Nas semanas antecedendo a Brasil Game Show 2014, muitos desenvolvedores indies desistiram de expor seus jogos no chamado Pavilhão Indie devido ao preço, considerado alto, que a organização cobrou para que eles pudessem estar lá. Enquanto a baixa presença de estúdios no local era evidente – havia um grande espaço vazio nessa área do centro de exposição -, alguns estúdios locais estavam presentes demonstrando os títulos nos quais estão trabalhando, apresentando algumas demos bem interessantes.

Um desses era o Reload Game Studios, localizado em São Paulo, que estava lá para mostrar dois de seus jogos, Chessecake Cool Conrad e Get Over Here.

Com o apoio de uma publicadora, Cheesecake Cool Conrad foi lançado no Steam em 8 de outubro, o primeiro dia da BGS. Como o foco naquele momento era o de fazer contatos na feira e de ter o maior número de pessoas o possível jogando o que estava ali expostos, o pessoal da Reload ainda não havia tido tempo de ver como CCC estava se saindo. “A BGS está uma loucura, a gente não teve como parar para analisar”, me disse Caio Henrique Vilela, programador da Reload.

Cheesecake Cool Conrad é definido pela equipe como uma espécie de Mario Galaxy 2D. Pequenos planetoides atraem os personagens com sua gravidade, além de outros objetos que se comportam de maneira específica, como massas que se desfazem pouco tempo após colocarmos nossos pés nelas, pedindo por agilidade. Até o dia 15 de outubro o jogo pode ser adquirido com 15% de desconto, por R$ 8,91. Até o começo do ano que vem ele será lançado também para o PS Vita, implementando nesse port o uso da tela de toque do aparelho e um editor de fases que poderão ser compartilhadas.

Get Over Here

Get Over Here

Apesar de CCC parecer interessante, o que mais me chamou a atenção foi o título da Reload que estava sendo mostrado ao lado dele, o Get Over Here. Trata-se de mais um exemplo dessa ressurgência de jogos cooperativos locais que temos visto há cerca de um ano e meio, como em TowerFall Ascension e Samurai Gunn, algo que o estúdio almejou propositadamente. “TowerFall nasceu de uma observação do mercado, ele foi moldado para esse público que se mostrou muito ativo no ano passado,” observa Leandro Carlos, programador e fundador do estúdio. Em Get Over Here, assim como Scorpion de Mortal Kombat (razão do título), o objetivo dos jogadores é se aproximarem dos oponentes puxando-os com correntes, atordoando-os no processo e deixando-os abertos para uma finalização. A arte do título é bastante chamativa, especialmente em relação aos personagens, que possuem visuais bem variados e animações específicas quando eliminam um outro jogador.

Cada uma da fases, ou ao menos as que testei, possuía alguma peculiaridade, como estátuas que podiam ser usadas ofensivamente e um tubarão que aparecia de tempos em tempos, aleatoriamente abocanhando todos que se encontram no centro do estágio. Há também itens aleatórios que surgem, concedendo vantagens àqueles que os pegarem. Um deles, por exemplo, permite que você derrote outros jogadores simplesmente atingindo-os com sua corrente. No entanto, enquanto ele está ativo a velocidade de seu personagem é diminuída. Não demorou para que, em uma partida que joguei ao lado de dois amigos e um dos desenvolvedores, estivéssemos berrando de agonia quando éramos pegos por alguém e contássemos vantagem quando conseguíamos efetivamente derrotar um oponente. Get Over Here tem aquela qualidade que alguns jogos de multiplayer local possuem – como Mario Kart e o próprio TowerFall -, de nos deixar confortáveis em pouco tempo com seus controles e conjunto de regras simples, propiciando para que a concentração possa ser divida em risadas e conversas com os outros que também estão jogando.

Espaço da Reload Game Studio na BGS 2014

Espaço da Reload Game Studio na BGS 2014

Como Vilela complementa, essa era a intenção deles nesse projeto. “Nós queríamos criar uma experiência que você pudesse chamar os amigos, ter uma interação pessoal com outras pessoas.Porque, hoje em dia, é muito mais difícil você ter uma interação com os seus amigos, muito acaba ficando só no online. Obviamente, a gente vai ter uma implementação online no Get Over Here e por isso que ele está marcado para o primeiro semestre do ano que vem. Mas a gente também quer essa aproximação com os amigos, que ele seja colocado em uma festa. Você quer se divertir com eles, dar risada, chutar um ao outro e tal.” Leandro Carlos continua, “tem muitos jogos que são excelentes, mas quando você está em uma festa e os liga, só um está jogando e todos desanimam. A gente quer aumentar o número de jogos em que todos participam e se divertem, e que até quem não está jogando acha legal. Fazer com que eles torçam para um time ou para uma pessoa.”

A reação do público na BGS era prova de que isso estava funcionando. Durante a conversa que estava tendo com os desenvolvedores era possível observar pessoas olhando animadas as partidas que estavam ocorrendo. “Está sendo bem interessante ver a reação das pessoas,” disse Vilela. “Grande parte delas está claramente se divertindo e muito mais quando estão jogando com um amigo. Muitas vezes vêm turmas, de quatro a cinco, e eles se divertem entre eles, porque já têm uma amizade, xingam um ao outro. É bem legal ver isso.” Coincidentemente, nessa hora Leandro Carlos pediu que eu olhasse para trás. Um garoto vinha sorrindo e puxando um amigo, apontando para o local onde Get Over Here estava, dizendo para que jogassem juntos. “O público está aceitando e trazendo mais pessoas para jogar.”

Eu saí bem animado com o que vi de Get Over Here, especialmente no seu potencial de agregar grupos devido às mecânicas fáceis de serem entendidas e divertidas. O título tem um lançamento planejado para algum momento do primeiro semestre de 2015. Ele está confirmado para o PC, porém o estúdio pretende lançá-lo para o PlayStation 4, PlayStation Vita e Wii U. Também foi afirmado que mesmo depois de lançado serão criadas atualizações, adicionando mais personagens e itens.

Para saber mais dos indies brasileiros que estavam na BGS 2014 e dos outros jogos que estavam presentes na feira, veja a cobertura completa do Overloadr.

  • Henrique Alves

    Sempre curti jogos competitivos especialmente os de lutas, mas com o advento online eu juro que tentei mas o tesão nunca foi grande e pela falta de jogos coop offline com o tempo acabei perdendo a vontade de praticar certos jogos.Agora com a volta dos jogos coop offline em especial o towerfall, foi então que percebi que o meu real divertimento mesmo era ta com a pessoa ao lado zuar e ser zuado!!!
    O get over here tem cara que vou gastar horas com meus amigos 😀

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