O último multiplayer de Call of Duty que eu joguei “com vontade” foi Black Ops. Todos os subsequentes foram testes rápidos que logo se provaram, para mim, inferiores aos antecessores. Tive a oportunidade de jogar alguns minutos do multiplayer de Call of Duty: Advanced Warfare durante a BGS 2014 e pude constatar, pelo menos a primeira vista, que os três anos de desenvolvimento que a Sledgehammer ganhou para o título surtiram efeitos positivos no produto.

Mike Mejia

Mike Mejia

“Maior janela de desenvolvimento foi realmente o que diferenciou no produto que você jogou hoje”, afirmou Mike Mejia, produtor da Sledgehammer. “Esse tempo a mais que a Activision nos deu – algo raro para uma desenvolvedora que pega Call of Duty para fazer – fez com que tivéssemos tempo de escutar jogadores e atacar os problemas da série de outros pontos de vista.”

De fato, o modo multiplayer ganhou uma roupagem mais “sólida”. Tanto o seu personagem como suas armas são mais pesados, e isso dá uma impressão de que cada ação pode ser mais calculada, você sente como se estivesse realmente navegando pelos destroços do cenário. Isso dá a impressão de que tanto o jogador quanto os inimigos são mais consistentes. Adicione isso à maior horizontalidade adicionada graças aos pulos duplos e pronto, um multiplayer mais agradável (mesmo que à primeira impressão, a vida dos personagens pareça muito rasa, já que são necessários poucos tiros para matar ou morrer).

Além do “feel” aprimorado, o título continuará com as camadas de customização de personagem que a série já incorporou há tempos. Algo que Mejia aponta como uma das coisas que acha interessante é o sistema de “loot”, ou seja, ao final da partida o jogador receberá pacotes de recompensas de acordo com o seu jogo. Nestes pacotes virão habilidades de uso único, itens cosméticos e até mesmo armas.

“Call of Duty é uma série que, mesmo quando escapa, tenta se firmar na realidade. Isso fez com que mesmo com as armas mais diferentes (joguei com uma escopeta sônica, por exemplo) nos fez considerar muito o peso de cada uma”, afirma o executivo. “Juntamos isso às habilidades dos exoesqueletos e conseguimos melhorar a movimentação, deixar o jogo menos burocrático, sem sair da ‘realidade’ que a série tem como base.”

Pergunto sobre a semelhança com Titanfall, a movimentação mais livre, o cenário futurista distópico e até os “módulos de desembarque” que são praticamente idênticos, mas o produtor prefere não abordar a concorrência, se limitando a falar que Call of Duty: Advanced Warfare teve tempo o suficiente para criar uma experiência mais profunda.

História

Sou um jogador não muito convencional da série: eu realmente gosto e me importo com a história de cada jogo. E sim, isso normalmente me decepciona desde Modern Warfare 2. “A história de Advanced Warfare é, com certeza, uma prioridade nossa. Tanto que contratamos nomes do calibre de Kevin Spacey e Troy Baker para nos ajudar com essa parte”, afirma Mejia, que também explica que Spacey esteve presente durante a criação de seu personagem para o jogo – o que explica a semelhança com o personagem do ator na série House of Cards.

“Novamente, os três anos que a Activision nos deu e a liberdade para trabalhar como achávamos melhor fez toda a diferença em todos os aspectos do jogo”, diz. E isso pode ser verdade para o modo cooperativo também, relevado há alguns dias, mas sem muitos detalhes. “Você poderá jogar (o coop) com seus amigos ou desconhecidos”, disse, sem informar como funcionará a história do modo.

Call of Duty: Advanced Warfare está marcado para o dia 4 de novembro, e chega para PC, Xbox 360, Xbox One, PlayStation 3 e PlayStation 4.