O documentário Video Games: The Movie acaba de estrear no Netflix brasileiro.

Financiado via Kickstarter, o longa metragem se foca na evolução da indústria de videogames e conta com entrevistas com alguns renomados desenvolvedores, como David Perry (fundador da Shiny Entertainment e Gaikai), Nolan Bushnell (fundador da Atari), David Crane (criador de Pitfall), Cliff Bleszinski (diretor de Gears of War).

Contudo, não espere muito além daquilo que você provavelmente já sabe ou viu. O documentário tem um certo apelo nostálgico e não vai além do lugar comum: são em sua maioria homens brancos e heterossexuais falando sobre como a indústria e cultura de videogames são legais, poderosas e, em partes, incompreendidas pela sociedade. Ele basicamente massageia o ego do jogador tradicional, revalidando noções comuns de quem cresceu atrelado à identidade ‘gamer’ em vez de dar a ele uma nova e mais ampla perspectiva sobre o cenário atual dos videogames.

É mais entretenimento do que informação.

  • Nunca achei o Rique desnecessário mas essa frase “(…)são em sua maioria homens brancos e heterossexuais falando sobre como a indústria e cultura de videogames é legal, poderosa e, em partes, incompreendida pela sociedade.(…)”, achei meio nada a ver…

    • Fernanda Moura

      Tive a mesma impressão :/

    • Pois é… ficou bem esquisito mesmo. Não assisti o documentário ainda, mas não mostrar nele mulheres/negros/homossexuais no ramo dos jogos não quer dizer que eles não existem.

      • Luiz

        “não quer dizer que eles não existam” como o público vai saber se nunca mostram? Como tirar o estigma do público de vídeo games se em uma possível forma de informar como essa perpetua ele? É muito fácil um homem branco heterossexual não se incomodar com a ausência de outros grupos pq ele está sendo representado, mas quando alguém questiona o comentário é “esquisito”. Vamos parar de olhar só pro próprio umbigo.

        • Esquisito, no sentido que na minha opinião foi desnecessário, igual ao que disse o cara que comentou primeiro, não no sentido que me incomodou, ou que ficou ofensivo, ou algo do tipo. Como disse, não assisti ainda, mas por ser um projeto que surgiu no Kickstater, imagino que eles teriam que escolher pessoas-chaves como parte do projeto, e coincidentemente todos as pessoas-chaves são brancos heterossexuais. Sinceramente, não acredito que não tenham escolhido mulheres/negros/homossexuais propositalmente, por isso não quer dizer que eles não existem, e por isso acho que essa parte do texto meio sem sentido.

        • E também ninguém está negando que as minorias não sejam retratadas e que isso(de não apresenta-las) não deva ser combatido. Concordo plenamente com você em relação a classe dominante não se incomodar, apenas apontei que achei ela meio fora de contexto, já que o Henrique sempre tem textos mais longos e aprofundados quando vai expressar uma opinião sobre alguma coisa. Então, a frase ficou meio solta, sem direcionamento(na minha opinião fecal).

    • Rafael Salgues

      Realmente achei estranho, traspor isso no texto dele. Sabemos que ele tem essa opinião sobre o cenário de games, pela grande massa hetero branca que comanda no mundo dos joguinhos.

    • Rafael Oliveira Dos Santos

      Sabe quando você pensa em comentar algo, aí no meio do caminho desiste por achar que vai virar uma discussão besta e aí vê que já comentou? Mas me dá um prazer tão grande favoritar esse comentário em questão.

  • Hey hey hey eymael na sua mãe

    Rique, poderia nos explicar um pouco melhor como isso poderia ter sido abordado? Citar exemplos de outros documentários para que possamos ver e comparar com esse?

    • Tem o Indie Game: The Movie com os criadores de Super Meat Boy, Braid e Fez (não lembro o nome de todos por isso escrevi os jogos)… e não é bem um documentário, mas existe o The Video Game Years do pessoal da Retroware no youtube (youtube.com/retrowaretv), é um projeto de uma sequência de vídeos que conta a história dos videogames através dos anos. Já falaram de 1977 até 1985, sendo que já foi gravado até 1989. O plano é terminar em 1999 com o lançamento do Dreamcast. Vale a pena pois é bem interessante.

      • Hey hey hey eymael na sua mãe

        Vou dar uma conferida, mas continuo achando meio estranho a frase do rique que o pessoal citou acima. Vou ver os docs, valeu cara 😀

  • eu tinha baixado esse filme mas enrolei tanto pra assistir… agora posso deletá-lo e assistir no netflix!!!

  • Sérgio Figueiredo

    O documentário (filme) é bacana e, para mim, é voltado principalmente a instruir pessoas que não são ligadas ao mundo dos videogames, explicando essa grande parte da indústria do entretenimento e sua importância no mundo atual. Aluguei o filme pela Apple TV, o assisti com a minha irmã (que não joga nada, tem 58 anos e surpreendentemente se interessou em assistir) e minha sobrinha (que gosta apenas de 3DS e jogos de dança) e elas ficaram impressionadas com os números (que são apresentados logo no início do filme, a respeito do número de jogadores, de consoles domésticos, do mercado, etc.) e com a evolução dos gráficos e da jogabilidade, uma vez que são abordados muitos fatos e imagens históricas. Para mim, ver e ouvir depoimentos de pessoas importantes da indústria e ver imagens de lançamentos do momento foi muito interessante. Me chamou atenção saber, no final do filme, que o projeto do mesmo começou no Kickstaster.

  • riquesampaio

    Contribuindo à discussão:
    O filme não tem como proposta trazer novos temas pertinentes à indústria e cultura atual dos videogames além daqueles que já foram abordados em tantos outros documentários e livros sobre o assunto, por isso achei pertinente a minha opinião – que, naturalmente, como qualquer outra opinião, pode não ser compartilhada por todos.

    Para quem não acompanha o meio dos videogames, o documentário expõe dados relevantes e apresenta sua evolução ao longo da história (e é muito bom nisso, como já apontaram aqui), mas para as pessoas do meio, muitas das quais já possuem essa perspectiva, ele é apenas ralo ou meramente entretenimento.

    Eu entendo que meu posicionamento pode ter soado agressivo ou mesmo desnecessário para alguns leitores. Minha intenção foi apontar que o documentário mais reforça certos esteriótipos associados ao típico consumidor de videogames do que mostrar sua diversidade atual ao excluir das entrevistas, mesmo que de forma não intencional, mulheres, por exemplo – pelo que me lembro, há apenas uma. É focado no consumo, e não na cultura per se. É unilateral. Não traz uma variedade abrangente de perspectivas.

    Não que ele faça um desserviço ou nada disso. Creio que ele é até ok, bem produzido e tal. Ele só é ralo e redundante para quem respira videogames há tanto tempo.

    E, bem, como vocês sabem, a gente assina TUDO no Overloadr justamente para podermos atrelar opinião em tudo o que fazemos.

    • Gabriel Maciel Campanini

      Mas, Rique, você não acha que é justamente esse o ponto do documentário? Mostrar a indústria dos videogames para quem não está familiarizado com ela? Você diz no texto que o documentário “basicamente massageia o ego do jogador tradicional”, mas pra mim o jogador tradicional nem é o público-alvo do filme.

      • riquesampaio

        Não sei se dá pra dizer que o público alvo do documentário são pessoas que não estão habituadas com games, até pelo foco que ele dá na nostalgia. Parece ser direcionado àquelas pessoas que cresceram jogando videogame. E tem o fato de ser um documentário financiado pelos próprios entusiastas, via crowdsourcing. Os autorem nunca se proporam a apresentar a história dos videogames àqueles que nunca a companharam, pelo contrário: o Kickstarter foi focado no “gamer”. E por mais que ele seja totalmente aproveitável e informativo para pessoas de fora, a perspectiva que ele transmite continua sendo limitada (para não dizer esteriotipada), uma vez que ele se apega demais ao publico e indústria tradicionais.

        • Mas ele também se torna uma boa porta de entrada para a curiosidade gamer. Claro, abordar os aspectos mais undergrounds normalmente seria interessante em um doc, afinal, a história mainstream normalmente é conhecida…

          Todavia, acho que ele possui uma relevancia justamente para trazer ao cara “leigo”, que apenas joga, como surgiu a indústria e instiga-lo a procurar sobre tudo que rolou nela.

          • jprbessa

            Me metendo em uma discussão que estou acompanhando só agora, eu discordo um pouco.
            Não sei se estou convencido que uma discussão rasa é a melhor forma. E nem de que ela seria ruim. O que pesa nesse caso é que, hoje em dia, com toda essa sociedade sem tempo e imediatista que se criou através da tecnologia, principalmente, me parece que o público alvo – ainda que não exista um consenso de qual ele seja, nesse caso – pode simplesmente assistir e partir pra outra simplesmente replicando informação incompleta. E uma informação incompleta pode ser até pior do que uma errada.
            Quando você coloca o formar de um documentário aí que ferra tudo. Ganha um aspecto muito sério, científico, verídico e que só retrata fatos. Mal comparando, quando um documentário como os pseudocientíficos da Discovery surge, há muito mais pessoas que acreditam nele do que as que tem um senso crítico para desacredita-lo.
            Entendo o seu argumento e por muitas vezes sou favorável a ele, mas tenho refletido muito ultimamente se ele é uma boa solução ou se é mais uma justificativa pobre para aceitar qualquer tipo de coisa que é produzida e arranha só a superfície da discussão.

          • Mas então, o conteúdo raso serve apenas para instigar a curiosidade e não para verdadeiramente informar. É interessante uma coisa mais leve quando você quer abrir a cabeça da pessoa e provocar nela o sentimento de “ei, quero saber mais sobre isso”.

          • jprbessa

            A única questão mesmo é um questionamento que tenho comigo mesmo. Se uma informação rasa apresenta de fato ou só replica uma informação incompleta. Assim como os Demos tem feito os jogos venderem menos.

          • Mas a parada dos demos tem outro agravante: quando o jogo tem um gráfico estranho, uma jogabilidade ruim ou um plot bizarro, ele já se entrega no demo, então ninguém passa dele. Mas entendi o seu ponto

    • Fabiano

      Bem, o público-alvo do filme é mesmo o público em geral, não os
      entusiastas. Mas, hei, não tem nada de errado com isso! Não é
      porque algo não é feito para nós que ele vai ser ruim, e não é
      porque ele é feito para pessoas com conhecimento prévio menor do
      que o nosso que ele vai ser raso. É o discurso de quem não gosta de
      novela (ou do Heitor com relação a animes), sempre dizendo que não
      gosta porque já passou dessa fase, que aquilo é para seres
      inferiores que não tiveram o privilégio de conhecer algo melhor. O
      Wii deixou muita gente nesse estado também: só porque foi feito
      para pessoas que antes não jogavam videogames, que foi taxado por
      muitos como o “câncer da indústria”.

      E quanto ao comentário sobre o estereótipo mostrado no filme, bem…
      quantos dos caras mais importantes no início da indústria não
      pertenciam a esse estereótipo? Eu sei que isso é um problema até
      os dias de hoje, mas não dá pra tentar mudar a história e
      transformar o filme no Glee, forçando uma miscigenação que nunca
      existiu. É necessário fazer algo de agora em diante, mas alterar o
      passado é fugir da realidade em vez de enfrentá-la.

      • riquesampaio

        Custava ter uma Roberta Williams, uma Jane Jensen (que foram extremamente importantes para a história dos videogames nos anos 90)? Meu ponto nem é somente esse. Além de ignorarem completamente problemas que todos nós sabemos que existem, como o da representação feminina (algo do qual o documentário é inadvertidamente uma vítima), é um documentário para quem precisa da autopunhetação de que videogames são legais e, por isso, não precisam questionar nada.

        E, bem, não sou apenas eu. O documentário é bastante criticado em geral.
        Um exemplo:
        http://kotaku.com/video-games-the-movie-the-kotaku-review-1605359658

        • Fabiano

          Porra, esqueci completamente delas! Na minha infância eu nunca conheci alguém que tivesse um PC em casa, então nem sabia que esses jogos existiam até ouvir vocês falarem no Games on the Rocks – pra falar a verdade eu não conhecia nem os jogos da Lucas Arts, que são bem mais famosos no geral. Mas esperar que algo feito para não-entusiastas traga à tona discussões muito profundas é meio que esperar demais. E esperar críticas profundas de tudo só nos tornam ativistas chatos que a todo momento tentam ficar panfletando. A gente precisa de um pouco de leviandade às vezes, senão a gente enlouquece.
          Ah, claro: eu não critiquei a qualidade do documentário em si, apenas a questão de ele dever ou não levantar esse tipo de discussão. Nem assisti o documentário ainda – se a minha internet deixar vou ver hoje mesmo e tirar minhas conclusões sobre ele.

    • Totalmente compreensivo. Eu acho(nessa minha opinião sem qualquer relevância) que ao texto faltou justamente essa frase complementar. A gente aqui meio que acompanha seu trabalho há um bom tempo e sabe que você não é agressivo ou mesmo possui um discurso vazio, por isso que apenas aquela frase solta me causou estranheza.

      Agora com esse complemento sinto que entendi seu apontamento no texto. E realmente o texto ser assinado transforma toda a discussão, Rique S2

  • Ivo Rodrigues

    Homens brancos e heterossexuais se incomodaram com a frase?

  • Michael

    Esse doc é raso igual aguá de salsicha,nada de novo.

  • Marcus Roberto

    Quando vi o título confundi achando que se tratava do “Indie Games: The Movie”, que foi disponibilizado pelo Steam. Mesmo apesar de parecer ser superficial, como citou o Rique, vou assistir pela curiosidade e para prestigiar qualquer trabalho que fale e divulgue o meio dos jogos.

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