Recebi um release no começo da semana indicando uma parceria entre a Hive, uma das maiores desenvolvedoras brasileiras de advergames, e a startup Beenoculus, empresa também nacional e uma das primeiras a focar seus esforços em fazer óculos de realidade virtual. Assim que abri o email não consegui de parar de me perguntar: por quê?

“Para atender às demandas do mercado e do nosso cliente e ao mesmo tempo conseguir fazer títulos próprios que tenham relevância em um ambiente cada vez mais competitivos”, me contou Mitikazu Lisboa, CEO da Hive. De fato, desde que o Oculus Rift apareceu pela primeira vez para o grande público em 2012 é profetizado que óculos de realidade virtual são o próximo passo lógico na evolução dos games. Então sim, a demanda do mercado é um fator importante para a parceria entre Hive e Beenoculus.

Mas a maior imersão proporcionada pelos óculos de realidade virtual, principal característica da nova tecnologia, beneficiará advergames, jogos flagrantemente mais limitados do que os jogos “normais” que estamos acostumados a ver? “Acho improvável. Salvo raríssimas exceções (como o jogo “Game Hero” que fizemos para a Intel), a ideia de um advergame não é ser algo tão complexo ou imersivo quanto outras categorias de jogos,” afirma Lisboa. Então a posição da Hive em relação a essa nova tecnologia fica interessante: a empresa sabe que o benefício principal, a imersão, não trará grandes coisas para o seu próprio negócio, mas considera, ainda assim, estar junto das novidades do mercado algo vantajoso.

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“Pretendemos explorar a plataforma da Beenoculus para entregar conteúdo de entretenimento para jogadores das mais diversas formas. A ideia é que não só tenhamos acesso à plataforma, mas também que possamos colaborar ativamente na construção da mesma através de feedback de projetos, mesmo que sejam experiências ou projetos piloto,” aponta o executivo, deixando claro que a Hive enxerga não apenas o benefício imediato, mas também pensa numa parceria mais orgânica com a Beenoculus.

Estabelecido que a Hive afirma saber que seus jogos não são os melhores para a experiência imersiva de óculos de realidade virtual e que o interesse é muito mais mercadológico do que necessariamente criativo, como enxergam os competidores nesta área (Morpheus da Sony, Oculus Rift e Re Vive do Steam)? “Realidade virtual é uma tendência que não tem mais volta. Porém acho que ainda é muito cedo para falar qualquer coisa sobre esse mercado além de que ele, com certeza, será enorme,” diz Lisboa.

A Hive fechou 2014 com um faturamento de US$ 9,5 milhões.

Beenoculus

O gadget de realidade virtual brasileiro chega ao mercado levantando a placa de “democratização da realidade virtual” e funciona diferente dos outros aparelhos no mercado: o Beenoculus é mais um estojo para celular do que um aparelho único. O usuário acopla seu celular ao HMD (head-mount display) e é o próprio celular que faz todo o processamento e exibe as imagens. Algo curioso é que lendo uma matéria do UOL Jogos sobre o Beenoculus chegamos ao trecho:

Um detalhe importante: o Beenoculus não vem com fones de ouvido, nem tem um orifício para encaixar um fone no celular.

“Recomendamos usar um fone de ouvido bluetooth, mas se preferir, o usuário pode fazer um furo no Beenoculus para encaixar um fone com fio”.

Honestamente, não parece uma coisa tão simples assim furar a carcaça de plástico para instalar um fone, mas talvez os usuários mais acostumados com ‘casemod’ ou com vocação para Professor Pardal discordem. Eu preferiria que esse orifício já estivesse presente no aparelho, me dando a opção de usar os fones do celular ou outro modelo compatível.

É. Sei lá.

O Beenoculus já está a venda e custa R$ 129 no site oficial da empresa.

  • Antonio Carlos Bleck Bento

    Hive… BEEnoculos… seriously ¬¬
    Realidade virtual pra jogo de celular, hum isso ta com mais cara de primeiro de abril do que o playstation flow, mas ae boa sorte pros caras.

  • OfudouMyou

    Eu não falo nada antes de caras como vocês do overloadr ou outros pouquíssimos sites de games que acompanho – e que são mais “livres” nas análises, estarem com o produto em mãos, com tempo suficiente pra testar, inclusive cobrindo mais do que um único jogo. Com major players como facebook e o séquito de publicidade e propaganda das redes sociais típica e sabidamente presente no meio, (afinal, quantos usuários mesmo?), não aponto sequer o viés ético das coberturas que teremos, mas o grande problema de distanciamento que teremos – pois imparcialidade é ilusão. Há sim um perigo de uma postura de “too big too fail” chegar forte na indústria de games se tivermos gigantes como Google e Facebook colocando dinheiro diretamente nesses projetos. Não é um sistema financeiro internacional, não são bancos, não há bail out do governo, mas, ao invés disso, há uma “rede de proteção” de empresas privadas de tecnologia que colocam no bolso, quase que literalmente, um projeto de desenvolvimento como a da realidade virtual, mastigam, empurram para frente com a barriga uma empreitada falha, e depois simplesmente abandonam as migalhas levando consigo todo um potencial então perdido por queimar etapas (afinal, a falha também faz parte do processo).

    O Google dia desses vendeu um navio que comprou, usou pra festas de inauguração e ninguém sabe, ou lembra, mais pra que serviu. Quantas e quantas start ups a Microsoft não engoliu só pra tirar do mercado, testar qualquer coisinha aqui e ali na interface do usuário, e ninguém mais ouviu falar? Quem acompanha notícias de tecnologia há um certo tempo sabe bem do que estou falando, hoje é só ruim, mas a Microsoft à época do Sr. Gates já muito, muito pior nesse quesito. Quando uma empresa do porte do Facebook coloca dinheiro numa tecnologia nova, a pressão, não se enganem, é imensa para que a coisa dê certa. Mas não é a mesma pressão de um empresa de videogames. Porque nenhuma Valve tem o peso de um Facebook no sentido não só financeiro, mas de alcance de público. O irônico é o fato de que exatamente a realidade virtual já padeceu desse mesmo mal no seu primeiro hype. A expectativa é exponencialmente maior, mais ampla, ao contrário do que muita gente pode pensar. E aí o mercado estraga. O passo é outro, a cobrança é outra, a cobertura da imprensa fora da indústria de games é outra, a queda enterra o projeto.

    Não estou colocando areia, espero de verdade que a gente tenha mais uma opção incrível para se divertir, afinal de contas, entre responsabilidades sociais e blá blá blá, videogame ainda é pra isso também, diversão, correto? Mas não coloco muita fé nisso até ter algo palpável, não… O rift não saiu, o morpheus não saiu, não acho que vai ser o Beenoculus e o advergames que vai ter relevância pra indústria. Os advergames movimentam bastante, mas o público específico é o geral. Assim mesmo, na contradição de termos. Assim como o Facebook é pra população global, um alvo muito maior do que o de jogadores de videogame. Somos muitos, mas não somos todos. Nem qualquer um.

    Pelo que realmente estou esperando ( e acho que o que a maioria do público “gamer”, o que quer que signifique o termo, também espera), pegar o Beenoculus só vai servir pra frustrar ou desinteressar.

    Ou não, né? Vai que… mas acho difícil.

    A realidade agora é essa mesmo: a aproximação dos games com a internet das coisas, integrados mais e mais a redes sociais e, com isso, carregando um escopo diferente no marketing direcionado, o que certamente modifca política de investimento, postura das grandes empresas desenvolvedoras, que por sua vez, precisam responder a acionistas, a diretores, etc.

    Estive em Nova Iorque ano retrasado e vi o absurdo dos billboards de GTA V na Madison Square. Estive há um mês em Tóquio e vi a propaganda de Monster Hunter envelopando um andar inteiro da Yodobashi Camera de Akihabara. A gente já vê há uma década a indústria de games faturando mais do que Hollywood. Não tenho facebook, não tenho paciência, mas tenho lá as minhas expectativas de ver um desenvolvedor menor fazendo brilhantismo com a tecnologia da realidade virtual. E isso graças ao Facebook colocando o dinheiro na coisa – e, obviamente, querendo ter o seu retorno, afinal, é uma empresa e precisa de lucro. Mas que dá receio, dá. E nem sei direito ainda do quê.

    O que vocês acham? Se a realidade virtual pega de vez, vira parte essencial de um console de videogame e, ao mesmo tempo, da experiência de um Facebook da vida, como isso vai afetar a indústria de games na opinião de vocês? Vocês já falam do início de um afastamento dos Triple A, como fica a coisa?