Um pouco afastada do turbilhão que vinha dos enormes estandes que estavam nos pavilhões da Brasil Game Show, a presença da Nintendo na maior feira de videogames da América Latina era um pouco tímida. Oficialmente, a casa de Super Mario Bros. estava patrocinando um concurso de cosplay, mas em uma sala à parte mostrava para alguns convidados Pokémon: Let’s Go Eevee/Pikachu e Super Smash Bros. Ultimate, títulos ainda não lançados no Switch, dentre outros jogos do aparelho.

Nos dois anos que antecederam o encerramento da distribuição de produtos Nintendo em nosso solo, ela não havia mais aparecido na Brasil Game Show. Por conta disso, estar na edição de 2018, mesmo que sem um estande, soou inicialmente como algo animador para nosso mercado. Isso, aliado ao lançamento da Loja Nintendo, um site que é uma versão limitada do eShop do Switch que usa nossa moeda, poderia ser interpretado como passos em direção ao retorno pleno da companhia por aqui, como tínhamos antigamente. Infelizmente, esse não parece ainda ser o caso.

Presente no evento estava Pilar Pueblita, relações públicas da Nintendo para a América Latina, com a qual pudemos conversar. O que havia de novo para ser anunciado foram cartões pré-pagos de jogos presentes na Loja Nintendo, como Super Mario Odyssey e Xenoblade Chronicle 2, além de assinaturas para o recém-lançado serviço online, que podem ser já adquiridos nas Lojas Americanas.

Pokémon: Let’s Go, Pikachu!/Eevee!

Fora isso, a Nintendo não demonstra ter planos concretos para nosso país. A Loja Nintendo recebeu recentemente FIFA 19, o primeiro título de uma empresa terceira por lá (até então, só jogos distribuídos pela própria Nintendo estavam à venda), porém isso não é necessariamente um sinal de que em breve a loja terá tantos jogos quanto o eShop dos EUA. “É uma parceria, sabe? Não é nosso conteúdo,” nos diz Pilar. “Nós não podemos decidir o que vender em nossa loja ou não. Então é claro que a Nintendo está trabalhando com empresas terceiras como parceiros. É uma decisão em comum. O que eu posso dizer é, nós estamos avaliando quais outros títulos poderiam estar lá.”

Sobre a localização de jogos para nossa língua, tradução é praxe há anos não só para grandes empresas, como Sony, Microsoft, Ubisoft e Warner, mas também comum em diversos títulos independentes. Mas e quanto a Nintendo? “A equipe está avaliando a situação e assim que eu tiver informação eu compartilharei com vocês”.

E sobre a possibilidade de jogos físicos serem distribuídos oficialmente em nosso mercado? “Nós não temos planos de distribuição de jogos físicos ainda, mas assim que tivermos novidades nós compartilharemos com vocês.” A presença na BGS poderia ser um indicativo de que veríamos a Nintendo oficialmente em outros eventos? “Nós estamos ainda avaliando a situação no país, e isso inclui maior presença em eventos e mais atividades com os fãs, não apenas a distribuição. A distribuição é só parte do que estamos avaliando.”

É legal que a Nintendo tenha estado na BGS deste ano e os cartões pré-pagos oferecem mais opções, especialmente aos que não têm cartões de crédito para usarem em lojas online. Ainda assim, foi difícil não sair do evento com a impressão de que o futuro da empresas em nossas terras é ainda um tanto quanto incerto e que demorará um bocado para a vermos se assentando por aqui novamente como antes.

Abaixo você encontra nossa conversa com Pilar Pueblita completa:

Overloadr: Há cerca de três meses vocês inauguraram o eShop brasileiro no Switch (Loja Nintendo) e agora estamos vendo uma presença oficial da empresa aqui no País depois de ter ficado por um tempo longe. Nós podemos ler isso como a empresa tendo uma presença oficial aqui da mesma maneira que costumava ter há alguns anos? Há outras coisas planejadas para o futuro?

Pilar: Nós não queremos dizer que isso significa que estamos voltando ao país. Nós ainda estamos avaliando a situação da marca [Nintendo] no país. Há alguns meses lançamos a Loja Nintendo, que é uma loja digital para códigos de jogos do Switch. Isso é uma maneira de dizermos ‘obrigado’. Na Nintendo, o objetivo de todas as pessoas que trabalham lá é colocar sorrisos nos rostos das pessoas. E é isso que estamos fazendo com a Loja Nintendo, nós estamos oferecendo mais conteúdo, mais títulos, mais maneiras de se ter acesso aos produtos Nintendo. E isso é uma maneira de colocar um sorriso nos rostos das pessoas, e também um jeito de dizer obrigado. É uma loja local, na qual fãs podem comprar jogos na moeda local. Nós sabemos que a Nintendo tem uma enorme base de fãs aqui no Brasil, nós sabemos quão leais os fãs são aqui e o quão apaixonados eles são, e isso é nossa maneira de dizer obrigado.

Nós agora estamos introduzindo também os cartões de jogos, de conteúdo digital, com jogos recentes como Super Mario Odyssey, Xenoblade e Super Mario Kart 8 Deluxe, mas também temos cartões para a assinatura do Switch Online. Assinaturas de três meses e de doze meses estão prontas para serem compradas nas Lojas Americanas. Então, nós não podemos dizer e não podemos confirmar se a Nintendo está voltando do mesmo jeito que tinha presença no passado. O que podemos dizer é que estamos avaliando a situação. Isso aqui é uma tentativa de dizer ‘obrigado’. Nós sabemos da grande quantidade de fãs que estão aqui [no Brasil].

Overloadr: Nesse momento, a Loja Nintendo tem jogos distribuídos pela Nintendo. Existem planos de expansão para começarem a ter jogos de empresas terceiras? Jogos Indie?

Pilar: Na verdade, você encontra FIFA 19 lá também. FIFA 19 é o primeiro título de uma empresa terceira na Loja Nintendo e na verdade não é apenas no Brasil. Na mesma hora em que lançamos a Loja Nintendo no Brasil, também lançamos a mesma loja para outros países. Argentina, Chile, Colômbia e Peru, eles também têm a mesma loja, a mesma quantidade de títulos em moedas locais. Agora, na Loja Nintendo daqui e desses outros países, FIFA 19 está disponível. Assim que tivermos mais informação sobre novos títulos nós avisaremos vocês.

Overloadr: Isso é algo que depende da distribuidora de cada jogo individualmente, decidir se eles querem estar na Loja Nintendo?

Pilar: É uma parceria, sabe? Não é nosso conteúdo. Nós não podemos decidir o que vender em nossa loja ou não. Então é claro que a Nintendo está trabalhando com empresas terceiras como parceiros. É uma decisão em comum. O que eu posso dizer é, nós estamos avaliando quais outros títulos poderiam estar lá. E é claro, nós avisaremos vocês assim que tivermos mais títulos de empresas terceiras. O que eu posso dizer é que títulos da Nintendo, os títulos mais populares e os títulos mais recentes, como… há alguns dias Super Mario Party foi lançado nos EUA e já está disponível na Loja Nintendo. Nós teremos Hey Pokémon: Let’s Go e Super Smash Bros. Ultimate nos mesmos dias também.

Super Smash Bros. Ultimate

Overloadr: Nós temos o eShop, agora temos os cartões físicos, mas algumas pessoas ainda gostam de ter as caixas de jogos em suas prateleiras. Existem planos de começarem a lançar jogos físicos por aqui?

Pilar: É, nós não temos planos de distribuição de jogos físicos ainda, mas assim que tivermos novidades nós compartilharemos com vocês.

Overloadr: O lançamento do eShop local é também uma maneira de testar o mercado, ver o interesse e coletar números para então retornar à Nintendo e dizer ‘ei, há um público aqui que quer você por perto’?

Pilar: Nossa loja digital é um jeito de dizer obrigado e é um jeito de oferecer aos fãs brasileiros produtos da Nintendo no dia do lançamento. Esse é o significado da Loja Nintendo. Dizer obrigado e dar um jeito dos fãs brasileiros terem acesso aos títulos.

Overloadr: Você não têm uma estimativa do quão bem o eShop brasileiro foi recebido? Foi como planejado, foi melhor do que o planejado?

Pilar: A Nintendo não compartilha números, então não temos números disponíveis. Mas estamos animados com a reação dos fãs brasileiros.

Overloadr: Uma coisa muito importante para os jogos no Brasil é estarem em português brasileiro. Jogos no futuro serão traduzidos para a nossa língua?

Pilar: A equipe está avaliando a situação e, de novo, assim que eu tiver informação eu compartilharei com vocês.

Overloadr: Um jogo de US$ 60 foi convertido para R$ 233 na Loja Nintendo. Nós estamos passando por tempos turbulentos aqui no Brasil e o valor do Real ante o Dólar está variando fortemente. Existe alguma chance de vermos o preço dos jogos na Loja Nintendo mudar de acordo com o valor que o Real tem para o Dólar?

Pilar: Uma das coisas que estamos fazendo é seguir todas as regulamentações locais e leis de cada país em que a Nintendo tem alguma forma de operação oficial. Loja Nintendo é uma operação oficial, então nós temos que seguir essa regulamentações. Dizer que mudaremos esse valor não é algo que eu posso confirmar, mas a coisa que eu posso confirmar é que estamos seguindo todas as regulamentações locais, as leis locais, que temos que seguir em cada país, não apenas no Brasil.

Overloadr: Você mencionou que os cartões estarão a princípio sendo vendidos nas Lojas Americanas. Vocês terão demos nas lojas, do Switch com jogos para as pessoas testarem?

Pilar: Nós não temos confirmação disso, se tivermos eu te aviso. Por agora, temos os cartões nas Lojas Americanas.

Overloadr: Com a participação oficial aqui na BGS, o caminho está aberto para que vejamos a Nintendo em mais eventos no Brasil?

Pilar: Nós estamos ainda avaliando a situação no país, e isso inclui maior presença em eventos e mais atividades com os fãs, não apenas a distribuição. A distribuição é só parte do que estamos avaliando.

Overloadr: Vocês têm planos de lançar o Nintendo Labo aqui no Brasil?

Pilar: Por agora, o único país da América Latina que tem o Labo é o México. Por agora, não temos planos de distribuir o Nintendo Labo em outros países da América Latina além do México pelo momento.