Em sua segunda temporada, a série Looking, em exibição todo domingo na HBO, tem sido não apenas uma excelente comédia dramática sobre a vida gay cotidiana em São Francisco, mas também repleta de comentários interessantes sobre o universo dos videogames. Em outras palavras, a série traz um reconhecimento de duas minorias, o que a torna duplamente especial para o público “gaymer”.

Seu protagonista é Patrick (personagem de Jonathan Groff), um game designer que trabalha na fictícia Most Dangerous Games e é apaixonado pelo seu chefe, com quem ele teve um caso. Com uma certa frequência, Looking aborda o universo dos videogames, e o último episódio, “Looking for Gordon Freeman” é um deles. No episódio, Patrick decide fazer uma festa de halloween na casa compartilhada por ele e seu amigo Agustin – repare na decoração “nerd”. Patrick, que está emocionalmente fragilizado, toma a terrível decisão de se fantasiar de Gordon Freeman, o protagonista de Half-Life, que nenhum de seus amigos é capaz de reconhecer, com exceção de ninguém menos que o ficante atual de seu ex, com o qual ele ainda nutre sentimentos. Ouch.

“Do que você está vestido? De um carteiro do futuro?”, brinca Agustin, sem a menor noção de quem se trata seu personagem. “Não! Ele é um dos personagens de videogame mais populares de todos os tempos. Ele revolucionou os jogos de tiro em primeira pessoa porque você raramente o via ou o ouvia, para que você pudesse se imaginar melhor dentro do jogo”, justifica, discorrendo sobre o conceito de protagonistas mudos em jogos para seu amigo alheio a tudo isso. “Então sua ideia de se divertir é um personagem com tão pouca personalidade que ele é basicamente… nada?”, retruca Agustin. Em outro momento, perguntam se Patrick está fantasiado de um Walter White gay.

Tratando videogame com a mesma naturalidade que trata sexualidade, Andrew Heigh, o criador da série, aborda um aspecto comum da vida de pessoas apaixonadas por games: o fato de que algumas das coisas mais cotidianas e celebradas deste universo, como Half-Life e seu protagonista Gordon Freeman, podem não significar nada para o resto do mundo, com outros interesses além dos nossos. E, no caso de Patrick, isso é sentido da pior maneira.

Ouça mais sobre Looking no podcast Bilheteria #16.

  • Henrique

    Basicamente a carteirinha gamer não dá desconto na vida real.

  • Platynews

    Se der errado a vida de designer d ejogos ele pode ganhar uma grana preta em efeitos especiais ou criação de adereços pq essa roupa ficou supimpa =O

  • Luks

    É tão bom ver um site com notícias desse tipo. Me sinto muito bem representado nesse site.

  • Gustavo Freitas

    Cliquei na reportagem porque queria saber o que o Morgan Freeman falava sobre jogos.

    Depois do susto, não me arrependimento de ter clickado. Boa matéria!!!

  • Carlos Augusto Leão

    Excelente!

  • Outro ponto interessante que foi colocado no episódio em questão é o desconhecimento dos gays mais jovens por ícones antigos que fizeram/fazem parte deste universo. Se ele vestido de Gordon Freeman ficou indignado por outros não reconhecerem quem ele era, o que outros pensaram quando ele não reconheceu o casal fantasiado de Sonny e Cher.