É importante celebrar o novo, principalmente em uma indústria como a dos games, tão apoiada nas mesmas franquias. E são seus personagens que inserem, em meio às mecânicas, os elementos mais humanos, com os quais conseguimos nos identificar. Os melhores personagens são aqueles que crescem, amadurecem e se transformam, perante adversidades e conflitos, e no processo revelam suas forças e fraquezas — seus medos, desejos, virtudes. Em 2015, não por coincidência, os personagens mais bem construídos vieram de jogos de grande força narrativa — dois deles, protagonizados por mulheres.

Vamos aos indicados:

Life is StrangeBloody Baron - The Witcher III: Wild HuntHer Story

 

Max Caulfield – Life is Strange

A protagonista do jogo francês da Dontnod, é uma adolescente repleta de dúvidas sobre seu futuro. Isso se torna particularmente interessante por conta de sua capacidade inexplicável de retroceder no tempo, que a permite tanto “prever” o futuro imediato quanto realizar algumas façanhas espaço-temporais. Mas é sua personalidade contida e sua timidez, em contraste com suas grandes virtudes e compaixão, que a tornam tão humana, profunda e admirável.

Assista ao Shuffle do episódio 1 de Life is Strange

Bloody Baron – The Witcher III: Wild Hunt

Responsável por um dos arcos dramáticos mais interessantes do grandioso RPG do estúdio polonês CD Projekt Red, o Bloody Baron é uma figura controversa. Conforme investigamos sua história, sua segurança e hospitalidade inicial é substituída por agressividade e medo, evidenciando os crimes cometidos por ele. Quando você descobre a verdade por trás do conturbado relacionamento com sua esposa, o homem entra em um estado deplorável de arrependimento e culpa, o que o leva a se redimir.

Assista ao Shuffle de The Witcher III: Wild Hunt

Hannah Smith – Her Story

Her Story é praticamente um monólogo. Hannah começa como uma mulher comum, depondo à polícia sobre o desaparecimento de seu marido. Conforme testemunhamos sua história, juntando os fragmentos que a compõem, nos deparamos com uma figura cada vez mais ambígua, cujo passado e vida pessoal é amplamente escancarado a nós. O que é verdade e o que é invenção? Quem ela realmente é? Quando as perguntas começam a ser respondidas, Hannah se torna uma pessoa real, uma da qual você teme e admira profundamente ao mesmo tempo. A atuação da atriz Viva Seifert só contribui para à mistura de sentimentos conflituosos que temos por Hannah ao final da experiência.

Assista ao Shuffle de Her Story.

E o vencedor do prêmio de Melhor Nova Personagem de 2015 é:

Hannah Smith – Her Story

É incrível que um jogo sobre uma mulher sendo filmada e contando sobre sua estranha história possa ser tão instigante. E isso não seria possível se não fosse pelo texto brilhante de Sam Barlow, o autor de Her Story, que foi capaz de dar à Hannah uma profundidade que poucos personagens de videogames puderam receber. Saber que sua história reverbera até hoje, quando pensamos em Her Story, é motivo suficiente para ter certeza que ela é merecedora deste prêmio.

Quer saber como chegamos a essa escolha? Ouça a primeira parte de nossos podcasts especiais de fim de ano e acompanhe nossas discussões.

Nota: Por motivos claros, só consideramos jogos que ao menos uma pessoa da equipe tenha jogado e possa falar com propriedade.

  • El Luchador

    Eu joguei Her Story, achei sensacional, mas ainda sinto que poderia ter visto mais coisas.
    Acho que vou dar uma segunda conferida.