O texto abaixo possui leves spoilers sobre algumas quests e trama principal de Fallout 4.

Me recordo de, aos 14 anos, em 1999, me sentir incluído e transbordado com um senso de pertencimento em Fallout 2, quando um fazendeiro permitiu que eu (representado por um avatar masculino) pedisse seu filho em casamento. E do consequente estado de choque e descrença da minha própria frieza ao decidir assassiná-lo, após ele se tornar um fardo irremediável. Enquanto seu corpo sem vida se espatifava em uma poça de seu próprio sangue, o jogo me concedia o título de “viúvo”. Meu sogro faleceu em seguida, vítima de ataque cardíaco desencadeado pela notícia da tragédia.

Também não me esqueço da lágrima que escorreu em meu rosto quando, em Fallout: New Vegas, optei por ajudar um povo a escapar do mundo selvagem e intolerante que o maltratava devido a sua aparência grotesca, decorrente da radiação, colocando-o em um foguete que, em sua crença, o levaria para um lugar melhor. Meu peito apertou quando, conforme o foguete era lançado ao som de Cavalgada das Valquírias, eu percebia que estava cometendo uma espécie de eutanásia coletiva.

Estes e outros momentos vividos na série Fallout me fizeram sentir alegria, tristeza, compaixão, raiva, arrependimento e tantos outros sentimentos complexos que normalmente são desencadeados por eventos da vida real. Por isso, sempre tratei seus jogos como exemplos de profundidade narrativa e emocional dos videogames.

Dito isto, para mim Fallout 4 foi tudo, menos humano e profundo, em suas histórias. Em minhas trinta e poucas horas dedicadas ao jogo até agora (poucas, considerando a imensidão do jogo) sinto que passei mais tempo literalmente explodindo cabeças de pessoas, mutantes e animais do que dialogando e tomando decisões significativas para mim, meu protagonista e as pessoas ao seu redor — exatamente o oposto do que me lembro e gostava tanto de fazer em jogos anteriores da série.

Fallout 4: mais sobre armas, menos sobre pessoas

Em Fallout 4, armas são mais importantes que pessoas

Em Fallout 4, antes de sermos um pai ou mãe em busca de seu filho sequestrado e vingança pelo assassinato de sua esposa ou marido, somos um acumulador, um andarilho e um assassino em série. Ao priorizar seus inúmeros sistemas (de batalha, gerenciamento, construção, modificação etc.), o novo jogo da Bethesda sufoca o que melhor havia na série: seu senso de humanidade, transmitido por uma vasta riqueza de histórias, das quais o jogador se sentia parte integral ao ser moralmente confrontado com tanta frequência.

Antes de sermos um pai ou mãe em busca de seu filho sequestrado e vingança pelo assassinato de sua esposa ou marido, somos um acumulador, um andarilho e um assassino em série.

As histórias que presenciei em Fallout 4 são pobres, tal qual seus personagens. Em meu tempo com o jogo, me lembro de poucas figuras realmente interessantes, cujos pedidos não se resumiam a mate alguém ou colete isto ou aquilo. Há o homem que queria ensinar “cultura” aos supermutantes, começando com obras de Shakespeare — o que você descobre depois de ser obrigado a cometer um genocídio entre eles. Há aquela mulher suspeita, que te contrata para invadir o cofre do prefeito (o que envolve cavar um túnel abaixo de uma cidade, algo particularmente frustrante para mim devido a uma série de bugs que impediam meu progresso), com quem tem negócios inacabados. Sua história acaba em tragédia, mas o remorso que senti ao ser obrigado a assassiná-la foi rapidamente substituído por raiva, por não conseguir carregar a arma nova que havia ganhado como recompensa por matá-la, devido meu sobrepeso.

Em Fallout 4, pilhar corpos e ter a melhor arma é mais importante do que o que os personagens têm a dizer. Você não realiza quests para viver histórias, você as conclui para ver sua barra de experiência ser preenchida, na esperança de subir de nível e comprar um novo perk.

Fallout 4

Um bom jogo, um RPG ruim

Há momentos interessantes na trama principal de Fallout 4, principalmente quando a questão ética dos humanos sintéticos entra em jogo. Robôs conscientes de sua existência merecem o mesmo tratamento que humanos? Eu senti que sim, sensibilizado pelas súplicas da máquina feminina em minha frente, e libertei os robôs que fugiam da instituição que os criou, quando fui incumbido de recuperá-los. Mas quando bugs, inteligência artificial inconsistente, diálogos ativados em momentos inoportunos e eventos incongruentes — ou que acontecem em momentos inadequados — estão constantemente nos lembrando da artificialidade e fragilidade técnica de Fallout 4, torna-se difícil (para mim, impossível) manter a suspensão da descrença.

Isso considerando que, novamente, haja uma boa história para ser absorvida, e não necessariamente a que você constrói vagando a esmo, revirando lixo e matando qualquer coisa que venha a se mover em sua frente. Fiquei meio chocado em perceber que a maioria dos NPCs em Fallout 4 já são automaticamente seus inimigos, sem que você possa sequer iniciar um diálogo ou fazer algo para desagradá-los. Sua mera existência é uma afronta a eles e vice-versa, como em shooters convencionais.

Para mim, Fallout sempre foi sobre a busca da humanidade tomada pela guerra. Sobre o esforço para recuperar o progresso perdido ante um ataque nuclear. Fallout 4 me fez esquecer disso com suas quests vazias de significado, engolidas por seu emaranhado infinito de sistemas e mecânicas. Talvez existam boas histórias e momentos marcantes esperando por mim em Fallout 4, mas por que eu dedicaria dezenas de horas a mais na esperança de encontrá-los, se jogos de curta duração, acessíveis, podem me causar o mesmo efeito sem consumir um pedaço da minha vida? The Beginner’s Guide e Read Only Memories estão no meu radar há algum tempo, afinal.

Fallout 4 tenta levantar questões morais com seus humanos sintéticos

Fallout 4 tenta levantar questões morais com seus humanos sintéticos

O que me fez lembrar do que li recentemente no livro Videogame for Humans, no qual a artista e game designer Merritt Kopas descreve o que seriam jogos “mais humanos”:

– “que se afastam ‘da indústria’, do modos de produção baseados na exploração do trabalho e que perpetuam um fetichismo da tecnologia de ponta, gráficos ‘hiperrealistas’ e mundos ‘imersivos’ nos quais somos impelidos a nos entregar.”

– “não apenas sobre experiências marginalizadas, mas criados por e para pessoas que historicamente nunca se viram em jogos e a quem o acesso foi negado como meio criativo.”

– “com um escopo maior de propósitos, jogos que não são sobre coletar, atirar, gerenciar ou conquistar, mas sobre comunicar, interagir, repousar, curar e crescer.”

– “experiências que usam as características únicas dos videogames para conectar pessoas, ao invés de isolá-las umas das outras.”

– “curtos, pequenos e generosos com o tempo do jogador, que não querem consumi-lo, mas sim convidá-lo a um engajamento divertido.”

Isso me leva a concluir que, em sua tentativa de ser humano, Fallout 4 acaba se aproximando de um de seus sintéticos: uma máquina de sistemas complexos, imperfeita e incompleta, que apesar da inteligência, carece de uma alma. Um simulacro da humanidade que ele falha em invocar.

  • Muito bem colocado, Rique. Pelo pouco que pude jogar, é bem assim mesmo. E ainda me espanta que mesmo com estórias tão rasas e bugs tão profundos as notas estejam tão altas.

    • riquesampaio

      Isso também me chamou muita atenção. Por isso achei que um artigo mais pontual seria mais interessante do que uma análise com uma nota baixa, que seria apenas taxada de hater e click bait.

  • Ramon Fernandes

    Texto incrível, sempre tive vontade, mas nunca joguei nada da séria a não ser Fallout Shelter (jogo divertidinho, até que você passa 4 horas sem olhar pra ele e todo mundo morre), ler o texto do Rique aumentou minha vontade de jogar Fallout 3 e New Vegas para, eventualmente talvez, jogar Fallout 4.

  • Murilo Saad

    Adorei o texto! Com certeza de todos os que li, o que mais falou comigo em termos de gosto. Passarei longe deste. Quem sabe no próximo!

  • Paty Senpai

    Ótimo texto Rique! Sou fã de Fallout, joguei todos os jogos da série e a narrativa e liberdade de escolha foi o que sempre me prendeu, não joguei o 4 e te pergunto, será que você apenas não achou a side quest certa, que será tão boa pra você quanto a do foguete no new vegas?

    • riquesampaio

      Poxa, mas se em 30 e poucas horas de jogo, já tendo atingido as partes finais da quest principal, não ter achado a “quest certa” a essa altura já diz muito sobre o jogo, não? Como já disse, certamente já não tenho mais vontade de procurar por momentos marcantes no jogo.

  • Felipe Malafaia

    Estou com 60hrs de jogo e definitivamente o foco mudou, mas, desde que ouvi o que parecia ser o inicio desse textão no podcast, me surgiu uma dúvida.

    Fallout 4 apostou na utilização das mecânicas que marginalizavam a boa história e os bons pontos que elas levantavam, houve uma inversão. Um outro jogo que fez isso, ainda esse ano, foi o Metal Gear Solid 5, estou enganado? Não cheguei a jogar muito o MGS por que não tive ele em mãos, somente na casa de amigos e apesar de gostar muito da série quando tive a chance de comprar, escolhi o Fallout 4. Fiz essa escolha principalmente pelos relatos da falta de uma narrativa fixa, cutscenes e todo o carretel de coisas marcantes da série. Ainda sim, Metal Gear foi muito elogiado (e cá entre nós, assim que der eu compro hehe).

    Deixando claro que entendo a notória diferença entre as mecânicas existentes entre os jogos, mas, me parece que a maioria soube se adaptar melhor as mudanças do MGS, que focaram nas mecânicas de ação e tiro, do que as do Fallout. Quando se lia qualquer análise do MGS era comum ler comentários de “narrativas pessoais, imersivas e sublineares” onde os jogadores comentavam como realizar tal missão foi uma experiência totalmente diferente da relatada, e MGS não era um jogo com foco em ação, talvez mais do que Fallout 4, mas, ainda assim ele sempre foi muito story driven.

    Fica a pergunta, o problema é que as mecânicas de ação em Fallout 4 são mal executadas, ou as story tier mechanics dos Metal Gear Solid’s anteriores é que não fizeram falta?

    • riquesampaio

      Eu não joguei muito Metal Gear Solid 4 (acho que, no fundo, eu não gostei muito), então não saberia exatamente como te responder. Acho q ele consome o jogador tanto quanto Fallout 4 e, sim, nada do que vi lá me atraiu em termos de narrativa. Mas ele certamente faz coisas bem legais com sua estrutura de jogo. Sinto que é uma evolução do gênero que ele ajudou a estabelecer. Já Fallout 4 não é muito diferente de Fallout 3, em termos de mecânicas. Talvez seja mais chato, de certa forma, com aquele colecionismo infinito todo de scraps.

  • Ótimo texto. Em tempos de Undertale, tão elogiado, o Fallout 4 acaba caindo no poço da mesmice que assola a maior parte dos triple As.

  • Bruno Araujo

    É interessante a reflexão, mas vale comentar que em todos Fallout’s que joguei (Tatics, 3 e NV) eu fui um acumulador, um andarilho e um assassino em série, acho que é um setup que encaixa em universos pós-apocalípticos. Mas talvez seja só o meu perfil de jogador mesmo.

  • Carlos Laurentino

    Excelente texto. Esse foi o meu primeiro Fallout então não conheço a história dos outros. Achei o jogo muito bom, mas pecou pela falta de algum elemento que faça o jogador fica preso ou ter vontade de jogar. Já tenho mais de 30 horas de jogo, porém sei que em algum momento vou cansar de jogar e não tem nada que me vá me fazer querer voltar a jogar.

  • Mauri Link

    É sempre curioso e interessante ler como o Rique lida com a indústria do videogame, de maneira totalmente oposta a minha maneira de como quero consumir ela. Ainda assim, ótimo texto como sempre, não tem como não ser fã do Rique!

  • Minha relação com Fallout 4 está sendo bem maluca, mudei de opinião sobre diversos aspectos depois de horas de jogo, mas muito do que pensei ainda se mantem. Sou novo no canal, ouvi apesar um MotherChip ontem, então não sei identificar ainda quem é quem, hahaha, mas eu concordo quando foi dito que o jogo parece se isolar e não se comunicar com questões pertinentes do nosso mundo (seja de cunho social ou cultural). Esse isolamento tira um pouco de como o jogo poderia ser sobre “reconstrução” de um mundo para o jogador e para a trama. Não encontrei “aquela” quest ainda, estou me divertindo com as mecânicas (gerenciar comunidades, criar rotas de sucatas, melhorar a vida dos moradores, etc, são aspectos muito divertidos embora o sistema seja bem pobre para isso).

    Meu maior problema com o Fallout 4 foi aguardar um game que no fundo soa como mais do mesmo, não houve um choque e supresa como foi ao jogar Fallout 3, foi uma sucessão desapontamentos com relação aos detalhes, os detalhes importam muito (porra, podia ter um sistema de construção mais isométrico para as comunidades ou pelo menos ver suas pernas em primeira pessoa). Felizmente agora, no meio do jogo, percebi porque não tem um mapa no HUB é interessante, eliminar fatores que poderiam deixar o jogo arcade demais, deixar aspectos do jogo para o jogador descobrir e ter aquela pequeno momento de felicidade. Infelizmente apesar da trama instigar curiosidade, tudo ali dentro parece falho, você não entende o mundo como um organismo complexo e isso porque fica bem nítido que os personagens esperam o “messias” que você toma forma (“ei companheiro, você é a pessoa ideal para liderar nosso assentamento, uhu”), todos confiam ou odeiam você, não há espaço para ser verdadeiramente mal ou se provar digno de ser um líder antes de ganhar a confiança do povo errante.

  • Alexis

    Eu gosto muito dos textos do Rique, gosto muito do Rique em si e gosto também muito de Fallout. Eu concordo em grande parte com o texto, mas a gente sabe muito bem que é MUITO difícil o Rique gostar de um jogo Triple A. Mesmo no Podcast ultimamente ele próprio fala que não tem mais paciência para jogos assim e normalmente só tem “reclamado” mesmo dos Triple A, praticamente de todos quem sabe? Haha
    Como eu disse, eu gosto muito do Rique mas eu não acho que ele seja a melhor escolha para escrever sobre um jogo Triple A e ainda mais desse tipo como o Fallout é. A opinião pessoal dele prevalece muito mais que a analise do jogo em si como ele é.

    Sobre o jogo sem tentar dar muito spoilers, eu joguei desde o 1, 2, 3 e New Vegas.
    Em nenhum deles eu senti um aperto tão “forte” no peito como senti no 4, aquele começo você realmente se sente como se o mundo estivesse realmente “acabado”. Aquela introdução para te inserir no mundo, é diferente dos outros e ele se prende muito mais a nossa realidade, como eu disse para meu amigo, a realidade do Fallout é infelizmente completamente possível nos dias de hoje.

    Depois disso existe um “acontecimento” que te marca e dali é o ponto de ignição para o inicio do jogo. Não acho que os diálogos sejam rasos desde que eles sejam feitos, realmente você pode se isolar, pegar as melhores armas e ir “quebrando” tudo pelo caminho para melhorar tudo. Só conversar com pontos necessários do jogo e assim ir levando, mas tal como no mundo real, você pode ir pessoa por pessoa e se importando como cada uma delas.
    Desde a velhota da lanchonete a velhota maluca por uns entorpecentes haha eu acho que cada um tem a sua história… Mas eu acho que vai muito mais de você ir se importando com cada um deles do que realmente o jogo “te forçar” a se importar com eles… Mas ué, qual é a diferença disso para… tudo?

    O lance dos humanos sintéticos e a “necessidade” deles existirem é simplesmente fantástico, isso é colocado no jogo de um modo bem claro.

    Mas enfim, o jogo tem várias “historinhas” mas a main quest em si é excelente, o jogo tem bugs? É Bethesda né gente, tem empresas muito maiores que lançam jogos muito maiores e tem muito mais bugs e nem por isso são crucificados por isso.Bug hoje em dia updates resolvem, mesmo que sejam aos poucos. Eu não falei muito além das quests iniciais porque não quero dar spoilers e eu acho que vale sim totalmente ser jogado. Muita gente no grupo falando “Ah nem vou jogar então.”
    Não… Não façam isso.

    Entre Fallout 3 e Fallout 4 muitos jogos foram lançados e muitos jogos foram jogados, o nosso repertório sem dúvida hoje em dia é outro e com certeza nós acabamos tendo uma visão diferente do jogo. Será que se o Fallout 3 saísse hoje ele seria “tão bom assim?” Porque eu lembro que quando saiu muita gente falava “Ah nem joga o 3, joga só o New Vegas” e até hoje vejo muito isso.

    Então fica a pergunta, é o jogo ou somos nós mesmo que “absorvemos” diferente os jogos hoje em dia?

    • Ele “não é a pessoa certa” porque ele têm uma opinião? Você sabe muito bem que é ele quem esta escrevendo o texto. Você conhece o Henrique, acompanha ele, sabe dos gostos dele. É por isso que é interessante ler o texto DELE. Não consigo entender esse tipo de critica, como se por uma questão pessoal a pessoa X não está apta a escrever algo sobre um jogo que você gostou. Você gostou do jogo, isso não te faz mais apto que ele a dar uma opinião sobre a experiência que vocês tiveram sobre o jogo. Foram experiências diferentes. Que bom que é assim. Cada um pode contar a sua agora. Nenhuma é a certa. Até onde entendo o Overloadr nunca teve a proposta de fazer análises frias e imparciais sobre jogos nenhum. Até porque não acho que eles acreditem nisso (nem eu, e acho que nem você, se você parar pra pensar sobre o assunto).

      Obs. Eu nem joguei nem pretendo jogar esse jogo por enquanto. Mas gostei do texto, gostei de ler a opinião tanto do Rique quanto a sua.

    • Só pra deixar claro o que eu quis dizer. Acho ótimo que você venha discordar, pontuar, contra argumentar a análise do Henrique a partir da sua experiência com o jogo. Só não acho certo você vir dizer que ele não é a pessoa certa pra escrever sobre um jogo triple A.

      • Alexis

        Concordo com você, pensando por esse lado eu acho que nem eu e nem ninguém tem o direito de falar isso, sobre ele ser certo ou não.

        Mas é como você também disse é a minha opinião e nem chega a ser uma critica a pessoa Henrique, o texto do Rique é excelente e mesmo se ele escrevesse sobre lasanha congelada seria incrível. Em momento algum desmereci isso. Até fiz a relação com o podcast porque eu até cheguei a escrever um e-mail e eu acho que nem mandei, mas tem horas que acaba ficando meio “Ok Rique, já entendemos que você não gosta dos triple a haha.”

        Tentei nem dar a MINHA opinião pessoal direta sabe e sim analisar como um todo mesmo, o que eu mais tentei passar é, será que é o jogo mesmo ou nós mesmos que absorvemos as coisas de maneira diferente, entende?

        Mas enfim, eu acho que o mais importante é que a gente tem que se divertir seja um jogo de dois pontinhos no celular ou um jogo complexo como o Fallout e eu sinto que ainda faltando isso, não só por conta desse texto mas de modo geral mesmo.

    • Anderson Cardoso

      Olha já li muita coisa por aqui e até discordo (quase sempre) do que é escrito e concordo de certa forma sobre seu ponto de vista do Rique, apesar de gostar da maneira – as vezes até hiperbolica – de como ele vê os jogos como ele mesmo diz ‘menores’. Com certeza é o forte dele este tipo
      de game.

      Minha opinião sobre quem poderia ter escrito uma analise mesmo é o Heitor acho o cara super coeso na maioria das vezes nas opiniões mesmo não concordando 100%. Enfim achei justo
      até o texto do Rique não sendo uma Analise.

      Abs,

      • Márvio

        Nossa o Heitor seria difícil pra caramba de digerir rsrsrsrsrs Ultimamente em ambos os podcasts ele só tem coisas negativas para falar. Quase nada agrada o gosto pessoal dele.

  • Power Otaku-Kun

    Estou no nível 26 e já tenho mais de 30 horas de jogo. Lendo seu texto percebo que tenho alguns pensamentos meus sobre o jogo são semelhantes ao seu. Até o momento não consegui criar uma conexão com o mundo do jogo – a história ainda não me é muito claro em muitos pontos. E como o Heitor, acabo comparando muito com The Witcher 3 que apesar de ser uma história do Geralt, eu consegui ter uma imersão muito maior naquele mundo e aproveitar as 90 horas (contando com a ótima DLC do jogo) praticamente em sua totalidade.

    Por isso, no momento estou tentando terminar logo o plot principal e vender minha cópia de Fallout 4 do PS4. Talvez eu mude de ideia se eu for surpreendido alguma hora, mas até aqui minha expectativa está bem baixa.

    Parabéns pela analise.

  • luizpaulosantoscruz

    Otimo texto, realmente foi algo melhor que fazer um review com nota baixa.

    Eu não tenho DX 11 para jogar esse, então é meio facíl pra mim falar que não vou jogar, comparado a eu ter gostado tanto do New Vegas e dlc, que joguei esse ano.

    Mas eu acredito que os modders, principalmente o povo do Intersting npcs, que fez um trabalho sensacional em Skryim, em adicionar personagens e dublagem boas (mesmo que as vezes, dá para notar a qualidade do Skype) pondo pessoas naquele mundo que são muito melhores do que os npcs sem açúcar do Skryim.
    Tem umas quests que dei umas choradinhas, de quão bem feitinho ficou.

    E sobre a missão dos Ghouls, eu chorei duas vezes com aquilo, no mesmo ponto seu, e depois saindo daquele lugar, e naquele silêncio, e pensando se eu realmente fiz algo bom para eles.

    E na segunda, bom, está nos créditos falando do que aconteceu com eles.

    Tenho uma dúvida, seria víavel você e sendo Heitor ou Caio, fazer uma streaming tipo Dark Souls, do New Vegas ou o 1 e 2? claro, talvez não dê tanta audiência quanto Carlota´s sagas, e também estejam todos já cansados de Fallout por um bom tempo também, e também é mais provavél de um bug acabar a brincadeira, e mortes e tendo que carregar saves e saves, também seja um problema, e é meio longo também.

  • Pedro Henrique Bonalume Belink

    Só posso dizer que com 30 horas de jogo ainda não se viu quase nada do mundo de Fallout 4.
    Mas vendo pelo lado do personagem, imaginando que eu vejo meu filho ser sequestrado e minha esposa assassinada, a última coisa que vou pensar é se estou sendo “humano” ou dialogando o suficiente com pessoas que estão tentando me matar.
    O motivo de quase todo NPC querer te matar é explicado no decorrer da história.
    Mas se não fizer muita “merda” e tiver um carisma alto da até para levar uma vida pacifica e principalmente não precisaria matar a Bobbi, “mulher suspeita, que te contrata para invadir o cofre do prefeito”.

  • rodrigo

    Lendo o texto e os comentarios abaixo, se um jogo não te fisga com TRINTA HORAS , tem um serio problema ai Bethesda… Fico com aquela frase de review de um jogo, que esqueci quem a disse; “Eu não preciso comer um prato de merda para saber que isto é merda, basta uma colher”

  • Gwidyon Soares

    Interessante ver o ponto de vista assim, mas é fácil ver que como tantos outros review, esquecem que fallout 3 com seus inúmeros defeitos, grande parte dos quais tornam o jogo injogável pra boa parte das pessoas, e a negligência da equipe de design da bathesda como faz vez e de novo. Estou com 74 horas de jogo, e o fallout 4 me cativou mais do que os títulos anteriores jamais foram capazes. Acho que vejo a motivação das pessoas dizerem que o fallout 4 “não pertence” à franquia como os títulos originais são pessoas com medo de mudanças e inovações. Pra querer gostar de fallout 3 tinha-se que superar inúmeros problemas inerentes do jogo. Todos me dizem que o diálogo em fallout 4 quebra imersão, mas se esquecem que nos anteriores já não importava o que você escolhia de qualquer forma, os npcs já não mudavam em nada. A estética de fallout 4 é belíssima e muito mais imersiva que os títulos anteriores, e isso é uma mudança incrivelmente bem-vinda. então o que eu penso ao ler esse review é que o autor não jogou os títulos anteriores, ou se jogou, realmente foi só aquela vez quando era mais novo 16 anos atrás e não jogou de novo recentemente pra ver se sustentou o teste do tempo. Aquela velha história de que todos idealizamos aquilo que tínhamos no passado enquanto esquecemos que se fosse hoje não seria bom aos nossos próprios olhos mais amadurecidos. E que o recente é de fato sim encorpado e bem polido.É fácil dizer que as quest são vazias ou sem significado em comparação com a principal e você se sente quebrando a imersão ao não segui-la. mas sem as quests secundárias é impossível encontrar mais informações que você precisa e tal. Nisso a bathesda acertou na mosca, não da pra encontrar um filho sequestrado só por que você quer e muito menos tão rápido quanto na progressão do personagem, e é apenas natural que se tenha que explodir muitas cabeças pra chegar lá. Você está em um mundo pós apocalíptico e hostil, como todo RPG, invista pesado em charisma que você consegue ser mais passífico em quase todos os ângulos da progressão. 30 horas realmente não é nada em fallout 4, e lá na frente conforme progride na história você entende por que era apenas natural que não fosse encontrar as pistas que procurava rapidamente assim, a essência de todo fallout até hoje é que o jogo não te da nenhuma exposição sobre o mundo, toda essa é você quem encontra espalhada pelo mundo. Realmente me faz pensar se o autor aí conhece de fato algo sobre como os jogos fallout são construídos =p

    • Jair Carlos de Oliveira

      Vai me desculpar cara, mas a Behtesda resolveu reciclar o Fallout 3(que por sinal gosto muito): No três, você sai a procura do seu pai e no 4 o que temos? Você sai a procura de seu filho.
      Até aí, ok. Mas dizer que a narrativa do 4 é boa?! Sinceramente…
      O 4 está mais para um FPS num mundo pós-apocalitptico enão um game de uma franquia cujo norte principal é explorar a relação do homem diante de catástrofes quase inimagináveis.
      Esse foi uma bela bola fora da Beth!

      • Gwidyon Soares

        Cada um tem seu ponto de vista, mas honestamente, Fallout 3 é um FPS de MERDA, uma BOSTA de tiro, e não um jogo de tiro decente. mais problemas que soluções. a histtória é clichê, previsível, mal implementada e rasa. O mundo imersivo só ajuda até certo ponto. a história lixo não compensa pelo mundo só “meio bom” e imersão feita com desdenho e design péssimos.
        Sim fallout 4 tem a história ainda mais branda e ruim, mas pelo menos é um jogo infinitamente mais completo que o 3. É um jogo de tiro SÓLIDO, DIVERTIDO, ação boa! RPG é mais simples, mas RPG complexo não vende bem há quase 10 anos no mercado de games.

  • Fabiana Alonso

    Esse é o primeiro da serie que eu jogo… Realmente quem eu conheço que já jogou os anteriores dizem que esse jogo ficou vago em seus diálogos…eu estou achando um bom jogo, os modos de criação, a idéia de assentamentos, interagir com quase tudo, o mapa ser bem explorável.. Tem seus bugs q podem ser corrigidos com alguma att, mas tem sido um bom jogo, que demore muito para eu finalizar, pois jogos demorados assim são difíceis de sair…ainda mais sendo da Bethesda…

  • Rodolfo

    Perfeito. Eu joguei umas boas 20 horas achando que era pouco. Agora já são 67 horas e tenho que partir forte para a main quest antes de abandonar o jogo na metade. Eu sou super fã da série… mas FO4 é bem pobre para um jogo que ficou 7 anos em produção.

  • Rafael Chiamenti

    Assim que comecei jogar Fallout 4 fiquei com receio sobre sua história. Toda aquela vibe de “você é o unico sobrevivente de seu vault, que não possui personagens nem lore” me deu a sensação de estar naqueles RPGs de mesa com um mestre/jogador iniciante que faz um personagem “meus parentes estão mortos e sou um andarilho errante”. Isso por se só me deu uma brochada, mas tentei ignorar e seguir em frente. Depois de 20 horas de jogo, eu ainda tenho a impressão constante de estar fuçando nos detalhes de todos os computadores, notas, textos e diálogos procurando desesperadamente por uma narrativa que simplesmente não está lá.

  • Diego Moreira

    Olá Rique, senti uma leve contradição em seu texto quando você fala que na quest dos sintéticos, julgou que deveriam ser tratado como humanos, pois e certa forma demonstraram emoção e comportamento humano em suas súplicas. Por outro lado você diz que Fallout 4 “acaba se aproximando de um de seus sintéticos: uma máquina de sistemas complexos, imperfeita e incompleta, que apesar da inteligência, carece de uma alma. Um simulacro da humanidade que ele falha em invocar.” Então Fallout 4 é uma máquina imperfeita e sem alma, igual à aqueles com os quais vc se sensibilizou e decidiu que devem ser tratados como humanos?

    Mudando um pouco de assunto, eu acabei de fechar Fallout 3. Na minha opinião um dos melhores jogos da geração passada. As quests bem elaboradas, com histórias ótimas com direito a twists e assuntos que te obrigam a tomar um lado onde nem sempre todos saem ganhando. Quests como a da Vault com realidade aumentada, o mutante árvore, caçada aos escravos fugitivos, entre muitas outras… Todas muito bem fundadas no mundo que estão.

    Sobre Fallout 4, não joguei ainda mas as críticas parecem mesmo sempre chegar ao ponto onde o tempo que ele consome não vale a experiência que ele proporciona. Replicant Man é uma quest em Fallout 3 que também se trata de decidir entre libertar ou entregar um android humanoide. Acho válido repetir os temas, mas reciclar exatamente a mesma quest e objetivo acho que é falta de criatividade.

    • Também achei ser uma leve contradição lógica no argumento, apesar de não invalidá-lo. Bem apontado.

  • Eu tenho uma teoria. Vou falar minha teoria agora. Preparem-se. Lembro que o primeiro RPG de “mundo aberto” que joguei (nos padrões que conhecemos hoje) foi Shenmue. Não era massivo, mas possibilitava a navegação do ambiente e reconhecimento da mesma forma como reconhecemos o mundo real. Os personagens eram críveis e suas reações ao desenrolar da história faziam sentido naquele universo. No final dos anos 90 e início dos anos 200, o mero fato de um jogo utilizar o espaço virtual daquela maneira era incrível. Infelizmente, os jogos de RPG absorveram essa dinâmica como obrigatória. Tanto que hoje é difícil imaginar um RPG que não seja de mundo aberto/aventura.

    A minha teoria sobre o desgaste da fórmula é que ainda não atingimos o nível de inteligência artificial que fará com que tenhamos aquele mesmo momento UAU lá do final dos anos 90, o que acaba rendendo apenas experiências superficiais com ações e reações simples para com as escolhas dos jogadores. Eu sei que o heitor ama Witcher 3 e Dragon Age, mas eu senti os mesmos problemas: histórias que se desgastam e ficam cansativas com o tempo, onde a mecânica do jogo não sustenta a diversão pelas inúmeras horas que os desenvolvedores obrigam o jogar a jogá-la. Fica tudo meio enfadonho.

    E essa tendência não é exclusiva de RPGs. Jogos de ação como o novo Tomb Raider sofrem da mesma doença: Vamos colocar um monte de elementos aqui nesse jogo que na verdade deveria ser só sobre exploração de ambientes. Talvez esses desenvolvedores megalomaníacos deveriam olhar para jogos como UNDERTALE, JOURNEY e ORI AND THE BLIND FOREST e aprender a ter um foco central e não sair muito da curva. Ta. Não custa sonhar 🙂

  • Gustavo Freitas

    Eu tenho tido momentos excelentes com o fallout, mas a jornada tem sido chata.

    Parece um jogo orientado a eventos grandes, e todos os eventos são batalhas…

    Mas eu realmente estou gostando das informações que eu encontro nos terminais. Elas dão um pouquinho mais de profundidade na historia. Ainda não vou dropar o controle, ainda.

    • Jair Carlos de Oliveira

      Essa é a melhor parte do jogo: as histórias contadas através de holotapes, notas e terminais é infinitamente melhor do que a Main Quest e a maioria das quests secundárias. Caramba, até criar um Assentamento funcional (embora pouco profundo devido as restrições impostas pela Beth) é melhor que a Main Quest!! Tenho a sensação de que a Beth precisa trocar seu diretor criativo (oi Tod, estou falando com você, está na hora de mudar de ares 😉

  • Gui Tai Jacoby

    Realmente FO4 deixa muitas dúvidas e ideias. POr exemplo: O shun sabia do pai dele, não procurou o pai, usou o pai como experimento cientifico e quando descobre que está com câncer, simplesmente morre. Tá! Então toda a pesquisa dele, tantas mortes pra nada? Porque ele, sabendo que ia morrer, não criou um sintético dele mesmo e ao morrer pedisse aos cientistas para colocar as memórias dele no sintético e continuar as pesquisas se ele era o PAI? Meio estranho, nem ele acredita então no que criou?! Esse Shaun era um doente sem coração, manipulado por alguém que não sabemos. Poderia mter aprofundado a história, contando melhor sobre a vida do Shaun. O cara procura o filho, qnd encontra ele ta velho e pra morrer e dá de presente pro pai um sintético com defeito que ele mesmo fez questã ode dizer que era péssimo. hahahahaha ta loko. Me decepcionei. Minha opinião é que o final, qualquer um deles é realmente pobre. O final do Fallout 3 me deixou empolgado, realizado, missão cumprida, mas fallout 4 me decepcionou.