Laila Shabir é a fundadora da iniciativa Girls Make Games, uma oficina global de desenvolvimento de jogos voltada para meninas. Sua proposta é permitir que elas explorem seu interesse em criar jogos, livres dos preconceitos que desencorajam mulheres a ingressarem no meio de tecnologia. Um minidoc, produzido pelo projeto Critical Path, apresenta a inspiradora história de Laila e o sucesso de seu programa, que em apenas dois anos se estendeu a 20 oficinas ao redor do mundo.

Shabir cresceu nos Emirados Árabes, com sua família paquistanesa. “A emoção predominante que mulheres sentem na minha cultura é medo”, diz Shabir, no minidoc. “Medo da sua reputação ser arruinada. Medo de agressão emocional e física.”

Desde cedo, era fascinada por computadores e videogames. Aos 11 anos, ela programou seu primeiro software. “Quando eu me inscrevi pela primeira vez no MIT houve muito desencorajamento”. Seu pai, contudo a mandou para a renomada universidade, dizendo a ela para viver como um rapaz. Ou seja, sem medo.

“Foi interessante ver essas garotas americanas porque elas estão recebendo as mesmas mensagens que eu recebi quando era criança, crescendo no oriente médio, exceto pelo fato de que aqui as mensagens são mais subliminares”, diz, sobre a maneira que garotas são desincentivadas a expressar interesse à coisas tidas como masculinas. “Muitas garotas se inscrevem para o curso e o abandonam antes mesmo dele começar. Seus pais mandam um email dizendo que sua filha ficou nervosa, e que não virá”, lamenta.

As garotas que superam a barreira do medo encontram um lugar onde elas podem se expressar, sem julgamentos. “Quando as garotas chegam aqui e veem outras meninas que são igualmente nerds, elas se sentem realmente validadas.”

Para Shabir, o Girls Make Games está abrindo portas para as garotas na indústria de videogames. “Você poderá ver o impacto em cinco, dez anos, quinze anos, quando as garotas começarem a dizer ‘se não fosse pelo Girls Make Games eu não estaria aqui no Xbox’, ‘se não fosse pelo Girls Make Games, eu não estaria publicando meu primeiro título’. E eu espero que isso aconteça. E esse será o momento em que eu direi ‘é por isso que nós o fizemos.’

Para saber mais sobre o projeto Girls Make Games, acesse seu site oficial. Veja também outros episódios do projeto Critical Path.

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  • Martha Ex Machina

    Ótimo vídeo, eu só é ruim a música estar meio alta em comparação à voz dela, por isso às vezes fica complicado entender

  • zé wilson

    Muito bacana a matéria, vou me informar mais sobre o projeto. Obrigado overloadr por mostrar e informar a respeito^^