Uma das grandes expectativas deste ano é o lançamento do Projecto Scorpio, uma versão melhorada do Xbox One, um salto similar ao feito do PlayStation 4 para o PlayStation 4 Pro, porém ainda maior.

Na manhã desta quinta-feira a Digital Foundry publicou uma matéria na qual revela diversos das especificações do novo console. O site pôde vê-lo a convite da própria Microsoft e a primeira coisa a ser notada é que a empresa está atingindo os parâmetros prometidos por ela quando o aparelho foi oficialmente anunciado na E3 de 2016.

O Scorpio não é apenas mais forte do que o Xbox One S. Ele é também mais capaz do que o PlayStation 4 Pro, lançado em outubro do ano passado pela Sony. Ele estará equipado com o que está sendo chamado de “Scorpio Engine”, um sistema em um chip (SoC) customizado, feito em conjunção com a AMD.

Sua GPU tem 40 unidades de processamento gráfico Radeon rodando a 1172 MHz, sua CPU tem 8 cores x86 customizados rodando a 2,3 GHz e conta com 12GB de RAM GDDR5, sendo 4GB usados para o seu sistema e o resto livre para desenvolvedores utilizarem. Com isso, a Digital Foundry afirma que o console alcança os 6 Teraflops que foram mencionados por Phil Spencer na coletiva da E3. Para comparação, o PlayStation 4 Pro, o console mais poderoso atualmente no mercado, tem uma GPU rodando a 911 MHz, enquanto sua CPU tem 8 cores Jaguar rodando a 2,1 GHz.

Fora isso, o Scorpio virá com um HD de 1TB e um drive que roda Blu-Rays Ultra HD, algo já presente no Xbox One S e ausente no PlayStation 4 Pro.

A tabela abaixo, também da Digital Foundry, mostra um comparativo mais diretamente ao ponto entre o Scorpio, Xbox One e o PlayStation 4 Pro.

Tabela comparando as especificações do Scorpio, Xbox One e PS4 Pro (via Digital Foundry)

A análise da Digital Foundry aponta uma outra coisa, além dos números brutos. De acordo com a reportagem do site, um dos aspectos mais chamativos do console está no processador de comandos da GPU. O motivo está no Direct3D 12 ter sido construído no processador de comandos da GPU, tornando a comunicação entre o processador gráfico e os jogos mais eficiente. Segundo o que é dito, é comum que uma CPU precise de milhares de instruções para informar ao hardware de gráficos o que precisa ser desenhado. Por conta da arquitetura do Scorpio, isso pode ser feito com apenas 11 instruções e 9 para um state change. Ao que tudo indica, com isso é realmente possível que jogos em 900p ou 1080p rodem em 4K nativo no aparelho.

A Microsoft demonstrou isso em uma demo feita na engine de Forza MotorSports para o site, que rodava não apenas em 4K mas também a 60 quadros por segundo. Mesmo com tudo isso, entre 60 e 70 por cento da GPU do Scorpio estava sendo utilizada, o que significa que ainda havia possibilidade de outas melhorias. Outra consequência da mudança de arquitetura é que jogos antigos não precisarão receber patches específicos – e também não será preciso ligar um “boost mode” – para que eles tirem proveito do poderio do Scorpio.

A casa do Xbox está ciente de que fazer com que títulos antigos passem de repente a rodarem de maneira diferente do intencionado pode causar problemas. Recentemente vimos isso em uma das coleções de Kingdom Hearts, em que os 60 quadros por segundo fizeram com que certos ataques de inimigos agissem de maneira diferente da original. Dessa forma, a própria empresa afirma que haverá casos em que eles terão de “dar uma diminuída em alguns atributos. Em alguns jogos nós potencialmente teremos de diminuir o número de CUs, por exemplo, para manter a compatibilidade com aquele título, “disse Andrew Goossen, da Microsoft. Ele completa que isso não é diferente do que é feito quando jogos do Xbox 360 entram na retrocompatibilidade do Xbox One, então não é algo que a empresa já não esteja acostumada a fazer.

Exitem agora duas grandes questões. A primeira delas é, jogos. Phil Spencer já afirmou anteriormente que nenhum jogo poderá rodar apenas no Scorpio, tendo também de funcionar no Xbox One original. Isso não parece ter sido um problema com a chegada no PlayStation 4 Pro, principalmente pelo fato de que o console não é tão mais capaz do que seu predecessor. No caso do novo aparelho da Microsoft, o salto é consideravelmente maior, o que pode fazer com que o Xbox One só comece a parecer um empecilho, impedindo que jogos tenham as capacidades técnicas que de outra forma poderiam ter se pudessem existir apenas no Scorpio.

A segunda questão é o preço. Nada ainda foi dito sobre quanto que o aparelho custará quando chegar às lojas no fim do ano e, como ressaltado pela Digital Foundry, esse hardware todo provavelmente não será barato. A especulação do site é de que o Scorpio apareça no mercado custando US$ 499, o mesmo preço que o Xbox One tinha em seu lançamento. Nós deveremos ter a confirmação disso na E3 deste ano.