Em meio a dois enormes pesos pesados, Metal Gear Solid V: The Phantom Pain (que, inclusive, já analisamos!) e Mad Max, um jogo bem interessante chega discretamente nesta terça-feira (1°) ao Steam: o brasileiro Painters Guild, desenvolvido pelo gaúcho Lucas Molina.

Trata-se de um jogo de gerenciamento com uma estrutura bem similar àqueles tycoons clássicos da década de 90 que sugavam nosso tempo sem que percebêssemos, ainda que simplificada, sobre uma guilda de pintores no Renascimento italiano. Conforme você monta seu atelier e convoca artistas plásticos para trabalhar nas encomendas recebidas de aristocratas e do clero, seu prestígio e reconhecimento pela cidade (Florença, em meu jogo) aumentam, tal qual o grau de exigência de seus clientes.

Seus artistas são gerados aleatoriamente e possuem características próprias, que os tornam únicos: perfeccionistas, encrenqueiros, preguiçosos, teimosos e por aí vai. Há uma enorme variedade de características pessoais, que determinam como eles trabalham, estudam, envelhecem e se relacionam. Até a sexualidade de cada um deles é uma característica revelante, dado que homossexuais eram perseguidos durante a Itália renascentista.

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Tudo isso faz com que aqueles pequenos amontoados de pixels ganhem um grau de humanidade tão grande que me peguei me importando com cada um deles, valorizando cada uma das suas histórias pessoais — tanto é que optei por guardar cada uma de suas obras-primas, representadas aqui como retratos de si próprios, em vez de vendê-las. Acho que basta dizer que eu derrubei uma lágrima quando o primeiro grande mestre da minha guilda faleceu, já velhinho, após um tratamento médico ineficaz.

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Há, inclusive, momentos específicos do jogo em que você pode contratar grandes artistas, antes mesmo de eles terem obtido reconhecimento, como Caravaggio, Botticelli e Leonardo da Vinci.

Conforme o tempo passa, a tendência de estilos transita entre os tons leves e tenebrosos, e o jogador precisa especializar seus pintores em todos eles, se quiser agradar sua clientela e obter mais lucro e reconhecimento. É possível também combiná-los, colocando dois pintores de estilos diferentes para pintar uma mesma tela, simultaneamente ou em turnos (o que pode ser necessário, quando a tela é pequena demais para dois pintores simultâneos).

Não entendo muito de pintura e sei o básico da história da arte, mas ao meu ver, me parece que Molina identificou os elementos mais importantes deste período histórico e, a partir de uma abordagem lógica, os transformou em um sistema coeso, capaz de reproduzir verossimilmente a importância das artes plásticas na sociedade europeia entre os século XIV e XVII. E, o melhor: de forma envolvente, divertida e sem a sisudez que obras sobre o tema, de outras mídias, costumam ter.

Tudo em Painters Guild tem me agradado muito. Ao longo dos próximos dias, darei mais atenção a esta pequena obra-prima, em vídeos, textos e no nosso podcast, MotherChip. Enquanto isso, você pode adquiri-lo no Steam.

  • Corredor Ortográfico

    Que triste ver aqui um título nos moldes do Buzzfeed. Vocês possuem uma identidade própria que é mais forte que um título apelativo.

    Ps. 1: Li o texto todo.
    Ps. 2: Li tudo porque gosto do site, e não pelo título.

    • Guilherme Pupo

      Mas e se esta for a opinião do jornalista em relação ao jogo? Acho que é bastante válido e não vejo nenhum problema nisso. 🙂

      • Corredor Ortográfico

        Sim, é uma possibilidade, e não deixei de pensar nela ao comentar.

  • Arthur_Camara

    Queria muito jogar. Pena que não tem para Mac. =(

  • Gelannister

    “Pequena obra-prima”, I see what you did there…

  • Felipe de Albuquerque

    Poxa, até gostaria de dar minha atenção para esse jogo indie que parece bem interessante, mas com MGS V e Mad Max fica difícil agora. Vou guardar ele para aqueles meses menos cheios.

  • Elton Alves Do Nascimento

    Jogos tycoon sempre merecem a nossa atenção. E o supra sumo dos tycoons vai voltar. Talvez esse ano ainda saia Rollercoaster tycoon world. Espero que seja bem digno esse jogo.