Kellee Santiago, co-fundadora do estúdio thatgamecompany (de Journey), do qual ela deixou seu cargo de presidente para trabalhar no relacionamento com desenvolvedores no Ouya, esteve presente na SB Games 2014, em Porto Alegre. Antes de dar a palestra mais disputada da feira, Santiago também estava representando Thralled, um dos jogos em desenvolvimento para o Ouya, que estava em exposição por lá. Thralled, que é sobre uma escrava fugida no Brasil colonial, também concorre a um prêmio no Festival de Jogos do evento.

Enquanto me falava um pouco sobreo título, aproveitei para peguntar a Santiago sobre a atual situação do Ouya, que anda um pouco apagado.

Overloadr: Thralled e That Dragon Cancer são alguns dos jogos exclusivos do Ouya, ambos independentes. De que forma essa cena indie é importante para o Ouya? (Nota: nesta semana foi anunciado que That Dragon Cancer não será mais exclusivo ao Ouya, saindo também para PC e Mac. O jogo está atualmente no Kickstarter, pois precisa de dinheiro para ser terminado)

Kellee Santiago: Sim. Bem, como a primeira plataforma para a sala de estar completamente aberta, uma das coisas que mais me empolga sobre essa possibilidade é que ela permite qualquer pessoa levar um jogo à sala de estar, assim como sua perspectiva. Então eu espero que isso possa nos trazer muito mais jogos únicos, como Thalled e That Dragon, Cancer.

Thralled

Thralled

Overloadr: Devo dizer que tenho alguns amigos que possuem um Ouya mas eles não o jogam mais. Como a Ouya pretende sobreviver nos próximos anos?

Santiago: Nós temos um plano e daremos notícias em breve. Mas o que eu posso dizer é que seria muito legal que você os encorajasse a ligar o console novamente, por que temos um acervo de jogos muito bom, temos uma fanbase muito forte, e é mais uma questão de espalhar a palavra dos grandes jogos que existem nessa plataforma.

Overloadr: Towerfall foi por um certo tempo um bom motivo para se comprar um Ouya, mas agora que ele foi lançado para outras plataformas, não sei se o console possui um system seller. A Ouya tem consciência disso?

Santiago: Eu acho que Towerfall se beneficiou por ter sido atrelado ao lançamento do console, mas nós definitivamente temos games de igual qualidade.

Overloadr: E que outros jogos são estes?

Santiago: Bem, recentemente nós lançamos Reagan Gorbachev, um jogo cooperativo para duas pessoas, protagonizado pelos presidentes Gorbachev e Reagan, e vocês precisam trabalhar juntos no meio da Guerra Fria para escapar de terroristas. Da mesma maneira que Towerfall capturou essa sensação de jogar um contra o outro mas também de descobrir um jogo juntos durante a infância, Reagan Gorbachev traz uma ótima mecânica co-op que me faz lembrar da época que eu jogava videogames com meu irmão, quando éramos mais novos.

Nessa mesma veia de Towerfall temos Toto Temple Deluxe , que também é leve e muito divertido de se jogar com os amigos.

Overloadr: É a sua primeira vez no Brasil?

Santiago: Sim!

Overloadr: E você já conhecia alguns destes nossos jogos brasileiros ou eles são totalmente novos para você?

Santiago: Bem, a maioria é nova pra mim. Eu já tinha contato com alguns desenvolvedores brasileiros, como a Swordtales, e outros que já haviam se aproximado de mim devido ao meu trabalho, em outros festivais. Mas o que é realmente incrível de vir aqui pessoalmente e ver o quanto mais existe.

That Dragon Cancer

That Dragon Cancer

Overloadr: E em relação ao Indie Fund, pode me falar um pouco de seu trabalho lá?

Santiago: Sou a co-fundadora e investidora. Somos em sete. É um programa de financiamento de jogos indie através de investidores-anjo. Nós juntamos recursos e os usamos para ajudar a financiar desenvolvedores independentes para que eles fiquem financiamente estáveis.

Overloadr: E de onde vem esses recursos?

Santiago: Vem de desenvolvedores indie bem sucedidos que queriam fazer algo melhor com esse dinheiro em vez de simplesmente botá-lo no banco ou investi-lo no mercado de ações.

Oveloadr: E você está aproveitando sua presença aqui na SB Games para buscar por possíveis novos desenvolvedores para o Indie Fund ou para o Ouya?

Santiago: Definitivamente. Com meu papel na Ouya, estou interessada em buscar e juntar mais vozes de países diferentes. Desenvolvedores brasileiros poderiam encontrar jogadores na Polônia, por exemplo.

Aparentemente a deixei um pouco desconcertada ao perguntar se ela já tinha alguns jogos favoritos na feira. “Ainda não tive a chance de jogá-los”, me disse, um pouco envergonhada, olhando para as dezenas de expositores a redor. “Mas estou bastante surpresa com a variedade.”

*Henrique Sampaio viajou para Porto Alegre a convite da Associação de Desenvolvedores de Jogos do Rio Grande do Sul (ADJOGOSRS)

  • Domingos Junior

    Espero que isso seja sinal de coisas boas para os desenvolvedores brasileiros 😉

  • Luiz Petronilho

    Eu vou até religar meu Ouya e dar uma olhada nos jogos mais recentes rsrs Ainda gosto demais dele, apesar de entender que não deu tão certo quanto se esperava.
    Quero demais jogar That Dragon, Cancer, só não tenho certeza se vou estar apto a relembrar algumas coisas… mas apesar disso sinto que é o tipo de jogo que precisa ser feito pelo pai, e que precisa ser jogado por todos que puderem.

    obs: “financiamente” existe? não seria financeiramente? XD

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  • Dracco Haroldo

    Putz um console com base indie e com uma atenção real pro BR pode ser interessante… tem mta coisa boa feita por aqui, que poderia ser melhor explorada =)