Alguns jogos prometem muito e não entregam nada nem perto do que disseram que fariam. Jogos assim, mais do que ruins, são decepcionantes e acabam caindo no esquecimento mais rapidamente do que aqueles que são realmente terríveis, afinal, horrores ficam em nossas mentes para sempre, enquanto a mediocridade é apagada.

Felizmente, a safra de jogos decepcionantes de 2015 não foi particularmente longa, porém ela certamente existiu. Para o prêmio de Jogo Mais Decepcionante de 2015, limamos a lista daqueles jogos que não corresponderam à expectativa, chegando a essa lista com três nomes:

EvolveThe Order: 1886Shelter 2

The Order: 1886

Após um ano fraco em 2014, The Order: 1886 parecia ser aquele que realmente nos mostraria a que essa atual geração veio. Lançado no início do ano, o jogo já havia em prévias demonstrado ser muito bonito, de uma forma que títulos dos consoles anteriores não teriam como ser, e sua premissa de um século 19 povoado por bestas mitológicas soava interessante. Na prática, recebemos uma aventura de tiro em terceira pessoa genérica que constantemente retira o controle de nossas mãos, nos obrigando a caminhar lenta a vagarosamente por cenários que – mesmo que bonitos – não possuem nada. Para completar, existem duas lutas de chefes repetidas e tudo termina sem nenhuma conclusão, dando a sensação de que nada significativo ocorreu. A única coisa boa é que The Order: 1886 dura pouco, porque mais tempo disso seria tortura.

Assista ao Shuffle de The Order: 1886

 

Shelter 2

O primeiro Shelter é um jogo maravilhoso. Além de ser inteligente em seus desafios e fazer com que nos importemos com nossos filhotes, o final da aventura altera toda a sua perspectiva do que viu, deixando claro que “bem” e “mal” são muitas vezes questão de ponto de vista. Pode até ser que Shelter 2 ofereça um momento como tal, mas mudanças em sua estrutura nos impediram de encontrá-lo. Desta vez em um mundo aberto que não possui direções certas, o vagar de um lado para o outro caçando alimentos e fugindo de animais selvagens é, pura e simplesmente, chato. Na maior parte do tempo não há nada acontecendo, temos apenas o vazio como companhia. Além disso, o estilo visual não funciona muito bem para ambientes tão abertos, por vezes só nos deixando confusos quanto a o que estamos vendo.

Assista ao Shuffle de Shelter 2

 

Evolve

Vocês se lembram de quando Evolve mudou a cara dos eSports e como agora é só ele que jogamos em partidas competitivas de videogames? Okay, o jogo não ter sido abraçado pela comunidade dos esportes eletrônicos não foi muita surpresa, por mais que a desenvolvedora estivesse desesperadamente empurrando-o dessa forma, mas o que é surpreendente é o quão rápido ele foi esquecido. A ideia de Evolve parecia boa, mas não era preciso mais do que três ou quatro partidas, estivesse você na pele do monstro ou dos caçadores, para que as limitações do jogo ficassem claras. Os rounds são um pega-pega constante e cansativo, como se os personagens estivessem em uma ciranda interminável, ocasionalmente alcançando sua presa. Rapidamente essa estrutura se tornou repetitiva e a variedade de monstros e personagens não ofereceu soluções a isso, especialmente por conta de desequilíbrios que havia nas habilidades entre alguns deles. Uma maior quantidade de figuras a serem usadas talvez ajudasse, mas Evolve foi vítima de uns piores planos de pré-venda e DLC em recente memória, picando o conteúdo do título extensivamente e cobrando separadamente por toda e qualquer coisa.

Assista ao Shuffle de Evolve

 

E o vencedor de Jogo Mais Decepcionante de 2015 é:

 

The Order: 1886

The Order: 1886 poderia ter sido o início de uma nova e interessante franquia, mas, sinceramente, não nos importaremos muito se uma continuação nunca for lançada. Mesmo com um cliffhanger gigante, o trabalho da Ready At Dawn falha em empolgar, fazendo com que não tenhamos vontade de questionar o que há mais neste mundo concebido por ela. Ao almejar ser “cinematográfico”, o que por si só é um objetivo fraco a videogames, The Order: 1886 falha tanto em ser um jogo quanto em ser um filme. O resultado é um híbrido que é um tédio desprovido de personalidade.

The Order: 1886

The Order: 1886

Quer saber como chegamos a essa escolha? Ouça a primeira parte de nossos podcasts especiais de fim de ano e acompanhe nossas discussões.

Nota: Por motivos claros, só consideramos jogos que ao menos uma pessoa da equipe tenha jogado e possa falar com propriedade.

  • Patrick

    Metal Gear V entraria perfeitamente nessa lista, maior decepção do ano. Os outros nem considero decepção pq já não havia o que se esperar deles. Agora o MGSV teve mta promessa, mto marketing mas o produto final…

  • Domingos Junior

    Por mais que eu tenha ouvido o programa achei sensacional a matéria, viu atrás das outras categorias 😉

  • Marcelino Pinheiro

    The Order não é o pior jogo dentre os três mencionados, mas é a maior decepção sim… pois era bem mais esperado que os concorrentes. Talvez, se tivessem lançado ele pela metade do preço o estrago não seria tão grande… ou seria?

    • Lordjax Jax

      Ele tinha vários outros problemas alem do excesso de Hype, historia confusa,chefes repetidos, fraco fator replay,muita Qte e cutcene,pouca duração, e falta de interação com cenário.Esses defeitos foram unanimidade na maioria dos reviews que vi, mesmo se baixassem o preço os problema iriam continuar…

      • Marcelino Pinheiro

        Preferi jogar a ler reviews. Já havia decidido compra-lo pelo que havia sido mostrado até então. Os outros dois jogos não me decepcionaram pois nem chegaram a me chamar a atenção. Por isso para mim é o mais decepcionante dentre os três.

        • rodrigo

          Ele parece um point click mais interativo..

  • Vinicius Siviero

    Só tenho agradecer a vocês pois só comprei o The Order numa promoção e nem fiz questão de comprar os outros. Pelas analises bem feitas, poupei meu dinheiro e tempo.

  • diego borin

    Arriscando ser odiado aqui, mas… Pra mim a existência dessa categoria vai contra tudo o que o overloadr foi criado para. É uma categoria sobre marketing, não sobre jogos – uma categoria sobre máquina do hype e sobre ser o tipo de consumidor acéfalo que os criadores de “Rise of War 3: White Man With Brown-Hair Shooting at Aliens” querem que o público continue sendo. Que o estado do pensamento crítico sobre videogames num geral é essa sopa ralinha aí, todo mundo já sabe… Mas justamente de sites como esse que eu esperava mais. Beeeeem mais.

    Sei lá, fiquei decepcionado. Tem uns momentos que o site é tudo que eu quero de um site sobre jogos, mas tem outros momentos em que eu fico me questionando se essa perspectiva “gamista” não é incurável (outro exemplo recente: Teixeira no Bilheteria falando que “é impossível que esses top 50 discos sejam realmente os favoritos do ano pros caras da pitchfork, é tudo estranho e nada mainstream”, esse tipo de passagem que deixa claro a mentalidade de Entretenimento-em-Primeiro-Lugar endêmica da área de jogos e que quando colocada em outras mídias soa como… casual, pra usar o termo ~dos games~). Espero que entendam minha opinião e não achem que é hate gratuito nem nada do tipo.

    • rodrigo

      QUE?

      • Alexander Smith

        traduz para min oq eles quis dizer kkkk

    • Weslley Ngr

      Ta certo…
      i think.

    • Heitor De Paola

      Oi Diego,

      Não se preocupe, não me parece de forma alguma que tenha soado como “hate gratuito”.

      Nós conversamos um bocado sobre essa categoria antes de a deixarmos presente. Foi a mais próxima de não existir pois o Rique era bastante contra, por motivos bem similares aos que você apresentou.

      E eu concordo em parte com o que você diz. A decepção sentida por um jogo é, parcialmente, proveniente daquilo que antes nos é prometido e claro que o marketing de tal produto está envolvido nisso.

      Mas o que tentamos incluir foi também nossos ânimos diante dos jogos, o que eles representavam e o que eles pretendiam oferecer vs como foram recebidos. Eu estava legitimamente curioso com The Order. Era o primeiro “grande” jogo depois de um ano decepcionante e parecia que ele abriria as portas para sentirmos que havia uma justificativa nessa atual geração. O resultado foi o que foi. Evolve, por sua vez, também pecou por motivos diferentes. Tratava-se de uma ideia que parecia interessante e que nos agradou em sessões de preview que tivemos. Uma vez que pegamos o produto final em mãos, ficamos decepcionados com o quão raso aquilo presente era e pela quantidade de conteúdo presa atrás de barreiras infinitas e micro-transações.

      De novo, não acho que você esteja incorreto na asserção de que parte da decepção é proveniente do espírito criado por campanhas de marketing. Mas mantivemos a categoria porque acreditamos que ela representa mais do que isso.

    • Kaue Fonseca

      Cara, concordo contigo.

  • Weslley Ngr

    Metal Gear Solid V The Phantom Pain para mim continua sendo a maior decepção desse ano por diversos motivos e um deles está em uma outra categoria.

    Mas dentre os três citados, estou de acordo com The Order ser a maior decepção.

  • PauloHDSousa

    Gente.. não sei aonde perguntar, mas lá vai. Alguém aqui ainda joga o Titan Fall?