Com aparente maior frequência do que outras mídias, videogames dialogam com constância com o bizarro, seja isso de maneira escancarada quando Francis York Morgan, de Deadly Premonition, conversa com Zach, ou de maneira mais contida, quando Ryo Hazuki, de Shenmue, sai por aí perguntando sobre o paradeiro de marinheiros, como se isso fosse a coisa mais normal do mundo.

Dentre os diversos jogos lançados em 2015, limamos a lista e chegamos a três que consideramos os mais esquisitos deste ano que em breve nos deixará. Eles são:

UndertaleThe Magic CircleSylvio

 

Undertale

Talvez a maior surpresa de 2015, Undertale possui uma série de características surpreendente boas, como personagens muito bem desenvolvidos, um sistema de batalha que se reconfigura constantemente, uma história tocante e muitas outras coisas mais. Mas, em meio a tudo isso, Undertale nunca se esquece de não se levar totalmente a sério, criando situações cômicas e bizarras, que nos pegam completamente de surpresa. Do datingsim mais desconfortável de sua vida ao fato de que de repente estamos carregando filhotes de cachorros demais para conseguir pegar um item, Undertale consegue constantemente não se assentar no familiar, usando do estranho para que estejamos a cada momento sorrindo com algo inesperado.

Assista ao Shuffle de Undertale

 

The Magic Circle

Um jogo dentro de um jogo. Essa é a premissa de The Magic Circle, que nos coloca na pele de um personagem (ou de um jogador controlando um personagem?) dentro de um jogo atualmente em desenvolvimento, que sofreu diversas modificações no decorrer dos anos. De um mundo de fantasia saltamos para uma base espacial em baixa resolução, resto de um projeto antigo largado por lá, encontrando subitamente olhos gigantes que representam aqueles que estão ativamente desenvolvendo esse mundo. The Magic Circle é qualquer coisa menos óbvio e, em sua bizarrice, encontra maneiras de fazer comentários contundentes sobre o processo de criação. Ah, e você também pode transformar zumbis em teletransportes.

Assista ao Shuffle de The Magic Circle

 

Sylvio

Alvo das piadas mais infames do Overloadr, Sylvio é um jogo criado por um sueco sobre uma especialista em áudio que investiga um parque abandonado, no qual dezenas de famílias foram mortas, usando um microfone de alta sensibilidade para captar a voz dos mortos. A engenharia de som é maravilhosa e arrepiante, e as mecânicas envolvendo manipular as gravações tornam sua experiência sinistra e perturbadora. De resto, ele possui um design esquisito por motivos incompreensíveis. Armas? Sylvio possui uma pistola que lembra a “pipe pistol” de Fallout 4, funcionando a gás, capaz de disparar parafusos contra sombras gigantes e bolhas pretas flutuantes, além de “batatas” que a protagonista guarda em seu porta-malas. Resolução de puzzles? Tudo tem solução fácil, desde que você consiga entender a bizarra lógica que nos impede de saltar morros do tamanho de nossa cintura, mas que não barram o personagem de carregar sem problemas pranchas duas vezes o seu tamanho. É certamente não intencional, mas Sylvio é muito estranho.

 

E o vencedor de Jogo Mais Estranho de 2015 é:

 

The Magic Circle

Se tudo que The Magic Circle fizesse fosse ter a premissa inusitada, ele não estaria aqui. Mas, em vez de ser esquisito pelo simples prazer de o ser, essa ambientação fora da normalidade é necessária para que o jogo diga o que quer dizer. Até mesmo a troca de propriedades entre os monstros vistos – que nos permite transformar zumbis em teletransportes, claro – é cabível dentro desse universo. Por isso, The Magic Circle é para nós o jogo mais estranho de 2015.

The Magic Circle

The Magic Circle

Quer saber como chegamos a essa escolha? Ouça a primeira parte de nossos podcasts especiais de fim de ano e acompanhe nossas discussões.

Nota: Por motivos claros, só consideramos jogos que ao menos uma pessoa da equipe tenha jogado e possa falar com propriedade.

  • Henrique Tavares

    hey, posso perguntar pq vcs decidiram não fazer em vídeo esse ano?

    • Heitor De Paola

      Estamos preparando outros conteúdos em vídeo para tentarmos algo diferente desta vez, daí acabamos por decidir não fazer os vídeos como fizemos no ano passado. Ainda teremos vídeos com nossas lista individuais, no entanto.

  • Jonathan Menegalli

    quem fez essas artes em pixel art nas capas dos posts de premiação? eu quero!

    • Heitor De Paola

      São retiradas de jogos japoneses de PC antigos, a maior parte dos anos 1980.

      • Jonathan Menegalli

        Eu dei uma pesquisada e achei umas aqui, to usando uma como papel de parede já.

  • Vinicius Taborda Duarte

    Sinto que se um de vcs tivesse jogado Beginners Guide essa lista estaria pouco diferente (e sem Sylvio :v).

  • PauloHDSousa

    E aquele jogo que o Henrique jogou aonde era um taxi que rodava no meio da pista?

  • Gustavo Freitas

    Ainda acho que I Am Bread é o vencedor obvio e sem comparação. Nada é mais estranho do que ser um pedaço de pão em um jogo…