O site Ars Technica divulgou na manhã desta terça-feira um fascinante estudo (em inglês) que fez com milhões de conta da Xbox Live.

O artigo começa explicando sua metodologia, detalhando como teve acesso a diversas Gamertags e como isso permitiu que o comportamento de cada uma delas fosse visto, levando a uma análise sobre o uso da Xbox Live como um todo por parte de seus usuários.

Kyle Orland, autor do texto, reitera em seu início que existem falhas nessa interpretação. Os dados adquiridos, por exemplo, não distinguem casas com mais de um Gamertag que têm acesso à mesma cópia de um jogo. Isso leva a algumas discrepâncias fáceis de serem vistas, como um número irreal de unidades do Xbox 360 se levarmos em consideração unicamente quantos jogaram Kinect Adventures, porém é possível que outros erros tenham passado despercebidos por não serem visíveis de forma simples.

No entanto, mesmo levando isso em consideração, o estudo da Ars é informativo e, como o artigo aponta, um dos poucos dados mais concretos que temos sobre como pessoas usam seus consoles. Um dos primeiros pontos chamativos está na divisão de tempo por conteúdo no Xbox One e no Xbox 360. Na atual plataforma da Microsoft, entre setembro de 2016 e fevereiro de 2017, 54,7% do tempo que o console esteve ligado foi dedicado a jogos, enquanto 16,5% foi dedicado ao Netflix, 6,6% ao Youtube e 6,7% ao App de TV.

Isso não deve ser inteiramente surpreendente dado que já víamos essa tendência na última geração, mas não deixa de ser interessante podermos pontuar que aproximadamente metade do tempo que um Xbox One está ligado é dedicado a videogames em si. Isso corrobora com a inclinação da Microsoft, na época do anúncio de seu aparelho, em falar muito sobre conteúdo televisivo. Talvez, no fim das contas, o problema tenha sido mais um de comunicação e não necessariamente de estratégia.

Divisão de tempo em conteúdos no Xbox One. Reprodução: Ars Technica

Divisão de tempo em conteúdos no Xbox One. Reprodução: Ars Technica

Outro dado curioso é o quão pouco a retrocompatibilidade é usada. No período analisado, apenas o referente a 1,5% dele foi dedicado a títulos do Xbox 360 sendo rodados no Xbox One. O que tira-se disso (e é algo que em diversos momentos membros da indústria disseram no decorrer dos anos) é que a retrocompatibilidade é uma funcionalidade muito pedida e apreciada, mas concretamente não é tão utilizada assim.

O artigo também se aprofunda nos jogos mais populares em cada uma das duas plataformas, dividindo-os entre número de usuários e tempo que eles foram jogados. As listas não divergem consideravelmente nos dois filtros e contêm em sua esmagadora maioria os nomes esperados, como Battlefield 1, Fifa 17, GTA V, Overwatch, Destiny e outros mais. As maiores exceções são Titanfall, Sunset Overdrive e Ryse, que aparecem em uma boa posição de lista de jogos que as pessoas possuem, mas não integram a de tempo jogado. Isso é facilmente compreensível com Sunset Overdrive e Ryse, ambos focados em campanhas para um jogador e exclusivos (Ryse foi posteriormente lançado para PC, mas foi também um dos títulos de lançamento do Xbox One, o que certamente impulsionou suas vendas).

Jogos mais populares no Xbox One de acordo com tempo jogado. Reprodução: Ars Technica

Jogos mais populares no Xbox One de acordo com tempo jogado. Reprodução: Ars Technica

O que a Ars também enxerga é que, no Xbox One, um número menor de pessoas possui uma variedade maior de jogos quando comparado ao Xbox 360. Especificamente, cerca de 60% dos títulos da atual plataforma da Microsoft estão nas coleções de menos de 0,1% de todos os usuários da Xbox Live, enquanto  no Xbox 360 são aproximadamente 33% dos títulos que são de posse desses 0,1%. O próprio artigo reconhece que o tempo de mercado dos dois consoles é provavelmente um grande fator para essa discrepância, porém conclui que o Xbox One é mais dependente de grandes hits do que seu predecessor.

Há muito mais dados e análises na publicação da Ars, que certamente vale uma leitura. Além disso, a publicação afirma que existem outros estudos a serem feitos com tudo que eles obtiveram e que isso será feito futuramente.

  • El Luchador

    Que interessante! Curti.

  • Convidado

    Overlords, muito legal trazerem este excelente artigo a luz! Parabéns e obrigado

  • Flávio Da Silva

    Boa noite no caso meu xbox foi banido que é meu caso queira não consigo jogar online. Como eu faço nunca mais vou jogar online

    • Marcelo Freitas

      Qual o motivo do banimento?

      • Flávio Da Silva

        Eu não sei apenas eu não consigo jogar nem um jogo online eu xbox conecta na Live mas não consigo jogar online

        Em 06/06/2017 23:00, “Disqus” escreveu:

  • Green ZOMBIE

    Esta pesquisa deixa bem visível os fatos de que o console só está cumprindo as promessa da Microsoft em 2013: Uma central multimidia. Vide os numeros do tempo gasto usando as features que o console oferece: TV, Internet, Netflix (4K no Xbox S), Streaming… Números que favorecem os argumentos e investimentos da MS em Serviços no aparelho.

    Quem comprou Xbox já sabia das possibilidades e está usufruindo de todas elas.

    • Caio César Mendonca Souza

      Eu queria ver uma pesquisa para o PS4, meu chute é que não vai fugir muito disso. O top 10 mais jogados da plataforma da sony deve ser igual a essa, com a diferença que não teria gears4, e entraria overwatch.

      • Green ZOMBIE

        Eu também acho. O que me intriga, são mais de 14% do tempo usados para aplicativos não Games. Talvez serviços de Streaming? Ou Outros apps de aluguéis de filmes não tão fortes como o Crunchyroll?

        • Caio César Mendonca Souza

          Vai saber ahahahahahah

        • Heitor De Paola

          Sim, são outros apps de stream, como o Hulu e afins, e ele também contabiliza coisas como serviços de música.

  • Márcio Barbosa

    Bom, só vão ter que corrigir os dados com relação ao uso da retro.