Eu não tenho nenhum conhecimento musical. Não sei como diferenciar um “dó” de um “ré”, a lógica de escalas me escapa completamente e, na única vez que brinquei com o software Fruity Loops, criei uma batida com três variações e já saí me sentindo a versão brasileira do The Knife.

Começo dizendo isso para deixar mais claro e tornar mais forte o agradável contraste que senti ao jogar Campfire. Na verdade não tenho bem certeza se dizer “jogar” está correto. Ele é interativo, com certeza, mas não há objetivos, progressão ou qualquer elemento de narrativa. Ele está mais para um brinquedo, um com o qual podemos, bem superficialmente, fazer música.

Como indicado pelo nome, Campfire se passa ao redor de um fogueira. Dois seres seguram instrumentos – um deles um violão, o outro um djembê – e cabe a nós tocá-los (os instrumentos, não os seres!) da maneira que acharmos melhor. Os comandos são bem simples. No caso do violão você escolhe a letra do teclado correspondente a um acorde e então apertar as setas para cima e para baixo para produzir som. No caso do djembê, cada um dos botões do mouse é referente a uma batida diferente.

Sozinho você pode alternar entre os dois, porém a ideia é que duas pessoas podem sentar e juntas comporem algo. Não há nenhuma complexidade envolvida aqui; o que fez Campfire me prendeu por alguns minutos foi sua propriedade relaxante. Mesmo sem ter a menor ideia de como criar uma harmonia (como estabeleci no primeiro parágrafo) os sons que saíam das minhas tímidas tentativas de conectar diferentes acordes faziam sentido, manifestando algo que possuía um mínimo semblante de melodia.

Junto disso há o barulho tranquilo e agradável do fogo queimando a lenha, por si só um deleite, mas que acaba funcionando como uma espécie de ruído branco que faz com que o tempo de vazio entre as batidas e os acordes não sejam de forma alguma frustrante.

Campfire não é o mais incrível exemplo de criação musical dentro de jogos, mas ele é certamente simpático. Não é nada que irá agarrá-lo por muito tempo, mas, por cerca de dez minutos, ele funciona como uma meditação.

O jogo foi feito Florian Decupper, um artista que trabalha para a Ubisoft, atualmente (segundo sua descrição no Twitter) desenvolvendo um título ainda não anunciado. Caso tenha curiosidade, Campfire é gratuito. Ele pode tanto ser baixado através do itch.io quanto jogado via browser.

Jogue também, gratuitamente:
– The Uncle Who Works For Nintendo
– Moving Stories

  • rodrigo

    claramente o dream pop esta chegando aos games, como foi com orquestrações

  • Júlio César S. Campos

    Tentei jogar sozinho e falhei.

  • Henrique Ribeiro

    Joguei por 15 segundos e fechei.

  • Desculpa ser chato, mas o correto é Fruity Loops