O desenvolvimento de games no Brasil decolou, e 2015 nos mostrou isso com clareza. Com bons jogos brasileiros lançados no decorrer de todo o ano, foi difícil escolher um top 3, algo impensável num passado recente, tanto pela escassez de jogos nacionais quanto pela falta de títulos que realmente se destacavam. Além de uma maior experiência de estúdios e equipes independentes, vimos empresas já estabelecidas se direcionarem à produção de títulos autorais, em vez de advergames, que no passado era uma das poucas alternativas de negócio viável no Brasil.

Aqui no Overloadr, abordamos dezenas deles, além das muitas histórias de desenvolvimento e dedicação. Nossos favoritos de 2015, contudo, são estes:

Chroma SquadHorizon ChaseOdallus: The Dark Call

Chroma Squad (Análise e Shuffle)

A ideia por trás de Chroma Squad e sua abordagem cômica tornam o jogo da brasiliense Behold deliciosamente divertido e original. No comando de um estúdio de TV especializado em super sentais, temos a tarefa tanto de conduzir os negócios quanto de filmar os episódios, o que se dá na forma de combates táticos em turno. Ainda que o jogo sofra um pouco com uma certa superficialidade em suas mecânicas, a mistura de gêneros, a produção charmosa, seus temas em sintonia com a sociedade e a liberdade de expressão dada ao jogador fazem de Chroma Squad um dos jogos brasileiros mais criativos e ambiciosos já produzidos.

Horizon Chase

O estúdio gaúcho Aquiris acertou em cheio ao resgatar o estilo de jogos de corrida clássicos, como os ingleses Top Gear e Lotus Turbo Challenge. Além de emular suas dinâmicas, com simplicidade e desafios nas medidas certas, Horizon Chase brilha com um lindo visual estilizado. Seus percursos, espalhados em cidades ao redor do mundo, foram construídos com esmero, alguns deles com suas próprias dinâmicas climáticas e passagem de tempo. Ele nos lembra que jogos de corrida podem ser simples e continuarem tão divertidos e visualmente marcantes quanto os títulos mais realistas e grandiosos do gênero.

Odallus: The Dark Call (Análise e Shuffle)

Odallus carrega o que há de melhor nos “metroidvania”: um level design inteligente, um senso de exploração instigante, senso de progressão satisfatório e desafios equilibrados. Ao mesmo tempo, faz isso à sua própria maneira, mesclando um sistema próprio de seleção de fases e checkpoints, mais aos moldes de Ghosts ‘n Goblins. Com mecânicas que conversam entre si, uma bela pixel art e uma cara oitentista legítima, Odallus: The Dark Call coloca a JoyMasher entre os estúdios melhor entendem as qualidades das gerações 8 e 16-bit.

E o vencedor é…

Horizon Chase

A Aquiris foi capaz de entender o competitivo mercado mobile e se destacar nele, sem que para isso precisasse seguir fórmulas prontas de sucesso ou clonar algum jogo popular. Conseguiu também criar um título puro e equilibrado, sem a interferência invasiva do modelo free-to-play. Horizon Chase carrega seus próprios méritos, conseguindo ser atraente tanto aos saudosistas quanto ao público que nunca teve contato com os jogos que lhe serviram de influência.

Quer saber como chegamos a essa escolha? Ouça a segunda parte de nossos podcasts especiais de fim de ano e acompanhe nossas discussões.

Nota: Por motivos claros, só consideramos jogos que ao menos uma pessoa da equipe tenha jogado e possa falar com propriedade.

  • O pior que você não produziram nada no site para falar dele.

    • Heitor De Paola

      Tentamos fazer captura do iPad, mas não foi possível. A menção ao jogo ocorreu em alguns podcasts, dois ou três, se não me engano.

  • Odallus foi um dos jogos que mais curti esse ano… Não sou tão fã de jogos de corrida, mas mesmo assim tenho jogado bastante o Horizon Chase. Joguinho impecável!