O lançamento de Rise of the Tomb Raider se aproxima. Na BGS 2015, o título ganhou bastante destaque no estande da Microsoft, cujas plataformas Xbox 360 e Xbox One receberão primeiro a nova aventura de Lara Croft, em 10 de novembro.

Lá, pude conversar com dois funcionários da Crystal Dynamics: Meagan Marie, gerente de comunidade sênior, e Michael Brinker, designer sênior, sobre a importância de Lara, representação feminina nos videogames, as novas mecânicas de sobrevivência do jogo, dentre outras coisas.

Acompanhe:

É muito comum que jogos focados em personagens femininas sejam desenvolvidos por equipes majoritariamente masculinas. Quantas mulheres trabalham atualmente na Crystal Dynamics, no desenvolvimento de Rise of the Tomb Raider?

Michael Brinker: Não sabemos exatamente a porcentagem de mulheres que temos na equipe, mas temos muitas designers, artistas, animadoras, produtoras. Temos uma variedade muito grande de talentos no estúdio.

Meagan Marie: Eu fiz uma piada recentemente e, como mulher, eu definitivamente vejo isso como engraçado: eu tive que esperar em uma fila no banheiro outro dia na Crystal Dynamics, e isso nunca aconteceu antes comigo na indústria de games, por que nunca havia mulheres suficientes para causar uma fila.

E como vocês se certificam de que Lara será uma personagem interessante não apenas para jogadores masculinos que a acompanham desde suas origens, mas também para as mulheres?

Marie: A Lara é uma das personagens femininas mais antigas e icônicas dos videogames, e temos que respeitar isso. A equipe criativa trabalha para fazer com que Lara seja interessante para todos, e eles fazem isso explorando verdades universais e construindo uma imagem inspiracional, similar a de exploradores reais, como Edmund HilaryTenzing Norgay.

Brinker: Lara Croft está focada agora a se tornar “a” caçadora de tumbas. Mas essa é a “sugestão universal” porque… todos nós queremos a verdade, certo? E isso é o que motiva Lara. Todos nós temos que lidar com sacrifícios, perdas. São esses temas universais que tornam Lara Croft tão especial, dinâmica e multidimensional. E isso é algo com o qual todos, independentemente de gênero, podem se identificar.

Marie: E ela possui defeitos. Eu amo isso nela. Isso a torna muito mais…

Humana?

Marie: Exato, humana. Todos podem ver um pouco de si próprio nela.

Rise of the Tomb Raider está expandindo os elementos de sobrevivência do jogo anterior. Por quê vocês optaram por se focar nisto?

Brinker: Estamos bastante focados em expandir nosso ecosistema de sobrevivência, com áreas lindas porém perigosas. Rise of the Tomb Raider é três vezes maior que o jogo anterior, mas os sistemas em jogo fazem com que Lara seja uma personagem engenhosa. Então há um novo sistema de crafting. Você encontra esses recursos ao redor do mundo do jogo, que conversam com todos os outros sistemas no jogo. Então você pode usar esses recursos para aumentar o nível da sua arma, criar um item de cura ou uma armadilha.

O que estamos vendo é uma dinâmica que permite utilizar a engenhosidade de Lara como uma aventureira nesses cenários extremos e selvagens em que ela terá não apenas que sobreviver, mas sobreviver sendo astuta e utilizando bem os recursos que ela possui em sua volta. Além disso ela precisa superar a inteligência artifical do inimigo também, em diferentes situações, explorando diferentes abordagens.

Marie: É uma mudança legal por que no último jogo a sobrevivência era mais um elemento dramático e agora ele se tornou um sistema, um elemento de mecânica. Isso o torna mais profundo.

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E esse foco em sobrevivência seria influência de tantos outros jogos de sobrevivência em mundo aberto que existem por aí?

Brink: As influências vêm de todos os lugares. Histórias de exploradores do mundo real, muitas mídias diferentes, como livros e peças de teatro. Então quando falamos sobre as origens de ter um elemento de sobrevivência em seu jogo… é sobre o que significa ser uma exploradora e encontrar lugares que podem ser inabitados há centenas de anos, mas também superar adversidades.

Marie: Esses exploradores reais que nos inspiramos colocaram suas vidas em risco para alcançar a grandeza e ver até onde eles poderiam chegar. Isso está refletido no jogo. Lara está colocando sua vida em risco para descobrir algo grandioso.

O jogo anterior se propôs a mostrar uma Lara mais vulnerável e ainda pouco experiente. Ela estara mais madura desta vez?

Marie: Ela definitivamente está mais pró-ativa desta vez. No jogo anterior, ela não esperava aquela aventura e precisou despertar sua força interior para sobreviver àqueles perigos. Já em Rise of the Tomb Raider ela intencionalmente está partindo em busca de respostas e aceitando seu destino como “a” caçadora de tumbas. Então você começará a ver isso ser refletido em sua personalidade. Ela está definitivamente mais confiante, capaz.

Brink: E como ela precisa aceitar seu destino e desvendar certos segredos, então você verá, por exemplo, um sistema de tradução no jogo que representa o aprendizado dela em línguas. Isso não é apenas algo que será divertido para os jogadores explorarem, mas diz muito sobre ela se tornando “a” caçadora de tumbas.

Como será essa mecânica?

Brink: Lara terá que aprender línguas que ela não conhece, traduzindo marcas e documentos históricos, o que lhe dará conhecimento sobre diferentes línguas, e quando ela chega a um certo nível ela pode destravar algo que chamamos de monolito, que é muito legal pois destrava uma série de tesouros no mundo do jogo que a permitem comprar itens que se integram a outros sistemas de jogo.

Marie: É uma maneira bem legal de celebrar sua inteligência. Mostramos muito de como ela é capaz de lidar com combate, mas ela também é uma historiadora, uma arqueóloga! O sistema de combate foi bastante expandido, então agora o jogador tem mais opções para atacar ou evitar completamente os inimigos. Há momentos em que você precisa enfrentar o perigo de frente, mas há também partes em que você pode ser totalmente furtivo, utilizando o cenário de forma astuta. Deixamos a abordagem na mão do jogador.

  • Frank Sinestro

    “Como será essa mecânica?

    Brink: (Laura) terá que aprender línguas – Rick corrija o texto”

    não é Laura e sim Lara (isso foi só uma observação), ótima entrevista, isso não muda nada seu ótimo trabalho.

    • riquesampaio

      haha, passou batido! Brigado por ter notado :*

  • Anderson Ortiz

    Ótima matéria Henrique, parabéns!