Um bom personagem depende imensamente de sua construção, de suas ações e do ambiente no qual ele está inserido. Mas, em cima disso, há um toque que pode transformá-lo de bom para memorável: uma atuação de qualidade.

Já faz tempo que videogames são acompanhados de trabalhos de atores excelentes, que fazem com que lembremos de certos personagens com um carinho maior. É difícil pensar em Nathan Drake sem associá-lo com Nolan North, ou em Joel, de The Last of Us, com Troy Baker.

Dessa forma, nesta categoria pensamos nas atuações que mais nos marcaram, apresentaram melhor qualidade e, como um todo, tornaram mais ricos os jogos em que estavam inseridas. Após reduzir a lista de melhores atuações de 2015, chegamos a três finalistas.

Her StoryLife is StrangeBatman: Arkham Knight

 

Viva Seifert – Hannah Smith em Her Story (Shuffle e Análise)

Her Story não existiria sem Viva Seifert. O título é inteiramente focado na atuação dela, que é quase uma conversa com o jogador feita através de arquivos de vídeos policiais. Apesar de todas as cenas serem gravadas em uma mesma sala, pois temos acesso apenas a trechos de interrogatórios, Seifert apresenta uma variedade de facetas impressionante e os pequenos toques que foram dados pelo atriz são chave na compreensão da história.

 

Courtney Wagner – Max em Life is Strange (Shuffle e Análise)

Max, a protagonista de Life is Strange, é constantemente assolada pelo conflito entre o desejo de se impor e os medos que a impedem de fazer isso. O limiar entre essas duas emoções e a aflição proveniente disso são lindamente transparecidos por Courtney Wagner, que dá voz à garota. Há uma incerteza no timbre de suas falas, uma vontade imensa de berrar ao mundo o que ela acha, que é amarrada por algo mais forte que a segura. O alcance de Wagner fica claro quando, em contraste a isso, Max se fecha em seus pensamentos e os elabora sem a preocupação de que sigam uma linha lógica ou soem ridículos.

 

Mark Hamill – Coringa em Batman Arkham Knight (Shuffle e Análise)

Mark Hamill já deu sua voz ao Coringa dezenas e dezenas de vezes. Mas, em Arkham Knight, uma espécie de despedida do Cavaleiro das Trevas nos videogames (ao menos dessa série) há algo de especial. O Coringa não aparece de forma física, apenas como uma alucinação na mente do herói de Gotham e, dessa forma, é capaz de canalizar ideias e fatos que ferem diretamente Batman. Isso confere uma liberdade que faz com que o vilão possa explorar não só sua loucura habitual e exagerada, mas uma em que é mais incisivo e, de alguma forma, ainda mais cruel. E, junto disso, está um belo trabalho por parte de Mark Hamill, trazendo uma profundidade diferente ao personagem da dada nas vezes anteriores em que ele o encarnou.

E o vencedor é

Viva Seifert

Viva Seifert é a alma de Her Story. O jogo é inteligente e bem elaborado, nos fazendo querer cavar cada vez mais fundo e aprender os detalhes da história que se desvela diante de nossos olhos. Porém, não fosse a fascinante atuação de Seifert, não teríamos ímpeto de seguir em frente. Her Story, no fim das conta, é sobre o entendimento de uma figura e o que a levou a fazer algo terrível. Seifert nos conduz através desses fatos e nos cativa do início ao fim.

Quer saber como chegamos a essa escolha? Ouça a segunda parte de nossos podcasts especiais de fim de ano.

Nota: Por motivos claros, só consideramos jogos que ao menos uma pessoa da equipe tenha jogado e possa falar com propriedade.

  • Márcio Barbosa

    Bom texto. Agora o nome da personagem de Her Story não é um spoiler?

  • Caio Liz

    Queria falar que o nome da atriz que faz a Max em Life is Strange na verdade é Hannah Telle! Courtney Wagner é uma personagem em Life is Strange também feita pela Hannah Telle 🙂