho que esse jogo tem a melhor sensação de porrada que eu ja vi num beat’ em up. Eu não sei se é o timing das animações ou o som, mas cara, eu nem consigo expressar o quão bacana é pegar um cano de metal e descer na cabeça do maluco na sua frente, fazendo um dos melhores sons que já ouvi num Mega Drive, algo tipo “TAPOOOOM”. Olha, não tem como explicar, vai lá põe o jogo rapidão aí num emulador e tenta você mesmo e volta a ler isso aqui.

Fez isso? CURTIU NÉ?

streets-of-rage-2-2Não tem como falar de som sem falar das músicas. Dava pra eu fazer um texto inteiro só puxando o saco do Yuzo Koshiro, o compositor, que além de Streets of Rage, compôs músicas pra vários outros clássicos como Revenge of Shinobi e Actraiser. O cara é tão foda que ele programou um software específico apenas pra fazer as músicas desse jogo, e dá pra reparar que são bem complexas. A trilha sonora tem um estilo meio house, techno e até eletro-funk, coisa fina mesmo.

Leia mais em:
Streets of Rage: A queda do muro que separava os jogos e o mundo

Os gráficos são bonitões, os bonecos são grandes e bem detalhados. A animação é meio travadona mas acho que da até um certo charme na coisa toda, deixando o destaque mesmo para os cenários, que são extremamente detalhados. Tem até uma fase com um cenário inspirado naqueles interiores melecosos do filme Alien, com direito até aos ovinhos dos aliens pra você socar e pegar itens. Claro que para “fazer sentido” essa fase se passa num parque de diversões. Olha que eu nem me espantaria de ver isso no jogo como sendo algo “real”, já que na penúltima e na última fase você enfrenta até robôs.

Em suma, posso dizer que Streets of Rage 2 me fez entender o que eram 16-bits nos videogames. Não somente ele, mas diversos outros jogos de sua geração e dos 8-bits tiveram um grande impacto em minha vida e na maneira como vejo os jogos. Para mim a arte do videogame está na simplicidade das mecânicas, que podem fazer com que a mais simples das ações, como pressionar um botão e ver um personagem pular, possa ser algo de imensa satisfação. Esse pensamento que permeia os clássicos continua sendo a base para o desenvolvimento dos meus próprios jogos e espero que eles consigam trazer diversão da mesma maneira que os jogos do passado me trouxeram.

Sobre o Autor

daniloDanilo Dias é artista gráfico, programador, level designer, criador de coelhos e pau pra toda obra do estúdio JoyMasher, responsável por Oniken e Odallus: The Dark Call.

 

 

 

 

 

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31 Gaems é uma série de 31 textos, escritos por 31 autores, sobre 31 jogos. Além da publicação no Overloadr, os ensaios também farão parte do app/zine Glitch Gazette, em desenvolvimento pelo André Asai, do Loud Noises, que busca no Indiegogo arrecadações para financiar o projeto. Leia os outros ensaios do 31 Gaems já publicados no Overloadr:

Super Metroid – simulador de sobrevivência solitária – Thais Weiller
Super Mario Bros. 3 – entretenimento e magia – Marcos Venturelli
We Love Katamari – mas eu amo um pouquinho mais que você – Karen “bitmOO”
Warcraft III – herói sem luzinha – Lucas Molina
A densa névoa de Kentucky Route Zero – George Schall

  • rodrigo

    cara, nunca tive o meu console na infância, mas o primeiro jogo que viu meu dinheiro foi Street Of Rage e 2 , sendo que comprava fichas pois o mesmo era de arcade, o qual ficava instalado em um boteco true, daqueles com mesa de ferro e baleiro, aliás, por onde anda baleiro?

  • metasexual

    haha, eu jurava que essa acrobacia marota por cima do inimigo tinha surgido no Prince of Persia de PS2. Muito xóvem mesmo

  • metasexual

    Streets of Rage deve estar entre os primeiros jogos que joguei na vida, em algum console da Sega na casa da minha vó. Era novo demais pra lembrar qualquer coisa agora :3

  • Erick Aragão Pradela

    Street of Rage sempre foi um jogo bem divertido pra jogar de dois e eu sempre achei que o street of rage 2 só tinha um personagem que realmente era jogavel, o Axl, os outros eram todos muito ruins e tavam lá só pra comer os frango assado que podia ser do Axl. depois descobri que dá pra abrir o personagem ninja vilão que acho que é chefe da segunda fase, e aí ficou bem mais legal de jogar em dupla.

  • Antonio Carlos Bleck Bento

    Adorei o texto sobre streets of rage apesar apesar de ser um eterno fanboy do prefeito Mike Haggar, fiquei com pena das frustrações do pequeno Danilo kkk

    Obs: vocês colocaram a tag 31 games ao invés de 31 gaems no texto do Danilo, então ao invés de encaminhar para uma pagina com os outros textos da serie deixou o artigo sobre streets of rage sozinho num cantinho escuro.

  • Tenho 20 anos mas “herdei” meus primeiros consoles do meu irmão mais velho, então cresci jogando master system e mega drive e Streets of Rage 2 (ou como eu chamava, “briga de rua”) foi um dos jogos que eu mais joguei e jogo até hoje, e vou confessar uma coisa: só fui conseguir zerar o jogo ano passado

  • Danilo Deuso!

    Enfim, um dos meus jogos favoritos dentro desse gênero, ótimo texto!

  • Fabio Costa

    Sonho até hoje com um Streets of Rage novo para os consoles modernos. Enquanto isso vou jogando o de Mega Drive mesmo. rs. Destaque para o Vatapaaaaa e o barulho épico do cano. Adorei o texto.

  • Olavo Lima

    esse jogo é foda e um classico

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  • (É GALERA, A PRINCIPIO EU CAGUEI E ANDEI PRO SONIC!)

    eu sabia que no fundo um dia vc iria reparar este teu ato rebelde

  • Eric Estrada

    Como ainda não lançaram uma versão moderna pra este jogaço??? Jogar em dupla era divertidíssimo. Gráficos incríveis, música e efeitos sonoros realmente espetaculares. O som da porrada com canos os tacos de beisebol eram excitantes!!!rsrs