O jogo de luta brasileiro Trajes Fatais (Traf, para os íntimos), em desenvolvimento pelo estúdio cearense Onanim, ganhou uma versão beta, liberada para testes pelo público. Um novo trailer apresenta também as personagens Lucy Fernandez e Lucy B-Side, sua versão alternativa.

Trajes Fatais acontece em uma festa à fantasia, na qual os personagens ganham poderes relacionados aos seus trajes. Vestida de “diabinha”, Lucy fala gírias gays como “Adoro perigo“, “Vai ser choque de monstro, meu amor”, popularizada pelo reality show também cearense Glitter, e jargões de Inês Brasil como “Se me atacar, eu vou atacar” e “Segura essa, monamu”.

Onofre Paiva, o idealizador de Trajes Fatais, intencionalmente buscou referências gays para compor a personagem Lucy. “Eu nunca tinha relacionado [a cultura gay com jogos de luta] até então”, me disse Paiva em uma entrevista, realizada no fim de 2015. “Mortal Kombat é super popular entre gays e só depois fui notar por que isso tinha uma certa base.” Paiva diz que, com Trajes Fatais, quer ter personagens que representem diferentes públicos. “É de nosso interesse que o projeto seja bem inclusivo, e cada personagem tem potencial de focar em públicos específicos. Temos o cuidado de ser inclusivo sem ser exclusivo”.

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A ideia de igualdade de gêneros e diversidade se expande para o resto dos lutadores: além de Lourenço, um cangaceiro, há também Cristiano, um anjo, que também recebe toques de sensualidade em seu tratamento. E não me refiro unicamente ao peitoral de fora. Veja:

“No passado, quando havia divulgado apenas a personagem Lucy, vários homens vieram me dizer ‘as feministas vão pirar de ódio’”, diz Paiva. “Também pensavam que o jogo seria predominantemente sobre mulheres seminuas e que os ‘Trajes Fatais’ eram roupas de sexy shop. O Cristiano foi divulgado logo depois pra dissipar essa imagem.”

“Minha noção de representatividade é bem maior hoje, mas o começo do desenvolvimento de Traf foi bem espontâneo. A brasilidade do jogo é pura consequência de sermos brasileiros e buscarmos referências mais no dia-a-dia do que apenas nas obras que consumimos de fora. Para as personalidades sempre tento me basear nas pessoas que conheço no mundo real”, complementa.

A equipe da Onamin quer que o jogo seja bastante acessível, e está dando à Traf uma jogabilidade simples, porém profunda, com semelhanças a Super Smash Bros.. Ele usa um único botão de ataque, o qual pode realizar diferentes ações, dependendo da direção em que o jogador move o direcional.

A versão beta pode ser baixada gratuitamente, e traz apenas o modo versus para dois jogadores locais e quatro personagens: Lucy Fernandez, Lourenço Sombra, Cristiano Martins e Lucy BSide.

A versão final de Trajes Fatais ainda não possui previsão de lançamento.