Com o lançamento de Rare Replay, jogo de Xbox One que compila 30 títulos da Rare em um só pacote –  descobri possuir uma fonte de ódio inesgotável ante ao Battletoads original de NES.

Enquanto as memórias da infância me diziam se tratar de um beat ‘em up interessante, apenas difícil demais para que eu visse qualquer coisa além da terceira fase, a possibilidade de rebobinar os jogos mais antigos da compilação – e consequentemente, ter tentativas infinitas de passar por desafios – abriu portas para que estágios posteriores fossem vistos, apresentando a mim todo um novo círculo do inferno. Battletoads é repleto de passagens que pedem por ações de timing extremamente preciso, impossíveis de serem executadas se você não souber o que vem de antemão. Basicamente, morra uma vez, decore, tente de novo. É frustrante e horrível.

Eu tentei encontrar resposta sobre por que a Rare, que em geral desenvolve títulos no mínimo curiosos, criou algo tão punitivo e simplesmente ruim. São fases sem graça atrás de fases sem graça, muitas vezes com elementos repetitivos e mais longas do que deveriam ser.

Não parece haver nenhum consenso sobre o que levou Battletoads a ser dessa maneira, porém uma breve pesquisa me surpreendeu ao mostrar que os sapos bombados foram bem mais populares nos anos 1990 do que imaginava. Para tentar rivalizar com as Tartarugas Ninja, além dos jogos (sendo que o primeiro, inicialmente de NES, recebeu ports para uma leva de outros consoles, como Amiga e Mega Drive), houve uma tentativa de se colocar os personagens da Rare na televisão, em um desenho animado. A produção foi até escrita por David Wise (que não é o ex-compositor da Rare, de mesmo nome), responsável por episódios de He-Man, Transformers, As Tartarugas Ninja, Batman: The Animated Series e outros mais.

O piloto aparentemente foi notório por sua baixa qualidade, encabeçando algumas listas de “piores tentativas” ou “piores pilotos” de desenhos. Isso seria completamente subjetivo, não fosse o fato de que ele está disponível no por inteiro no Youtube, para nossa apreciação.

Estranhamente, os sapos na verdade são três adolescente, (que na hora de dizer “tchau” se cumprimentam ao mesmo tempo, criando uma cirandinha bizarra), chamados de “os maiores perdedores dessa escola” pelo diretor da mesma logo em sua cena de apresentação. Um deles é esportista demais para estar com os garotos que gostam de esporte, um é artista demais para estar com o grupo que cria arte e, finalmente, um deles é nerd demais para andar com os outros nerds. Bem profundo.

Como tinha que ser, o trio é encontrado pela princesa Angélica e aquele doutor que é uma ave que aparece nos jogos e, imediatamente, são escolhidos para se tornarem os Battletoads com o uso de uma essência que o doutor tem consigo. Infelizmente, a rainha do mal se teleporta para o lugar (saindo de dentro de uma máquina de raspadinha, algo que se repete. Aparentemente, os vilões só podem se teleportar através de utensílios) e a ação começa.  A qualidade da animação é péssima, mesmo para os padrões da época. O traço dos personagens são ruins em um nível que acredito que até eu conseguiria replicar e muitas vezes não há qualquer cenário, apenas uma sala de uma única cor. É vazio e triste.

Não fosse isso o bastante, o piloto segue narrando a fascinante busca por um emprego da rainha Angélica, que vai trabalhar como garçonete em um estabelecimento local. Há até uma breve discussão sobre salário mínimo nesse momento, sabe, exatamente o tipo de assunto que as crianças mais gostam. Tudo termina com a humanidade descobrindo que há vida alienígena no universo, o que, tenho certeza, seria abordado de maneira fascinante e inteligente nos próximos capítulos, porém eles nunca aconteceram.

Enfim, o piloto foi um fracasso e a empreitada dos sapos alienígenas na televisão acabou por ali, o que é bem apropriado dado o material base no qual a animação se inspirava. Como dizem, quem nasceu para Battletoads nunca será uma Tartaruga Ninja (ou um Motoqueiro de Marte, se você preferir).

Bônus final: existe também um piloto de um desenho animado de Bubsy, que não foi para frente por motivos óbvios.

  • Robson Bitencourte

    O Heitor viu esse piloto do Bubsy deve ter lembrado do Caio Corraini.

    • Heitor De Paola

      Impossível não associar um com o outro.

    • Não vi o piloto, mas quando li “Bubsy”, também lembrei do Corraino na hora.

  • rodrigo

    NODSSSSSSA

  • Zé Luiz

    Se Deus não existe, como vocês explicam o admirável milagre disso não ter virado uma série regular? EXPLIQUEM ESSA, ATEUS!

    • Guilherme Gondin

      Elementar meu caro Watson, é claro que foi o Goku.

  • Guilherme Gondin

    Por meio dos seus vídeos descobri que eu na verdade jogava o Battletoads de arcade :p