Podemos dizer que Gilliard Lopes, produtor da série FIFA, já é “da casa”. Com sua coluna Gamecraft, publicada mensalmente aqui no Overloadr, ele não deve ser um nome estranho para o leitor. E se colocarmos o seu PodQuest no currículo, as chances de você conhecê-lo só aumentam.

Veja outras listas de convidados do Overloadr:
Diego Castillo, desenvolvedor da Loud Noises
– André Asai, game designer da Loud Noises
José Osmar, artista da Loud Noises
Rafael Tota, tradutor de games
– George Schall, quadrinista da Fictícia

Abaixo você confere os cinco melhores jogos de 2014 na opinião de Gilliard.

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#5 Bravely Default (3DS)

Sabe quando você sente que um determinado game sintetiza perfeitamente todos os bons elementos de um gênero particular de jogos? Assim é Bravely Default, uma pequena joia ligeiramente obscura da Square Enix, e, na minha opinião, a mais sublime e definitiva celebração dos JRPGs, meu gênero favorito. O jogo preenche todos os requisitos para um bom JRPG: história épica e melodramática, personagens memoráveis, sistema de combate interessante, além de trazer inovações muito bem-vindas como o uso de Realidade Aumentada e o ajuste da frequência dos encontros aleatórios.

#4 Child of Light (Xbox 360, Xbox One, PS3, PS4, Vita, PC e Wii U)

Lindo e poderoso, leve e profundo nas medidas certas, Child of Light demonstra que a Ubisoft não está brincando em serviço com seus games que põem a arte em primeiro plano. Adicionando a isso um sistema de combate muito gostoso de aprender e dominar, companheiros e um mundo interessante para explorar, e uma história de fantasia bem contada, o resultado é uma das experiências de gameplay mais puras que tive este ano.

#3 Middle-Earth: Shadow of Mordor (Xbox 360, Xbox One, PS3, PS4 e PC)

Raramente um game consegue combinar um número grande de conceitos de design díspares em uma jogabilidade divertida e funcional. Middle-Earth: Shadow of Mordor é um desses games. A Monolith conseguiu implementar impecavelmente a movimentação de Assassin’s Creed, o combate corpo-a-corpo da série Batman: Arkham, e um sistema de geração automática de inimigos e quests surpreendentemente profundo e altamente “rejogável”. Shadow of Mordor nos lembra que um game não precisa ser dramaticamente original para ser bom. Ou, nesse caso, excelente.

#2 Wasteland 2 (PC)

Já vou logo avisando: provavelmente você não vai gostar de Wasteland 2. Uso para isso uma simples estatística inventada por mim agora mesmo: 90% dos jogadores atuais não são hardcore o suficiente para apreciá-lo. Se sentiu desafiado? Então tente passar pela primeira área do jogo, navegar nesse oceano de texto na tela, realizar as excitantes operações de falar com todos os rangers cinco vezes e cavar 18 buracos. Acredite, para alguns poucos jogadores (eu, incluso) esse é um sonho molhado.

Por quê? Ora, porque debaixo dessa camada aparentemente maçante existe um mundo pós-apocalíptico fascinante, decisões morais memoráveis e brutais, texto excepcional e um sistema de combate tático extremamente recompensador. Nada engrandece o meu espírito mais do que tomar uma paulada crítica, ter minha espingarda quebrada, ver um dos companheiros morrer e outro se virar contra mim, tudo num mesmo turno de combate. Ah, Wasteland! <3<3

#1 Dragon Age: Inquisition (Xbox 360, Xbox One, PS3, PS4 e PC)

Decisões: a vida é cheia delas. Conflitos: o mundo está repleto deles. O prazer carnal, ou a pureza espiritual? Quantidade, ou qualidade? Força bruta, ou finesse? Cada vez mais me encontro nesse mesmo dilema quando vou escolher qual game jogar. Quero satisfazer meus sentidos com ação frenética, mecânicas engenhosas e audiovisual exuberante, ou minha alma com contemplação, questionamento moral e crítica social?

Dragon Age: Inquisition, a mais nova obra da Bioware, não me pede para decidir; sacia com uma experiência profunda e larga todos esses meus anseios. O vasto e opressivo mundo do jogo é povoado por conteúdo delicadamente construído, que, apesar de sua gigantesca quantidade, nunca deixa a desejar em detalhamento e propósito. Dragon Age: Inquisition é implacável nas decisões que me obriga a tomar, generoso nos personagens memoráveis que me apresenta, sublime nos textos e diálogos, profundo na progressão, no crafting, na criação de personagens. É boxe e balé, ação e estratégia, comédia e tragédia. É a melhor e mais completa experiência de jogo que tive no ano, há vários anos, por muitos anos.