Não podemos negar que George Schall é um dos nossos desenhistas e roteiristas prediletos – se liga no trabalho dele que é maneiro -, além de uma participação bem legal no Bilheteria #09 e um ótimo texto para série 31 GAEMS, falando sobre Kentucky Route Zero.

Veja outras listas de convidados do Overloadr:
Diego Castillo, desenvolvedor da Loud Noises
André Asai, game designer da Loud Noises
José Osmar, artista da Loud Noises
Rafael Tota, tradutor de games
Gilliard Lopes, produtor de FIFA

Abaixo você confere os cinco melhores jogos de 2014 na opinião de George.

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​Esse ano foi difícil de lembrar os jogos muito bons que tinha jogado. Daí​eu vi uma lista do primeiro semestre e surgiram uns 20. Talvez isso diga algo sobre a indústria. Ou sobre o tipo de jogo que eu ando consumindo mais. Ou simplesmente mostra que depois de Julho a vida ficou tensa e eu não consegui jogar muita coisa mesmo. Ei, 2014: acabe, por favor. Eu vivi uns 3 anos condensados num só e 2015 não podia vir mais desejado. Quero jogar mais joguinhos, sabe? Além disso, eu fiz uma aposta que o Pelé não morria em 2014, então vamos logo com isso antes que eu perca essa cerveja artesanal que tá quase na minha geladeira.

​​Fract OSC

O ano começou bem com o lançamento dessa delicinha de puzzle musical de primeira pessoa, matando a saudade de AntiChamber, lançamento de Janeiro de 2013 que tinha me deixado bem feliz e satisfeito e não mais intelectualmente subestimado como na maioria das vezes com videogames. Veja só, amo puzzles de primeira pessoa. Eu gosto de jogos musicais. Gosto de jogos com atmosfera forte e visuais minimalistas. Eu gosto de fazer música com o meu computador. Adoro sons de sintetizadores a la Vangelis. ​”​PRONTO tá aqui o seu jogo: Fract OSC!​”​É bonito. Soa bonito. É super inteligente. E relaxa que é uma beleza.

​​Super ​Time ​Force

Esse foi bem antecipado. Eu quase chorei quando a Capy adiou esse jogo, mas agora entendo o porquê. Antes, o jogo tinha uma forma limitada de lidar com a volta no tempo. Agora é time travel extravaganza! Essa loucura de pegar Contra e botar as mecânicas de Braid nele só podia vir de gente doente como esse estúdio. Além disso o jogo é engraçado, e charmoso, e nas horas em que se torna repetitivo isso salva tudo. Nomes de personagens como Jeff Lepard. Melanie Gibson. Hehe. Hehehe.

​​Transistor

Transistor é um jogo novo da Supergiant, galera que fez Bastion, e é tipo Bastion com um sistema de customização de habilidades infinito (cada habilidade tem uma ação passiva e uma ativa, e as duas podem ser combinadas de formas diferentes), um ambiente futurista, uma trama de vingança e uma personagem principal que canta quando você segura o L1. Que mais eu preciso?

​​Shovel Knight

Shovel Knight foi uma surpresa boa. Conto nos dedos de uma mão os jogos atuais com estética 8-bit que não só imitam o material-base à perfeição, mas se apoderam da limitação técnica pra criarem uma identidade própria muito gostável e memorável. Esse conseguiu torcer meu nervo da nostalgia ao mesmo tempo em que me deu algo novo pra curtir. Vamos dizer apenas que estou há meses com as músicas de Shovel Knight na cabeça, e isso rola muito raramente comigo. Quem diria que o cavaleiro com a pá que eu esnobei fácil antes de ser lançado ia me causar tantos sorrisos.

​​Kentucky Route Zero Ato III

Deixei o melhor para o final. O que dizer dessas 4-5 horas de hipnose gráfica de narrativa noiada e brilhantemente bem escrita? (Na verdade eu já disse bastante aqui) Kentucky Route Zero é uma espécie de droga. Da mesma forma que Twin Peaks e as coisas do David Lynch em geral são. Os personagens, por algum motivo, continuam seguindo em diante não importa quanto sentido isso faça, e você faz o mesmo. As coisas são esquisitas e você simplesmente lida com elas. Depois de me decepcionar com tantos point-and-clicks que tentam te dar agência sobre histórias previsíveis e cheia de buracos, Kentucky Route Zero me encantou com o equilíbrio entre autoria e interatividade que estabelece durante os seus 3 capítulos e 3 viagens artísticas narrativas intersticiais paralelas (totalmente opcionais, e ultra válidas). Mal posso esperar pelo próximo capítulo e, mesmo a história não estando terminada, não poderia recomendá-lo mais.