Dezessete anos após o lançamento de Baldur’s Gate, o RPG clássico recebeu recentemente um novo DLC oficial. Siege of Dragonspear, desenvolvido pela Beamdog, estúdio formado por ex-desenvolvedores da Bioware, foi assumidamente escrito para ser condizente com as transformações sociais da atualidade. Sua escritora, Amber Scott, incluiu, dentre os diferentes personagens da nova expansão, que promete mais de 25 horas adicionais de jogo, uma personagem transgênero, além de desenvolver melhor personagens femininas, intencionalmente desviando de objetificação e humor às custas de seu gênero, algo que acontecia no original.

Em parte por conta do tratamento de igualidade e possivelmente pelo fato de uma mulher ter escrito o novo roteiro, um grupo de jogadores reacionários passaram a boicotar Siege of Dragonspear, além de perseguir Scott, com assédio e ameaças. No Steam e no GOG, o DLC está recebendo uma avalanche de críticas negativas, a maioria delas rechaçando seu roteiro por conta de “ativismo esquerdista” e “agenda SJW”. Muitos relatam também que o jogo tem uma quantidade considerável de bugs e problemas técnicos.

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Em certo momento, o jogo também faz uso do meme “Actually it’s about ethics in gaming journalism”, uma resposta debochada ao GamerGate, movimento que cobrava por “imparcialidade” no jornalismo de games, mas que estava diretamente relacionado à onda de perseguições a mulheres desenvolvedoras e jornalistas.

Baldur's Gate: Siege of DragonspearBaldur's Gate: Siege of DragonspearBaldur's Gate: Siege of DragonspearBaldur's Gate: Siege of DragonspearBaldur's Gate: Siege of DragonspearBaldur's Gate: Siege of DragonspearBaldur's Gate: Siege of DragonspearBaldur's Gate: Siege of DragonspearBaldur's Gate: Siege of DragonspearBaldur's Gate: Siege of Dragonspear

Alguns comentaristas afirmam que a inclusão de um personagem transgênero desrespeita a lore do jogo. No entanto, Baldur’s Gate II trazia uma sequência em que, por conta de um acidente com uma poção, um personagem masculino se transformava em uma mulher. A personagem, porém, era debochada, após a transição, como lembra o Polygon.

Comentando a reação do público, Ed Greenwood, autor do cenário de RPG Forgotten Realms e criador de jogos de Dungeon & Dragons, no qual Baldur’s Gate é baseado, publicou no Facebook:

“Eu estou triste pelo o que venho ouvindo sobre a confusão envolvendo Siege of Dragonspear e a personagem trans que Amber Scott criou para ele.

Pessoal, o [Forgotten] Realms SEMPRE teve personagens (mortais ou divindades) crossdressers, que mudavam de gênero (e não apenas para passarem despercebidos por guardas em uma aventura, ou por ilusões e magias que alteravam a forma) e eram ativamente bissexuais e abertamente gays.

(…) D&D tem meio-orcs, meio-dragões, meio-elfos e itens mágicos que especificamente mudam seu gênero, nas próprias regras. Claro, se você é capaz de lidar com a noção básica de sexo interespécies, uma maior variedade de papéis de gênero não deveria ser algo chocante. Se não é pra você, tudo bem. Eu odeio vestir certos tons de amarelo. Mas eu não saio gritando para qualquer um que eu vejo usando aqueles tons de amarelo, xingando-os, ameaçando-os. Meu direito de desgostar de amarelo se aplica unicamente a mim; não se estende aos outros.”

Aos que comentaram que histórias fantásticas não deveriam conter comentários sociais ou políticos, Rhianna Pratchett, escritora de Rise of the Tomb Raider, tuitou: “A fantasia não está divorciada do nosso mundo. É uma lente pela qual nós o exploramos.”

Atualização: A Beamdog emitiu uma declaração oficial, escrita por seu CEO, Trent Oster, em resposta às críticas e, especialmente, sobre a perseguição à roteirista Amber Scott. Na carta, ele defende Scott e condena o assédio à escritora. Veja a resposta na íntegra.

 

  • Gustavo Freitas

    Certos tons de amarelo OK, cores fluorecentes não, isso agride a todos… Sempre que vejo uma mulher com um escarpin fluorecente eu tendo a levar a mão aos olhos e gritar: “my eyes….my eyes”…

    Brincadeiras a parte, acho que nada precisa ser dito depois que um dos autores de cenário tem um belíssimo posicionamento deses… Tapa na cara de que diz que contraria o Lore…

    Meio-orc, blz…. Trans, nojento…

    Até quando meu povo?! Até quando?

  • Richard

    Não adianta vocês quererem tirar conclusões de meias verdades. Leiam aqui a opinião de alguém que REALMENTE jogou e conhece muito bem o universo de Baldur’s Gate: http://nichegamer.com/2016/04/04/tale-dragons-memes-dragonspears-writing-horrid/

    • Seriously?
      Vou só deixar esse quote do texto que você postou
      “Social justice folks are offended by anyone wanting to escape the real world. I could tell you that their guilt over being so white, so “basic”, so rich, so privileged, and so elitist is what drives them to lick the altar of “white guilt”. I could tell you that they secretly feel so guilty being privileged themselves that they spend their entire adulthood pushing their insecurities on others, all in the hope of somehow silencing that little voice in their head that tells them they’re worthless.”

  • rodrigo

    pessoas sendo pessoas….

  • PauloHDSousa

    Deviam colocar um personagem negro com olhos de japonês, e um negro de cabelo liso…. mané tratamento inclusivo, pleo amor de deus… eu não vejo muitos protagonistas negros nos jogos AAA , INCLUSIVE no LOL há apenas 2 personagens negros de mais de 80 humanos… tem ninguém incomodado, no universo da blizzard também tem a maioria branco…

    Sei lá, mas precisa de um jogo de luta gay? precisa colocar trans no meio de um RPG ? lol… acho que tem lugar pra se abordar…

    • riquesampaio

      Precisa. E precisa de mais negros tb. Representatividade e diversidade fazem uma ENORME diferença, rapaz. Respeito.

      • PauloHDSousa

        Tão ta, esperando um jogo de luta só com jogadores negros.

        • Cara, realmente não sei em qual mundo de informação você vive, mas tem muita gente (e aumentando a cada momento) reclamando da falta de representatividade nos jogos. Só porque não fizeram ainda não significa que tá certo.

          E qual é o lugar “certo” para se abordar inclusão?

          • PauloHDSousa

            Ta bom, eu acho que me exaltei sem motivo. desculpas.

          • Legal, mas de onde veio essa exaltação? É uma pergunta séria que eu ainda não consigo entender porque pessoas se irritam com maior representatividade na mídia. Vai que vc me explica de uma maneira mais clara…

          • PauloHDSousa

            Xô tenta… não é irritação, mesmo por que nem jogo esse jogo aí… mas …

            http://overloadr.com.br/noticias/2016/03/lucy-do-jogo-de-luta-trajes-fatais-e-uma-homenagem-a-cultura-gay-brasileira/

            Para que esse jogo ? uhuheuhe…

            Namoral tanto faz, eu acharia estranho do mesmo modo se fizessem um jogo de luta só para negros… Só acho desnecessário fica botando ou afirmando Gay em tudo..

            tipo a Gaymada… (belo nome por sinal)

            Olha… não vou conseguir (acho) te explicar de modo mais calor o que eu acho, mas vou tentar com a frase

            “Não precisa ficar botão GAY em todo lugar”

            Ao menos pra gente que mora em SP-CENTRO Brasil, já é algo ‘aceito’, talvez por isso eu ache desnecessário por considerar algo já normal.

            Se estou sendo babaca, me desculpa, não foi intenção.

          • Então, a real é que o que você aponta como “BOTÃO GAY EM TODO LUGAR” é: 1 – mentira, afinal, é claro que a cultura que consumimos é majoritariamente feita para homens heteros brancos (sério, pega 5 grandes lançamentos de jogos do último ano e veja quais são os protagonistas e as histórias dos mesmos) e 2 – pessoas gostam de se sentir representadas nas coisas. Quando agnt baseia a cultura toda em um só viés (homem branco hetero), uma hora cansa e mesmo os outros escalões da sociedade querem ser representados também, querem ter uma ligação mais próxima com a mídia que consomem.

            Você acha o jogo “desnecessário” porque não liga para essa representatividade. Acho que é um erro por vários motivos, indo da falta de criatividade gritante, já que o mundo possui muito mais cor do que só um tipo de pessoa, até falta de empatia, entender que outros têm desejos diferentes dos seus.

            É total ok você não querer jogar esses jogos (eu acho bobo, mas é ok), mas daí para falar que eles não precisam existir é puro e simplesmente preconceito. É partir do princípio que os videogames existem num vácuo que não são afetados pelo mundo real. Que videogames são só consumidos por homens heteros brancos que não enxergam outra coisa sem ser armas, mulheres e sangue.

            E é um negócio bem doido já que essa discussão é cada vez mais sem sentido em todas as outras mídias (filmes, livros e quadrinhos). O que só reforça aquele estereótipo escroto do jogador de videogame branco e gordo que não faz nada da vida e só liga pro joguinho.

            Acho que dá para agnt ser bem mais do que isso, dá para ser algo mais rico e divertido para todos. Sem exceção. Que uma lésbica se divirta tanto quanto um negro, quanto uma pessoa trans, quanto o homem branco hetero. Tem espaço pra todo mundo. Existir o Trajes Fatais não extingue o Call of Duty e ninguem tá falando para acabar com Battlefield, saca?

          • PauloHDSousa

            Eu até quero jogar RPG, só não esse, prefiro mais o estilo DIABLO ( que não é RPG mas ok) EU NÃO VOU JOGAR O JOGO por que tem uma trans, eu não jogo porque não me chamou atenção gráficos e afins.

            Não to falando que não deve existir jogos com representatividade, só acho “desnecessário” ter um jogo 100% voltado para um nicho étnico/orientação, mas no final, tanto faz… tem o TARIC no LOL, deram um rework nele, se ficar forte eu jogo, não tem problema…

            Mas talvez minha opinião seja um pouco diferente da maioria, então deixa pra lá.

          • Você tem que arrumar teu discurso, cara. Quando você fala “Para que esse jogo ? uhuheuhe…” dá a entender que não precisa existir o jogo. De qualquer maneira, praq ter um jogo 100% voltado para um nicho? Ué, quando um jogo é voltado 100% para machões como CoD tá tudo certo, o bizarro quando fazem para gays? Ou negros? Quer dizer, o problema é quando o nicho não é você ou quando o foco não é “a maioria tradicional”?

            Pleno século XXI e ainda temos esse preciosismo bobo de que “só a opinião da maioria que vale”, que só o tradicional deve ser celebrado.

            A sua lógica morre ao primeiro ataque, Paulo. Não faz sentido a falta de representação e qualquer um precisa estar a vontade para fazer suas criações. E receber críticas das mesmas. Ainda mais quando baseadas em preconceitos mesquinhos e completamente ultrapassados.

            Reafirmo: não é porque Gone Home existe que Mario precisa parar de existir.

            E não, você não é um floquinho de neve especial que tem uma opinião diferentona da maioria. É pior, bem pior: sua opinião ecoa a mesma da grande maioria que não vê problema algum em esquecermos como a sociedade é plural e cheia de gente diferente.

          • PauloHDSousa

            Ah, minha noiva joga COD, meu irmaozinho joga COD, eu as vezes jogo COD…

            Quer dizer, o problema é quando o nicho não é você ou quando o foco não é “a maioria tradicional”?
            R : Acho que sim. o problema é quando o nicho é muito nicho…

            E como eu disse, se o cara quiser fazer o jogo faz. e concordo que pode existir os dois.

            Não tem por que agente continuar ‘discutindo(não brigando)’ por isso, deixa pra lá ok?

            Se o cara quiser fazer jogo X ou Y ok.

          • Todo mundo pode jogar tanto o CoD quanto os Trajes Fatais, ou Gone Home, ou Life is Strange. Isso se chama inclusão.

            Então, você tem uma visão extremamente limitada numa época que já foi comprovado que conseguimos coexistir com as mais diferentes estilos e nichos. Se um nicho é pequeno ele pode ser atendido. Se vc não faz parte dele não consuma – e mantenha uma visão limitada. É bem simples.

          • PauloHDSousa

            Sim! se não faço parte do “nicho” para qual foi feito o jogo, melhor eu não falar nada nem a favor nem contra, todos os jogos podem existir sem que outro deixe de existir, você tem razão.

          • PauloHDSousa

            Caio, vocês já me fizeram comprar vários jogos, eu respeito bastante a opinião de vocês. desculpa qualquer coisa.

        • Tais
          • PauloHDSousa

            Aí sim… agora tem que ter um jogo de corrida só com indígenas ou que tenha um indígena ao menos.

          • PauloHDSousa

            Parece bem legal diga-se de passagem.

    • Caê Almeida

      Jesus é branco. Os anjos são brancos. Os protagonistas de filmes são 99% brancos f*dões. Branco, branco, branco. Isso n te incomoda?

      N ter nenhum personagem da imaginação com quem vc se identifique de verdade?

      • PauloHDSousa

        Então… pior que não. Mas conheço gente que isso é importante.

  • Caê Almeida

    Fantastica materia. Haters are gonna hate n ha oq fazer. Como vcs mesmos dizem, são uma minoria barulhenta e nada mais. Dando um grito de agonia de morte, pq esse tipo de pensamento logo vai morrer. E esses serão os velhos rabugentos do futuro, ridicularizados por todo mundo jovem a seu redor.

    O mundo é diverso. Abram sua mente. Abram sua meeeeeeeeeeeeeeeeente

  • El Luchador

    É impressionante e lamentável ver que, em pleno 2016, tem gente que só olha pro próprio umbigo.

    “Não gostei. Não é pra mim. Não vou jogar, portanto, não precisava existir. Não sei porque fizeram isso.”

    AARGH