A Abragames, Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Jogos Eletrônicos, divulgou uma carta condenando a declaração do Presidente da Anatel, João Resende, durante sua entrevista coletiva realizada na última segunda-feira (18).

Na ocasião, em defesa à limitação da banda larga, Resende sugeriu que o ato de jogar online seria uma das razões para que a medida devesse entrar em vigor: “A gente sabe o que acontece principalmente com games online, né? Tem gente que adora fica jogando, né? O tempo inteiro, e isso gasta um volume de banda muito grande. É evidente que algum tipo de equilíbrio há de se ter porque, senão, nós teremos o consumidor que consome menos pagando por aqueles que estão consumindo mais”.

Em seu posicionamento, a Abragames afirma que “a limitação e corte prejudicarão todos os pequenos estúdios de desenvolvimento de games” instalados no Brasil, e que “limitar isso trará, na melhor das hipóteses, aumento nos custos fixos diretos das desenvolvedoras. E no pior dos casos, impossibilidade de desenvolver seus projetos com a infra-estrutura adequada — especialmente para competir no mercado global.” A associação também lembra que “não é o papel da Anatel julgar quem faz o quê com sua banda contratada”.

Sua ênfase, contudo, está no discurso preconceituoso, segregacionista e equivocado de Resende.

“Há uma preocupação com preconceito pois tal tipo de tom (“Tem gente que adora, fica jogando né?”) trata quem adora jogar como se fosse menor de alguma maneira, como se jogar não fosse uma forma de entretenimento tão válida quanto qualquer outra”, afirma a carta. “Além de se mostrar retrógrado e limitado, tal raciocínio demonstra que, aparentemente, a Anatel não observa que jogos, hoje, são uma mídia de popularidade incontestável. O Brasil é o 11º mercado de games em faturamento, segundo esta pesquisa. E vale registrar que quem joga no celular também se encaixa no critério “adora, fica jogando”, e já são mais de 154 milhões de smartphones no Brasil.”

Além de sua frase fortalecer a ideia retrógrada de uma divisão entre jogadores e não-jogadores, ela promove desinformação, uma vez o consumo de banda em jogos online é menor que o de streaming de vídeos, como Netflix ou Youtube. “Afirmar que o consumidor que consome menos vai pagar por aqueles que estão consumindo mais é uma técnica retórica bastante discutível, que parte do princípio que existe um número finito de dados a ser consumido de modo compartilhado pelos usuários. Este não é o combinado com o consumidor”, reforça.

Leia a carta na íntegra.

  • Samin

    Ódio desse cara….

  • Jefferson Rodrigues

    Esse cara, com certeza, recebe propina das operadoras.

  • Alimente um papagaio, e ele dirá o que você quiser. é bem isso. O pensamento dele não é diferente da maioria dos ratos de gravata desse país.