Nas narrativas, bons personagens fazem mais do que nos fascinarem quanto mais conhecemos sobre eles. Eles acabam por se tornar uma espécie de amigo que temos, ao lembrarmos dos trechos de livros que mais nos emocionaram, nossas cenas favoritas em filmes e bons momentos tidos em videogames.

Mas os personagens ruins, bem… na melhor das hipóteses nós simplesmente os ignoramos. Em casos mais graves, no entanto, a presença desses diminui o valor da obra como todo. Pense em Jar Jar Binks em A Ameaça Fantasma (não que o filme fosse ser bom mesmo sem ele, mas enfim) ou no Scooby-Loo em todos os episódios que ele apareceu.

Nessa categoria, pensamos nos personagens que mais nos incomodaram, desagradaram ou irritaram em 2015, chegando à lista desses três:

Quiet (Metal Gear Solid V: The Phantom Pain)Crawford Starrick (Assassin's Creed Syndicate)Dying Light

 

Quiet (Metal Gear Solid V: The Phantom Pain)

Mecanicamente, Quiet é muito útil em The Phantom Pain. A franco-atiradora é capaz de eliminar oponentes antes que alertem seus companheiros e nos oferece cobertura. Porém, como personagem, ela é falha em todos os aspectos. Não se trata só de sua vestimenta, cuja justificativa é risível e furada. Quiet praticamente não tem nenhum desenvolvimento, apenas desculpas para o seu silêncio e para uma conclusão que deveria ser emocionante, mas aparece mais como uma pessoa sofrendo de síndrome de estocolmo do que qualquer outra coisa.

 

Crawford Starrick (Assassin’s Creed Syndicate)

O grande vilão templário do mais recente Assassin’s Creed deveria ser um homem calculista e maquiavélico. Sob suas ordens, Londres está há anos dominada por sua facção, nos levando a crer que ele é uma figura que tem pleno controle de tudo. O que vemos na verdade quanto mais somos expostos a ele é um personagem que estaria absolutamente confortável em um desenho animado dos anos 1920, afinando seus bigodes com os dedos e murmurando “muahahahaha” para cada coisa maligna criada por sua mente. Não bastasse isso, todos os atos de Starrick são absolutos clichês; não há nem sequer uma migalha de originalidade no antagonista. Quando finalmente o enfrentamos é como se estivéssemos lutando contra um recorte de papelão.

 

Todo mundo de Dying Light

Não conseguimos pensar em um só personagem que fosse singularmente a pior figura em Dying Light. De alguma forma a Techland conseguiu errar em todas as suas construções humanas, fazendo delas tão desprovidas de vida quanto os zumbis que povoam o jogo. De clichês a personagens simplesmente rasas, ao final de Dying Light nenhum encontro, conversa ou evento que envolve outros sobreviventes fica na mente do jogador. A única coisa marcante aqui é o quão pouco marcante os personagens são.

 

E o vencedor é

Quiet

Quiet é ruim ao ponto de que seria mais correto dizer que nem personagem ela é. Depois de dezenas de horas dentro do jogo, a lembrança que a figura deixa é de uma mecânica eficiente, um recurso a mais que temos em batalha, e não de alguém com complexidades, idas, vindas e alguma forma de crescimento. De todos que encontramos em Metal Gear Solid V, Quiet é provavelmente aquela que inicialmente demonstra maior promessa, porém, infelizmente, nada disso é bem explorado.

Quer saber como chegamos a essa escolha? Ouça a primeira parte de nossos podcasts especiais de fim de ano e acompanhe nossas discussões.

Nota: Por motivos claros, só consideramos jogos que ao menos uma pessoa da equipe tenha jogado e possa falar com propriedade.

  • Manoel Ricardo

    nossa mas tem algum personagem do mgsv que se desenvolve tanto ao ponto que você fala “UAU que mudança gigante que teve aqui hein!!”? não que estou tirando o mérito da quiet como pior nova personagem, mas todo mundo naquele jogo só tá cumprindo uma função risória pra dar continuidade a “história” que justifica o jogo em si…

  • Acho que deveria constar como menção honrosa a Siri de Witcher 3. Que personagem chata, minha nossa. Até agora eu não entendi se ela é badass, se ela é menina tola, se ela é periguete, se ela é qualquer coisa definida. E não venham falar que é por conta da riqueza da personagem porque não é. Witcher 3 tem personagens ótimos, mas a Siri não é um deles. Aliás, a Siri só é ótima para fazer com que o jogador acelere os diálogos em que ela está envolvida. Pronto falei 😛