No último final de semana aconteceu a sétima edição da Global Game Jam, maratona de desenvolvimento de games que, a cada ano, reúne milhares de desenvolvedores de jogos ao redor do mundo para produzir, em 48 horas, pequenos títulos originais baseados em temas específicos.

E o tema deste ano, como sempre revelado segundos antes do início da jam, foi uma pergunta: “O que fazemos agora?”.  Incitando escolhas e tomadas de decisões, o tema acabou dando origem a inúmeros text adventures com ramificações baseadas nas escolhas do jogador. A ideia de caminhos que se bifurcam estava presente, de uma forma ou outra, em inúmeros jogos.

Os brasileiros novamente estiveram entre os que mais produziram em todo o mundo, com mais de 300 jogos criados do nada, em um único final de semana. Embora muitos participantes veteranos de game jams tenham ficado de fora, como o pessoal da Pocket Trap, BitCake e Swordtales, e por uma boa razão (todos estavam ocupados trabalhando em seus próprios jogos: Ninjin: Clash of Carrots, Project Tilt e Toren, respectivamente), tivemos algumas boas surpresas neste ano.

Como tenho feito anualmente, na multidão de jogos produzidos, busquei os mais interessantes, bonitos e divertidos. Depois de diversas horas jogando um pouco de tudo, consegui listar meus 10 favoritos. São eles:

 

A Horrible NightCaptain Chip Sheep's Cheap ShipCollective KarmaCTL460K StationDial 9 for TrunkEchoesMy Other SelvesTodayTokyo 1923We Got Hacked

A Horrible Night

O pessoal do MiniBoss, provavelmente quem mais entende de Game Jams no Brasil (tanto que seus fundadores deram uma das palestras de abertura da GGJ 2015), saíram com um híbrido de “choose your own adventure” com RPG. Com uma arte linda, feita por Midio e Amora, com toques de Don’t Starve, o jogo traz um texto peculiar e uma série de tomadas de decisões, que alteram drasticamente o rumo da aventura, recheada de batalhas estratégicas.

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A Horrible Night

A Horrible Night

 

Captain Chip Sheep’s Cheap Ship

Além de um belo trava-língua, o jogo de André Asai (um dos idealizadores do 31 Gaems), André KentValentine Reina é uma série de minigames que se sobrepõem uns aos outros, dando origem a um caos incontrolável, que invariavelmente termina com o navio barato da ovelha do capitão Chip em pedaços.

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Captain Chip Sheep's Cheap Ship

Captain Chip Sheep’s Cheap Ship

 

Collective Karma

O jogo feito por três funcionários do estúdio gaúcho Aquiris também segue a linha de text adventure, focando nas escolhas morais de um habitante comum de Porto Alegre. Com um texto envolvente, o jogo simula as pequenas implicações morais do cotidiano, nos inserindo em situações que todos um dia já tiveram que lidar. O twist vem após cada escolha: o jogo revela a porcentagem exata das escolhas somadas de todos os jogadores que passaram por ali. É um alívio saber que o ser humano, em geral, ainda é bastante generoso e honesto.

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Collective Karma

Collective Karma

 

CTL460K Station

Criados por uma equipe de quatro rapazes na sede da PUC de Curitiba, CTL460K Station é um pequeno (minúsculo, eu diria) porém charmoso adventure de um astronauta que precisa resolver pequenos problemas em uma base espacial. Não é muito profundo ou duradouro, mas sua estética acaba compensando a brevidade.

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CTL460K Station

CTL460K Station

 

Dial 9 for Trunk

Feito por integrantes da Behold Studio (de Chroma Squad), Dial 9 for Trunk é um criativo jogo para dois jogadores (mas que também pode ser jogado por uma pessoa só) sobre um homem que está sendo sequestrado. Levado em um porta-mala semi aberto, ele precisa descrever o que vê do lado de fora do carro para o serviço de emergência, que por sua vez, precisa tentar localizar o veículo a partir de uma vista aérea da cidade, usando as referências do sequestrado como pistas. É tão criativo que seria perfeito como um minigame de WarioWare ou Mario Party no Wii U, usando duas telas.

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Dial 9 for Trunk

Dial 9 for Trunk

 

Echoes

O jogo do pessoal da Mudcrab Studio, de Recife, é um puzzle musical simples, mas instigante o suficiente para te prender por alguns minutos. No início de cada fase, o jogador é apresentado a uma sequência sonora, que deve ser reproduzida em uma constelação. Usando a intuição, é preciso transformar o som em um caminho linear entre as estrelas. Depois de um tempo fica previsível, mas com alguns novos twists, Echoes poderia se transformar num belo puzzle mobile.

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Echoes

Echoes

 

My Other Selves

Jogo feito por integrantes da Tlön (responsáveis por Soul Gambler, o qual já exploramos por aqui) e da Tiles, My Other Selves é um interessante puzzle de perspectiva isométrica e mecânicas sólidas. No papel de um homem perdido, temos que encontrar a saída de um labirinto repleto de obstáculos, os quais só podem ser superados com a ajuda de seus guias espirituais do candomblé, como Erê e Pombagira. Além de inteligente e com um quê de jogos obscuros de MS-DOS, o jogo tem seu próprio charme e personalidade.

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My Other Selves

My Other Selves

 

Today

Today, também feito na sede da PUC de Curitiba, é um pequeno jogo de gerenciamento de multidão no qual devemos decidir o rumo de uma manifestação. Seguir pacificamente ou entrar em conflito com a polícia? A ideia é boa, a música é excelente e o visual minimalista tornam Today um jogo interessante, mas descobrir a melhor alternativa para vencê-lo acaba tornando evidente as falhas de suas mecânicas.

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Today

Today

 

Tokyo 1923

Feito por uma equipe paulistana, o jogo de plataforma com visual pixelado remonta o terremoto de Kanto de 1923, nos colocando no papel de dois sobreviventes que, unindo esforços, ajudam outros indivíduos. Apesar da simplicidade de suas mecânicas, trata-se de um joguinho singelo e delicado sobre generosidade.

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Tokyo 1923

Tokyo 1923

 

We Got Hacked

Feito na sede brasiliense da Behold Studios, We Got Hacked é um puzzle em que é preciso analisar anagramas para identificar e impedir uma possível vítima de hacking. Embora a mecânica envelheça rapidamente, as referências divertidas e a pressão feita sobre o jogador ajudam a tornar a experiência interessante.

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We Got Hacked

We Got Hacked

  • rodrigo

    .o
    CTL460K Station e o Captain Chip Sheep’s Cheap Ship, são jogos que facilmente jogaria

  • Pô, bacana saber que existe um representante aqui de JP fazendo bonito nessas jams. Infelizmente o estado não dá suporte para essa atividade (por motivos óbvios de falta de demanda, mesmo acadêmica, e ausência de recursos, o que não só impede a existências de mais cursos de games como bons cursos em áreas como Arte e Design), mas é MUITO bom saber que tem gente se esforçando pra fazer o que gosta. Além do mais, todos os jogos tem ideias bem interessantes, darei uma olhada neles.

    • Leandro Abrahão

      Salve Arthur, sou o Leandro da Equipe de Games em João Pessoa.

      Estamos tentando mudar essa situação no nosso estado! Se você também produz games, ou é interessado pela área, entra em contato.

      Abraços

      • KauCaze

        Echoes não foi desenvolvida pela Mudcrab Studio de Recife?

        • Leandro Abrahão

          Olá KauCaze, a Mudcrab Studio possui um pessoense em sua formação. O que nos faz participar constantemente de atividades em João Pessoa, como workshop de level design que demos na Gracom e o Open Meeting que participamos no Centro Universitário de João Pessoa.

  • AHMULEK, fernandão emplacando mas um game por aqui o/

  • Gustavo Dort

    Puxa, fiquei muito feliz que nosso jogo foi escolhido (Collective Karma).

    Só duas erratas:
    1) A jam é de 48h, não 72h;
    2) A Aquiris registrou uma sede privada e cedeu aos funcionários as instalações e estrutura para que pudéssemos fazer o jogo. Embora feito por três funcionários da mesma, o jogo em si não é da Aquiris.

    Ótima matéria!

    • riquesampaio

      Corrigido, Gustavo 🙂

      • Gustavo Dort

        😀