Ainda existem muitas perguntas no ar relacionadas ao anúncio feito pela Nintendo nesta manhã de sexta-feira (9), sobre o fim da distribuição de jogos da empresa no Brasil, feita nos últimos quatro anos pela Gaming do Brasil.

É difícil dizer com precisão, olhando em retrospectiva, se os sinais desse evento estavam se anunciando há algum tempo ou se estamos o observando sob uma nova luz devido à ocorrência do fato. De qualquer maneira, é claro que a presença da Nintendo em nosso país tem sido, na melhor das hipóteses, fraca já há algum tempo. Os lançamentos frequentemente atrasavam, os preços não eram competitivos e, mais recentemente, começamos a perceber que certos produtos simplesmente não chegaram às prateleiras de lojas brasileiros, como Amiibos, o adaptador de controles de GameCube para o Wii U e, por último, o título Captain Toad: Treasure Tracker.  Além disso, enquanto a localização se tornou a norma para empresas como Sony, Microsoft e Ubisoft, nunca houve nenhum esforço visível nessa área por parte da Nintendo, fora o de traduzir caixas e manuais.

Aliás, verdadeiro ou não, falta de esforço era a impressão que o público tinha diante desses e outros fatores, como a empresa não ter participado da Brasil Game Show – maior evento da área de videogames da América Latina – nos últimos dois anos.  Não surpreendentemente, a reação geral sentida após o anúncio foi uma de decepção seguida de esperança, calcada na ideia de que uma outra empresa possa pegar esse bastão e fazer com que a Nintendo seja mais presente no Brasil.

E é claro que todos nós torcemos para que isso ocorra. Não ter uma representação oficial por aqui é algo muito ruim para o mercado, por mais deficiente que a representação que tínhamos até então fosse. Mesmo que volta e meia nós tenhamos de ter aguentado atrasos (presumindo uma preferência pela cópia física em vez da digital, é claro), ainda podíamos encontrar os principais jogos em lojas oficiais, quer queira ou não fomentado de alguma forma a indústria brasileira de jogos.

E pode ser que algumas das empresas já mais fixas na indústria local, como a WB Games, que hoje em dia distribui também a Capcom e EA por aqui, corra para pegar para si essa fatia do bolo. No entanto, o senso comum diz que se houvesse algum candidato no horizonte esse anúncio ocorreria junto ao do fim da parceria com a Gaming. Na conjectura atual, a Nintendo está sendo vista apenas negativamente por um público que se sente tratado como irrelevante para ela. E essa reação é compreensível.

Por mais que 2014 tenha sido um ano de melhoras para a Nintendo – suas vendas tiveram um impulso e ela teve uma ótima seleção de jogos, como Mario Kart 8, Bayonetta 2 e Super Smash Bros. – a empresa não está ainda, mundialmente, em uma posição totalmente confortável. Isso, por sua vez, faz com que o investimento em um mercado como o brasileiro seja mais difícil, ainda mais quando nosso panorama econômico para 2015 não é dos mais positivos. Seria ótimo se essa distribuição fosse logo retomada, mas os indícios são de que isso pode demorar um pouco a acontecer.

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Então, aqueles que desejam comprar os jogos da Nintendo no Brasil, como fazem? O mais provável é que vejamos uma flutuação de preços nos títulos para 3DS e Wii U, já que agora cada revendedor terá de importá-los por conta própria. Isso deve fazer com que eles fiquem mais caros e as chances de vermos os lançamentos no mesmo dia que no resto do mundo (ou, especificamente, na mesma data em que chegam às lojas dos EUA) caiam para quase zero. Isso, é claro, em uma importação oficial e com os impostos devidamente pagos, pois esse recuo também dá forças ao mercado cinza.

Independentemente de qual for sua opinião sobre o trabalho que a Gaming vinha fazendo em território brasileiro, a notícia é uma pena. Trata-se de um enfraquecimento do nosso mercado. Talvez seja apenas um baque momentâneo e futuramente nos recuperemos. Mas, por agora, só há motivos para lamentar.