Um bom design de som pode alterar toda nossa percepção sobre como nos inserimos dentro do mundo de um jogo. É em parte graças a essa característica que a Ishimura de Dead Space por vezes parece viva e nos observa, ou por que Battlefield 3 faz com que nos sintamos de fato em meio a uma guerra caótica e imensa.

Dentre todos os jogos que tiveram um brilhante trabalho com seu design de som, selecionamos os três que consideramos terem feito isso melhor do que ninguém. Os títulos nessa lista são:

SOMASylvioStar Wars: Battlefront

 

Star Wars Battlefront

É verdade que Star Wars Battlefront tem a vantagem de poder usar aqueles que provavelmente são os efeitos sonoros mais reconhecíveis e legais da história da ficção. No entanto, o mérito do jogo não é menor por conta disso, pois ele os utilizou muito bem. Os disparos de blasters, os barulhos feitos por AT ATs e, especialmente, o “berro” produzido pelo motor das TIE-Fighters, tudo isso está presente de maneira impecável em Battlefront, tal qual lembramos de ouvir nos filmes. O resultado disso é que as batalhas se tornam mais críveis, por assim dizer, parecendo perfeitamente cabíveis de serem cenas da trilogia original.

 

Sylvio

Sylvio, de certa maneira, é engenharia de som. A mecânica principal do jogo envolve andar por um parque abandonado com um microfone especial, ouvindo vozes de espíritos de pessoas mortas. Nós já ouvimos sons de falecidos em diversos outros jogos, mas em Sylvio eles recebem um tratamento diferenciado, aparecendo como a estrela do jogo. Há também um contraste chamativo entre os momentos que andamos sem o microfone e de quando o ativamos, imediatamente inundados por uma camada sensorial extra de barulhos, como se tivéssemos mergulhado em uma piscina que está sempre ao nosso redor, mas que nunca percebemos.

 

SOMA

SOMA é às vezes claustrofóbico devido ao modo que utiliza o som. A opressão do oceano em nossa volta e a proximidade dele quando estamos vagando pelo fundo do mar apenas com uma roupa submarina é palpável, majoritariamente por conta de nossa percepção auditiva alterada, muito bem transparecida pelo som do jogo. Além disso, existem momentos que só funcionam devido a como o título soa, saltando especificamente à mente um momento que devemos escapar de um monstro que nos persegue apenas quando olhamos para ele, sendo assim necessário entendermos aonde ele está de acordo com o que ouvimos.

 

E o vencedor de melhor design de som de 2015 é:

 

SOMA

SOMA nos transporta a outra realidade e, por conta de como trabalha com seus sons, se fecharmos os olhos por alguns segundos é capaz que esqueçamos de onde estamos. Talvez a brincadeira mais interessante feita com isso seja a de transparecer a sensação de que estamos em um mundo alienígena, quando, na verdade, estamos apenas no fundo do mar. Distantes o suficiente do que é comum, a Frictional Games pôde pegar elementos que em sua superfície são familiares, porém, também fazendo uso daquilo que entra em nossos ouvidos, nos causar estranhamento constantemente.

Quer saber como chegamos a essa escolha? Ouça a primeira parte de nossos podcasts especiais de fim de ano e acompanhe nossas discussões.

Nota: Por motivos claros, só consideramos jogos que ao menos uma pessoa da equipe tenha jogado e possa falar com propriedade.

  • PauloHDSousa

    O prêmio de “jogo que perdeu na categoria que foi criado” vai para : Sylvio

  • El Luchador

    Ainda prefiro o cuidado tomado com Battlefront.
    Imersão define.