Durante o último final de semana aconteceu em Cracóvia, na Polônia, a conferência Digital Dragons, que contou com painéis de personalidades da indústria de games. Um deles foi apresentado por Hirokazu Yasuhara, que antes de ingressar na Nintendo, onde trabalha atualmente, foi um dos principais designers a compor a equipe de Sonic — tanto que dirigiu Sonic 3 e Sonic Knuckles.

Em seu painel, Yasuhara apresentou rascunhos do desenvolvimento de Sonic 2 nunca antes revelados ao público, os quais foram tuitados pelo game designer Brandon Sheffield.

Uma das ideias tidas para Sonic 2 por Yasuhara e sua equipe envolvia viagem no tempo. Curiosamente, segundo Sheffield, Yasuhara não sabia que a equipe de Sonic CD, desenvolvido paralelamente a Sonic 2, também estava se baseando neste mesmo conceito. Com um prazo de desenvolvimento limitado, a ideia foi descartada, mas não antes que o conceito fosse esboçado e 18 fases envolvendo passado, presente e futuro fossem planejadas — muitas das quais acabaram sendo cortadas da versão final.

As imagens abaixo foram extraídas deste tweet de Brendon e mostram a evolução do continente de Sonic 2, do passado para o futuro.

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O mais curioso é perceber que, quando considerada a ideia de viagem no tempo, Sonic 2 pode ser tratado como um comentário sobre preservação ambiental — algo que Sonic CD acaba inevitavelmente fazendo. Ao olharmos para os esboços do continente onde o jogo se passa, nos diferentes períodos planejados originalmente, vemos que o passado concentra fases de exuberância natural, como Green Hill Zone (que aparentemente seria reprisada em Sonic 2) e Hill Top Zone. Conforme a presença de Robotinik (e consequentemente, da tecnologia) se expande através do tempo, o continente vai se tornando cada vez mais industrializado, resultando em fases como Chemical Plant Zone, Casino Night Zone e Genocide City, esta última cortada do desenvolvimento, por razões óbvias. A leitura ambiental ainda pode ser feita na versão final de Sonic 2, mas ela seria muito mais clara se as ideias originais tivessem sido preservadas.

Outros esboços de Sonic 1 revelam ideias e mecânicas que nunca foram implementadas nos jogos originais, possivelmente por barreiras tecnológicas e falta de tempo.

Os esboços complementam a fascinante história de desenvolvimento de Sonic 2, que acabou dando origem à cena hacker de Sonic, uma das comunidades mais efervescentes dos videogames, cuja história exploro em nosso Mini-Mini-Doc:

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