No Man’s Sky é um jogo de extremos. Apesar de certamente haver um bom número de pessoas que apreciaram o trabalho da Hello Games, há também uma quantidade expressiva de indivíduos que não apenas saíram decepcionados com o título, mas que também sentem que o estúdio, e especialmente Sean Murray, fizeram uma propaganda enganosa sobre o que o jogo realmente era.

O que chama a atenção é que, desde o lançamento de No Man’s Sky, não ouvimos praticamente nada de Murray ou da Hello Games sobre toda essa polêmica, o que certamente piorou a situação. E, até então, a própria Sony, que realizou uma campanha de marketing para o título como se ela mesma o tivesse desenvolvido e que foi responsável pela distribuição da edição física de PlayStation 4, não havia se pronunciado sobre o assunto. Isso mudou apenas agora, quando Shuhei Yoshida, presidente da Sony Worldwide Studios, fez comentários sobre essa série de eventos em uma entrevista a Eurogamer.

Apesar de afirmar que ele realmente gosta de No Man’s Sky, Yoshida diz que “entendo algumas das críticas que especialmente Sean Murray vem recebendo, porque soava como se ele estivesse prometendo mais funções ao jogo já para o primeiro dia.” O presidente continua, “não foi uma boa estratégia de relações públicas, porque ele não tinha uma pessoa RP o ajudando, e no fim ele é um desenvolvedor independente. Mas ele diz que o plano do estúdio é continuar a desenvolver as funcionalidades de No Man’s Sky, e eu estou animado em continuar a jogá-lo.”

A resposta de Yoshida é bem política e, ao mesmo tempo, serve como esquiva. As declarações de Murray foram certamente o principal combustível para o burburinho que existiu concomitantemente ao lançamento do jogo, porém seria ingenuidade não considerar que a Sony teve um dedo nisso. Ela provavelmente não influenciou os desenvolvedores sobre o que podia e não podia ser dito, entretanto deu amplo espaço para eles em algumas de suas coletivas, além de ter colocado bastante dinheiro na campanha de marketing, mesmo não se tratando de um exclusivo (No Man’s Sky também saiu para PC alguns dias depois de chegar ao PlayStation 4).

O contraste é notável quando vemos que jogos que possuem de fato exclusividade, como o recém-lançado The Tomorrow Children, não tiveram nem um décimo desses holofotes voltados a eles. É verdade que isso possivelmente se deve também à qualidade que a empresa já previa para o título em si (The Tomorrow Children não recebeu as melhores das críticas e o tempo que passei com ele não foi muito divertido), porém não muda o fato de que muitos sequer perceberam que ele havia se tornado disponível na última semana.

A essa altura, a aposta mais certa é que Sean Murray e a Hello Games não irão falar nada sobre suas declarações passadas nem sobre a expectativa em torno de No Man’s Sky. Nós só deveremos ouvir novamente deles quando alguma nova e grande atualização do jogo estiver disponível, acrescentando novas mecânicas e, quem sabe, deixando-o um pouco mais próximo de se tornar o título que foi por repetidas vezes descrito por Murray.

Para saber mais sobre No Man’s Sky, leia nossa análise do jogo e assista ao nosso Shuffle ao vivo.