O canal Feminist Frequency, de Anita Sarkeesian, é conhecido por fazer críticas contundentes sobre a representação feminina nos videogames. Seu último vídeo é uma ótima análise de Assassin’s Creed: Syndicate, que chega nesta terça-feira (26), e vem acumulando críticas positivas, inclusive da própria Sarkeesian, que destaca, principalmente, a diversidade e qualidade de seus personagens.

Já sabíamos que a Ubisoft estava se empenhado em introduzir um jogo mais igualitário, após ser duramente criticada por dispensar protagonistas femininas em Unity, e Sarkeesian faz um bom trabalho em mostrar a importância de Syndicate neste aspecto.

Além da protagonista Evie Frey, que ganha um tratamento humano a altura de seu irmão gêmero, o jogo traz entre seus personagens um homem transgênero e um indiano, elimina de seus NPCs as prostitutas e, entre suas figuras histórias, como Karl Marx e Charles Dickens, destaca também a Rainha Vitória e a enfermeira Florence Nightingale.

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Ned Wynert é um homem transgênero em Syndicate

Ned Wynert é um homem transgênero em Syndicate

“Estes personagens desempenham papéis secundários ou menores, mas suas inclusões são notáveis. Embora possa parecer ‘irrealista’ imaginar mulheres, ‘pessoas não-brancas’ e trans tratados e respeitados como seres humanos em 1868, realismo não é realmente o objetivo em um jogo no qual Assassinos e Templários têm travado uma guerra por séculos sobre artefatos criados por uma civilização antiga, onde você pode pular do topo da Catedral de St. Paul em uma pilha de folhas e sair ileso. A inclusão desses personagens funciona não por causa do realismo, mas por causa de seu tratamento crível e consistência interna. Essa credibilidade é resultado da decisão consciente dos desenvolvedores de tornar a presença deses personagens normalizadas e respeitadas por todos dentro do jogo.”

Anita também destaca algo que me parece ser um problema constante da trama de toda a série: o argumento de luta pela liberdade dos Assassinos, quando o que eles estão fazendo é, basicamente, substituir uma opressão por outra.

“A narrativa nos mostra que os males que assolam a Londres de 1868 são resultado de Templários malvados, e apresenta como solução para estes problemas matar muitas e muitas pessoas. Lutar para libertar as classes trabalhadoras oprimidas de Londres seria, na realidade, um objetivo nobre e extraordinário, mas reduzir uma questão tão importante em uma desculpa para introduzir mecânicas violentas de jogos AAA não faz mais do que banalizá-la. (…) E apesar de todos os encantos e boas intenções dos gêmeos Frye, eles são justiceiros tomando para si uma luta da qual eles não fazem parte. O jogo os apresenta como libertadores livrando Londres da opressão, mas eles são apenas conquistadores, substituindo o governo de um sindicato criminoso por outro.”

Assista:

  • Felipe de Albuquerque

    Apesar de eu ter várias críticas ao conteúdo produzido pela Anita Sarkeesian eu vou assistir o vídeo. Acho importante dar atenção a opiniões diferentes, principalmente em assuntos tão importantes como representação dentro da mídia.

  • Antônio Arnaldo Ferreira Xavie

    Na verdade um video como esse da Sarkeesian me deixa muito triste. Veja bem, não peloi tratamento dado a diversidade cultural e de gênero. Por favor não é o caso. Mas o que me entristece é que após 10 mil anos de evolução como especie isso ainda seja “espantoso”. É um tanto quanto triste tratarmos a pluralidade como exceção, e não via de regra. Ponto pra Ubisoft que ta aprendendo. mas até quando isso ainda vai ser “digno de nota” e não só uma coisa trivial e cotidiana. Bem, até a ficção ta aprendendo, será que a sociedade um dia vai aprender? Como diria o Almirante Adama “So say we all”

    • Matheus Mauro

      A luta deve ser constante enquanto a diversidade não for considerada como trivial e cotidiana. Também fico triste com isso, mas infelizmente a humanidade ainda não chegou ao ponto que essas coisas não causem o menor espanto

  • Vitor Calfa

    Não quero soar pessimista, mas sempre achei a causa dela perdida. Não por ser contra nem nada. Muito pelo contrário, acho nobre da parte dela ela ter essa determinação e paciência de aço em manter a posição e discurso em vista da negatividade da recepção do publico. A questão em si é justamente o público: Aparentemente o número de idiotas no planeta supera em larga escala o número de pessoas com algum bom senso na cachola. E enquanto existir mais gente idiota, o mercado vai ser direcionado a essa maioria. =

    Quer um exemplo? Fiquei horrorizado com o potencial boicote que Star Wars VII pode receber sob a absurda acusação de disseminar o extermínio branco. WTF!!? Ai eu te pergunto, será que o bom senso pode virar o jogo? Não sei. Como disse no início, sou pessimista…

    • Eu não acho que ninguém espera que o “bom senso” de repente atue nas pessoas. Isso vai acontecer a partir da educação e da luta por igualdade. Essa é a causa dela, até onde entendo.

  • Jonathan B.

    É o mínimo que a Ubisoft poderia fazer depois de tanto mico com o Unity.